Iniciamos o mês Joanino.
«João é a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra. João é a voz para um tempo; Cristo é a Palavra no princípio, eterna. Tira a palavra, o que é a voz? Onde não há intelecto, o ruído é vazio. A voz sem a palavra bate no ouvido, mas não edifica o coração. Contudo, na própria edificação do nosso coração, observemos a ordem das coisas. Se penso no que vou dizer, a palavra já está no meu coração; mas, querendo falar-te, procuro o modo como aquilo que já está em mim possa estar também no teu coração. Buscando como ela pode chegar a ti e instalar-se no teu coração, a palavra que já está no meu, assumo a voz e, assumindo a voz, falo contigo. O som da voz conduz a ti a compreensão da palavra; e quando o som da voz te conduziu à compreensão da palavra, o som em si passa; mas a palavra que o som te trouxe já está no teu coração e não se afastou do meu.»
— Santo Agostinho (Sermones, 293, 3)
"Trad wife" segundo as escrituras:
«Busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com as suas mãos. Como o navio mercante, ela traz de longe o seu pão. Levanta-se, ainda de noite, para dar mantimento à sua casa, e a tarefa às suas servas. Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com o fruto das suas mãos. Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços. Vê que é boa a sua mercadoria; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as suas mãos ao fuso, e as suas palmas pegam na roca. Abre a sua mão ao aflito; e ao necessitado estende as suas mãos. (...) Faz panos de linho fino, e vende-os, e entrega cintos aos mercadores. A força e a dignidade são os seus vestidos, e ri-se do tempo vindouro. Abre a sua boca com sabedoria, e a lei da beneficência está na sua língua. Olha pelo governo de sua casa, e não come o pão da preguiça. Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada; seu marido também, e ele a louva. (...) Dai-lhe do fruto das suas mãos, e deixe o seu próprio trabalho louvá-la nas portas.»
— Provérbios 31:13-19, 24-28, 31
«Este santo pensamento conserva os filhos dos homens que esperam na proteção das asas de Deus, para que se inebriem da abundância da sua casa e bebam da torrente das suas delícias. Pois junto dele está a fonte da vida, e na sua luz veremos a luz; ele que estende a sua misericórdia aos que o conhecem e a sua justiça aos retos de coração. E, com efeito, não é porque o conhecem, mas para que o conheçam, que Ele estende a sua misericórdia; nem é porque são retos de coração, mas para que sejam retos de coração que Ele estende a sua justiça, com a qual justifica o ímpio (Rm 4, 5).
Este pensamento não nos arrebata para a soberba, vício este que nasce quando cada qual confia presumidamente em si mesmo e se constitui como o próprio princípio do seu viver. Por esse movimento, o homem afasta-se daquela fonte da vida, de cujo único sorvo se bebe a justiça, isto é, a vida boa, e daquela luz incomutável, por cuja participação a alma racional de certo modo se acende, para que seja também ela mesma uma luz feita e criada. Assim como João era "uma lâmpada que arde e ilumina" (Jo 5, 35), o qual, contudo, reconhecendo de onde brilhava, disse: "Nós recebemos da sua plenitude" (Jo 1, 16). Da plenitude de quem, senão d'Aquele em comparação com o qual João não era a luz? Pois "aquela era a verdadeira luz, que ilumina todo homem que vem a este mundo" (Jo 1, 9).
Por conseguinte, tendo dito no mesmo salmo: "Estende a tua misericórdia aos que te conhecem e a tua justiça aos retos de coração", disse logo em seguida: "Não venha sobre mim o pé da soberba e a mão dos pecadores não me afaste. Ali caíram todos os que obram a iniquidade; foram expulsos e não puderam manter-se em pé" (Sl 35, 11-13). É, de fato, por essa impiedade pela qual cada um atribui a si mesmo o que é de Deus que o homem é impelido para as suas próprias trevas, que são as obras de iniquidade. Estas, de fato, ele faz puramente por si mesmo, e para realizá-las basta a si próprio. As obras de justiça, porém, ele não as faz, a não ser na medida em que as recebe daquela fonte e daquela luz, onde a vida não tem necessidade de nada, e onde não há mudança nem sombra de variação (Tg 1, 17).»
— Santo Agostinho (De spiritu et littera, cap. VII, XI)
"When St. Augustine teaches about actual grace, he explains it in the words of the Apostle; for this reason he is called the most invincible defender of grace, the disciple of the Apostle, or even the second Paul."
