Vou banindo pela Terra e Ar
Vou banindo pelo fogo e mar
Vou banindo, vou banindo pra purificar
Vou banindo, vou banindo pra exterminar
Espiral, Espiral, Espiral
Sugue o que há de ruim
Leve todo mal!
A Odisseia tem 2h52 e o maior elogio que eu consigo fazer é que, em nenhum momento, eu senti que estava assistindo um filme de quase 3 horas. Não olhei o relógio uma vez sequer. Só fui completamente absorvido pela história
@obelviously No meu caso a faculdade tinha 2 campus e o q me atrasava era o deslocamento, ai ele tentou me reprovar por falta, fiz uma carta emocionante para o Colegiado e ele teve que me aprovar, contava todo ano com desdém pros novos alunos da aluna da carta mas teve q me engolir
A gente fala muito sobre o fim da escala 6x1, mas fala pouco sobre o impacto real disso na vida de quem passou a vida inteira preso nela.
No primeiro fim de semana antes do Carnaval, peguei um Uber em São Paulo. Estava difícil conseguir corrida. Muitos motoristas cancelando, tarifa alta, acessos bloqueados por causa dos blocos. Eu precisava resolver uma emergência e consegui um carro num domingo à noite.
Começamos a conversar. Ele disse que era a primeira vez trabalhando no Carnaval, tinha só quatro meses de Uber, e que estava achando tudo muito confuso. Perguntou como funcionavam os blocos, se precisava pagar para entrar, por que as ruas estavam fechadas. Ele queria levar a esposa um dia em um desfile.
Expliquei que os blocos são gratuitos, que qualquer pessoa pode ir, que é só chegar e acompanhar. Falei que desfile pago é no Sambódromo do Anhembi, mas que a arquibancada não é inacessível.
Foi depois disso que ele começou a falar das vontades que tinha.
Disse que morria de vontade de levar a esposa para conhecer as coisas que via pela internet. Que queria ir à Liberdade, naquela feirinha que aparece no TikTok. Que queria conhecer a Augusta e parar em um barzinho. Que queria ir ao Parque do Ibirapuera. Que queria ir à praia.
E então ele disse, quase como quem revela um segredo:
Nunca fui para a praia.
Perguntei se ele não morava em São Paulo. Ele respondeu que nasceu em São Bernardo e que sempre trabalhou aqui.
Trabalhou dez anos como açougueiro, desde os 18. Sempre em escala 6x1. Sempre trabalhando aos finais de semana. Saía de casa às 5 da manhã e voltava às 10 da noite. A única folga era no meio da semana, e ele usava para descansar.
Nunca teve um domingo livre.
Expliquei que a Paulista fecha aos domingos para carros e fica ótima para passear. Que depois do Carnaval é ainda melhor para ir com calma. Falei que a Feira da Liberdade é aberta e gratuita. Que a praia não é tão distante assim. Que o Ibirapuera está ali, acessível. Que não é preciso muito dinheiro para viver a cidade.
Ele tem 28 anos.
Disse que agora, no Uber, consegue ganhar até mais do que ganhava antes. Mas saiu da CLT para a informalidade. Não é o ideal. Não dá para romantizar.
O que ele quer não é luxo.
Ele quer viver coisas simples que o trabalho exaustivo nunca permitiu.
Quando dizem que o brasileiro trabalha pouco, eu lembro dele. De alguém que passou dez anos sem viver um único fim de semana. Isso não é falta de esforço. Isso é normalização da exaustão.
O fim da 6x1 não é só sobre jornada de trabalho.
É sobre tempo.
É sobre dignidade.
É sobre permitir que um jovem de 28 anos conheça a própria cidade.
E eu não consigo parar de pensar nisso desde aquele dia. Em como a escravidão moderna está sendo normalizada e enfiada goela abaixo. A Folha fez exatamente isso: tentou banalizar a exploração do trabalho como se fosse apenas um dado comparativo, ignorando a realidade concreta de quem vive jornadas desumanas.
E quando a gente ignora essas histórias, a gente ajuda a transformar exploração em estatística.
Os que são contra o fim da escala 6x1 são INIMIGOS TRABALHADOR
E isso tem que ser dito
Tipo voce ja ta nervoso com a situação, tua filha ta passando mal, tem alergia, o médico tenta te explicar, vc claramente nao entendeu ja que chegou na medicação e pediu a mesma coisa, ao invés de er fazer entender o ser vem no Twitter falar q é dificil trabalhar no sus? MELHORE
Eu vejo umas postagens no Twitter que me fazem perder a fé nas pessoas, se acham tão superiores que nao vem como são inferiores! Hj vi falando de uma mae q nao entendia q o remedio era o mesmo so mudava o princípio ativo, no sus, blz, mas vc tem q ser fazer entender pro paciente+
Agora a pessoa que vai no sus, nao tem obrigação nenhuma de saber nome do composto do remédio, deve morrer de medo de médico devido aos mil casos, é taxada como errada por nao entender que é a mesma coisa e ter medo pq a filha tem alergia +