@queriaservj@chamaxtron@Mowgli420 Não sei de que país que foi colonizado pela Espanha a pessoa é, mas para eles, um Italiano nasceu lá e é vizinho dele
pensando muito na ideia de que “criação de conteúdo” é uma forma de poluição. antes a internet tinha sites, lugares por onde a gente andava. agora o conteúdo cai por cima da gente como se fosse chuva ácida
Falando sério, sem nenhuma brincadeira.
Tenho 52 anos. Nasci em plena Ditadura Militar e, embora me lembre de pouca coisa daquela época, vivi intensamente tudo o que veio depois: a redemocratização com a vitória e a morte de Tancredo Neves, a gestão de Sarney, a turbulência de Collor, a transição de Itamar Franco e os governos de Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer. Em 2019, veio Jair Bolsonaro e, em 2023, Lula retornou à presidência.
Consigo me lembrar perfeitamente de como era o Brasil sob o comando de cada um deles. Sempre tive o hábito de acompanhar as notícias. Desde a infância e a adolescência, vendo meus pais assistirem ao Jornal Nacional todas as noites, criei o costume de tentar entender o que acontecia no país.
Mas existe um fenômeno peculiar a um determinado presidente que nunca aconteceu com nenhum outro da nossa história recente. O que Jair Bolsonaro fez com uma parcela da população é verdadeiramente bizarro.
Nenhum outro líder político no Brasil conseguiu provocar uma alienação coletiva tão profunda. Testemunhamos surtos coletivos reais, com cenas esdrúxulas que expuseram o país ao ridículo internacional. Isso foi muito além do fanatismo político tradicional; virou um absurdo completo.
Foi só depois de Bolsonaro e sua família que passamos a ver cenas inacreditáveis:
Pessoas agarradas ao para-brisa de caminhões em alta velocidade; acampamentos prolongados na frente de quartéis; grupos com lanternas de celular apontadas para o céu, tentando sinalizar para satélites ou forças externas; uma mistura medonha de fanatismo religioso e idolatria política, com pessoas rezando de joelhos ao redor de um pneu de trator; manifestantes marchando e cantando o hino nacional para a réplica da Estátua da Liberdade em frente às lojas Havan; gente destruindo os próprios chinelos Havaianas por causa de um boicote ideológico; e, mais recentemente, pessoas ignorando alertas da Anvisa e defendendo o uso de detergentes recolhidos por contaminação, alegando que o aviso sanitário era uma "perseguição comunista".
Que vergonha!
O que vemos hoje é uma histeria de massa alimentada por bolhas de desinformação que despertaram durante o governo Bolsonaro. O fanatismo simplesmente cegou o senso de ridículo de um grupo de pessoas que perdeu a capacidade de discernimento e confunde símbolos nacionais, política e realidade.
Mesmo diante de investigações e escândalos, os herdeiros do bolsonarismo tentam manter essa bolha viva a qualquer custo, exigindo uma lealdade cega e vergonhosa de seus seguidores.
A verdade é que a dinâmica dessa família sempre foi pautada pela distorção e pelo engano. O saldo desse período não trouxe nenhuma contribuição real para o país, nem na ciência, nem na educação, nem na economia ou no nosso prestígio internacional.
O que o bolsonarismo trouxe para o Brasil foi apenas o rastro de uma divisão profunda, um antipatriotismo e um triste espetáculo de alienação.