— Fr. Federico Nicola Gavardi
@avongard2001@RaskolnikovDe Mas olha quem era infiltrado jujuba na ordem dominicana.Sim, Bartolomeu de Las Casas era um deles. Não vou generalizar e dizer que os dominicanos eram ruins só porque alguns são, e espalham mentiras sobre os jesuítas. Triste que não são gratos por tudo que já fizeram por nós.
«Para mim é certo o seguinte: ao estabelecer as penas dos infantes, não se excedeu Agostinho, mas antes excederam-se aqueles Escolásticos que escrevem que os meninos devem ser dotados de uma beatitude natural, e lhes prometem uma região felicíssima. Assim julgou o acérrimo defensor da Religião Católica, o Cardeal Belarmino, o qual põe esta censura (Tomo 3, Livro 6, cap. 3):
"Não se deve julgar, portanto, que Agostinho tenha padecido de fraqueza humana ou se excedido neste dogma; mas padecem de fraqueza humana e EXCEDEM-SE aqueles que colocam os infantes na parte superior da terra, como que num paraíso terrestre, e os chamam de beatos e felizes."
Acrescentarei também, sobre esses mesmos, o juízo do Reverendíssimo Pe. Lourenço Brancati de Lauria [...] que em seu eruditíssimo volume sobre os Novíssimos (disp. 27, art. 7, num. 152) diz:
"O que dizem os nossos modernos, tenho-o até agora por vão, novo e ridículo, a saber, sobre a sua morada, habitação e deambulação sobre a terra. De onde tiraram isso? Quem lhes revelou?"
Sei que eles não afirmam que a pena de dano seja leve ou nula segundo si mesma; pois, na medida em que é a privação do sumo bem possuído na Pátria Celestial, ela é dita por eles como o sumo mal, já que a gravidade desta mesma pena se mede pela excelência do bem do qual ela priva. Por isso, pode parecer que eu tenha exagerado com menos propriedade as testemunhas do Santo Doutor mais acima, onde ele transmite que "não estar na Pátria é uma grande pena", visto que os Escolásticos concedem isso voluntariamente.
[...]
Agora, se os sufrágios dos Padres que favorecem Agostinho fossem submetidos a cálculo, estes seriam vinte e quatro Anciãos, pois houve quinze da Bizacena que subscreveram a sentença de Santo Agostinho. Entre os Padres esteve o Papa Gelásio, que, em uma epístola decretal, determinou que o terceiro lugar inventado pelos Pelagianos deveria ser totalmente banido do meio da Igreja.
Tampouco faltam os sufrágios dos Escolásticos. Alberto Magno, Estius, Driedo e Polmanus defendem a sentença de Agostinho como provável. [...] E, de fato, espero que, de agora em diante quando for lida esta nossa disputação (se é que haverá, entre as gerações futuras, algum interesse por estes escritos), muitos passem para o lado de Santo Agostinho, ou ao menos se abstenham de censuras. E que não acusem falsamente o Santo Doutor de "excesso" ao transmitir aquela sentença que, por consenso unânime, Pontífices, Sínodos e Padres ensinaram como foi lucidamente demonstrado até aqui.»
— Card. Noris (Vindicae Augustinianae, cap. III, §. V, Solvuntur contraria sententiæ argumenta)
«A Vontade, segundo o Beato Egídio, pode ser considerada de dois modos:
Ou como uma certa coisa, ou seja, como uma certa natureza pois qualquer coisa é uma certa natureza pelo fato de ter nascido. A natureza, porém, é determinada a um fim único, porque é determinada a um único fim para o qual está ordenada. Neste sentido, a vontade não é livre, mas determinada a um fim único. Pois, como diz o Doutor Beato Egídio, assim como um corpo pesado apetece naturalmente ir para baixo, e um leve ir para cima, assim também o homem apetece naturalmente ser beato e feliz. Ou pode ser considerada como uma potência para ambas as partes [ad utrumque, isto é, para os opostos], ou seja, precisamente enquanto a vontade é livre. E, assim, ela é considerada em relação aos meios, ou aos fins intermediários, na medida em que pode eleger ou não eleger este meio, bem como pode tender ou não tender a este fim particular. É a respeito da vontade assim considerada que se dá potissimamente a nossa conclusão.
Na qual digo: A vontade é uma potência simplesmente mais perfeita que o intelecto e que as outras potências da alma.»
— Pe. Nicola Gavardi (Philosophiae Aegidianae, quaestio ultima, dubium quartum)