Nunca é indo fazer hot yoga 10 da manhã, almoço no restaurante usando roupa de academia da Track & Field, tomar café com as amigas na cafeteria wellness à tarde, corridinha no fim do dia na área interna do condomínio.. É sempre uma Toinha sendo empregada doméstica pro bono.
Advocacia é uma profissão que exige muito da mente.
Prazos, responsabilidade, conflitos, pressão emocional, problemas dos outros.
Por muito tempo negligenciei isso.
Hoje vejo que cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar da própria advocacia.
Flávio Bolsonaro não está “combatendo o crime”; ele está tentando importar para o Brasil a lógica da guerra ao terror dos EUA. E quem pode pagar a conta é o país inteiro. O filho do Jair Bolsonaro foi aos Estados Unidos pedir a Trump que trate PCC e CV como organizações terroristas.
O problema são as consequências. Parece discurso duro contra o crime. Mas, na prática, é uma irresponsabilidade gigantesca com o Brasil.
O risco político é enorme: os EUA passam a ter argumento para aplicar sanções, impor pressão diplomática e interferir no modo como o Brasil conduz sua própria política de segurança. A Reuters já havia registrado que o governo brasileiro rejeitou esse caminho porque, pela lei brasileira, PCC e CV são organizações criminosas, não organizações terroristas.
Quando uma facção brasileira entra na lógica americana da “guerra ao terror”, o problema deixa de ser apenas de segurança pública e passa a envolver sanções internacionais, pressão sobre bancos, empresas, fintechs, comércio, investimentos e até risco de interferência estrangeira sobre decisões do Estado brasileiro.
Quem pode sofrer com isso não é o criminoso do alto escalão apenas. É o país inteiro.
Empresas brasileiras podem virar alvo de bloqueios. Bancos podem ser pressionados. Cadeias produtivas inteiras podem ser colocadas sob suspeita. Qualquer setor infiltrado por dinheiro do crime pode gerar consequência para gente que nem sabia que estava perto dessa rede.
O Brasil precisa combater PCC e CV com força, sim. Mas com inteligência financeira, investigação, bloqueio de bens, combate à lavagem de dinheiro, controle de armas, fronteiras protegidas e Estado presente.
O que Flávio fez foi outra coisa: tentou terceirizar a segurança do Brasil para Trump, usando um problema gravíssimo do povo brasileiro como peça de campanha eleitoral. Isso não é patriotismo. É submissão, sabotagem...
E é assim que a extrema direita funciona: cria caos, vende medo e depois entrega a soberania do país como se fosse solução. O crime organizado precisa ser enfrentado. Mas o Brasil, o povo, não pode ser prejudicado, colocado de joelhos diante dos Estados Unidos por ambição eleitoral de um Bolsonaro.
Ninguém está passando pano para facção. O que se está denunciando é outra coisa: Flávio Bolsonaro usou a segurança pública como palanque eleitoral e colocou o Brasil numa rota perigosa de sanções, interferência externa e insegurança econômica.
Como previdenciarista considero que essa decisão é um retrocesso dos direitos sociais e assistenciais.
A medida mistura duas esferas que deveriam ser tratadas separadamente. O auxílio-reclusão não é benefício do preso, mas dos seus dependentes, que são, em regra, pessoas vulneráveis (filhos menores, cônjuges). Usar o benefício como instrumento de punição indireta fere a lógica do sistema previdenciário e aproxima perigosamente o direito previdenciário de uma função punitivista.
Resultado: mais vulnerabilidade, menos proteção e nenhum impacto real na criminalidade.