meu nome é S/N e sou funcionária fantasma da prefeitura, finalmente consegui este cargo para ficar perto do prefeito... Hendery Wong, mas acho que o Ten Lee que é de outro setor e passou no concurso do INSS tem uma quedinha por mim
Sabe o motivo da minha tristeza e o motivo de tanto "ódio"?
É porque a minha mãe morreu de COVID. E eu nunca mais fui a mesma depois disso.
Enquanto eu enterrava minha dor, sem velório, sem despedida e sem o direito básico de dizer adeus, o mesmo Jair que você vota, debochava da morte alheia. Era ele quem dizia “E daí? Não sou coveiro”. Era ele quem mandava parar de choro e “mimimi”, quem falava que o país precisava “deixar de frescura”, quem ironizava dizendo “vai morrer gente, lamento”, quem estimulava aglomerações enquanto famílias inteiras se despedaçavam, inclusive a minha.
Enquanto eu chorava sozinha, sufocada pela ausência da minha mãe, ele fazia piada, minimizava a dor e desprezava o luto de milhares de pessoas. Enquanto eu tentava sobreviver ao pior momento da minha vida, ele escolhia a crueldade como discurso.
Então não, isso nunca foi só sobre “política”.
É sobre memória. É sobre dignidade.
É sobre uma ferida que nunca cicatrizou porque foi pisoteada por quem deveria proteger vidas.
É sobre um luto roubado, silenciado e desrespeitado. É sobre uma dor que não teve velório, não teve despedida e não teve qualquer sinal de empatia.
Eu nunca mais fui a mesma depois que minha mãe morreu.
E nunca serei.
E é exatamente por isso que eu luto.
Contra ele, contra tudo o que ele representa, e contra essa doença moral chamada bolsonarismo.
Só que a literatura não se cala. Ela resiste, ela fala sobre lésbicas, pretos, indígenas, bruxas, mães solo, gente LGBTQIA+, espiritualidade diversa, desejo, trauma, cura. E nenhum cristão moralista vai apagar isso com videozinho de 1 minuto.