A sensaรงรฃo de estar tentando ser uma pessoa boa e, mesmo assim, continuar decepcionando quem eu amo. Eu queria sumir da vida das pessoas enquanto eu ainda nรฃo tive tempo de estragar nada.
Sinto que erro em tudo, todas as vezes. Como se eu tivesse uma capacidade quase absurda de escolher a palavra errada, o momento errado, a maneira errada de sentir. Erro com meus amigos, com a minha famรญlia, com as minhas prioridades.
Ainda assim, parece que nunca รฉ suficiente. Sempre existe alguma coisa que eu deveria ter percebido antes, alguma versรฃo de mim que teria feito melhor. No fim, sobra esse vazio estranho.
queria conseguir encerrar ciclos de uma maneira que me permitisse deixar a pessoa pra trรกs e seguir em frente sem permanecer sofrendo por isso mais do que ela
E eu sei que isso deveria ser bonito tambรฉm. Intimidade รฉ, de certa forma, sobreviver ao fim da novidade. Mas uma parte de mim continua querendo segurar as coisas exatamente antes desse ponto.
Eu queria conseguir guardar os comeรงos sem precisar impedir que eles continuassem. Gostar de alguma coisa sem sentir medo do momento em que ela vai mudar. Porque tudo muda, mesmo aquilo que fica. Talvez crescer seja aprender que nรฃo dรก para morar no inรญcio para sempre.
Talvez o problema seja que eu sempre percebo quando o comeรงo estรก acabando. Quando as mensagens deixam de ter pressa, quando o extraordinรกrio comeรงa a virar rotina, quando aquilo que parecia impossรญvel de perder passa a fazer parte dos dias como se sempre tivesse estado ali.
รs vezes eu queria morar no inรญcio das coisas. Naquele espaรงo pequeno em que nada deu errado ainda, ninguรฉm se cansou, ninguรฉm aprendeu os defeitos do outro e tudo parece ter uma possibilidade infinita de dar certo.
Queria morar nas primeiras conversas, na curiosidade, na vontade de ficar mais cinco minutos, nos lugares que ainda nรฃo carregam lembranรงas ruins. Existe alguma coisa muito bonita em nรฃo saber o que vem depois.