Eu estava deitada na cama, com os pés apoiados na parede. Eu adorava deitar assim, parecia que o quarto inteirinho ficava de cabeça pra baixo.
É estranho as coisas de cabeça pra baixo parecerem mais corretas que o "normal"?
- Você tá pronta? - perguntou Édra cautelosa, enquanto se inclinava na minha direção com um olhar sério. - Posso?!
- Pode - respondi, me encolhendo no banco.
Édra acelerou cidade adentro.
E todos os postes nos viram passar.
Mas é mais dificil do que parece, você ter a cara e a coragem de se jogar em cima da pessoa de quem você gosta. Quem me garante que vai ser recíproco? Sim, sou medrosa pra essas coisas. A vida não é como Amor em atos. Não vivo uma novela.
- Você ta viva? - perguntou, e eu senti que ela estava sorrindo, pela pressão que a bochecha dela fez.
- Muito. - Respirei fundo. E repeti baixinho pra mim mesma: - Muito.
Ela ainda estava lá, em algum lugar, por trás de toda mágoa.
Ainda era ela quando me lançava um sorrisinho descarado enquanto dirigia. Mesmo que com poucos diálogos, poucos momentos a sós, pouca aproximação física e muitas coisas a serem ditas.
E eu odeio muito esperar. Talvez eu seja a pessoa mais impaciente da face da Terra. Só que Édra Norr transforma toda a minha impaciência em paciência, porque, quando ela começa a falar sem parar sobre qualquer coisa, eu esqueço de todo o resto.
Às (ou na maioria das vezes, é como se eu fosse um asteroide se aproximando da Terra. Sabe aqueles gigantescos?Que passam nos jornais e que blogs religiosos usam para fazer matérias sobre o fim do mundo? Pois é, sou eu. Um grande risco, enorme e desajeitado. +
carrego essa dedicatória da elay cmg desde q eu li o livro, o tanto q essa simples dedicatória mudou a minha vida e me fez ser mais forte do que eu poderia imaginar é simplesmente inexplicável
- De que planeta você veio? - perguntou Édra, pra quebrar o silêncio.
- Do planeta das pessoas que estragam tudo e são extremamene confusas e curiosas e desastradas - respondi, enchendo a minha boca de ovos mexidos para que eu não precisasse continuar falando.
Aposto que já tem uma escova de dente pra ela em algum lugar no meu cérebro, como acontece quando os casais começam a dormir juntos com muita frequência e passam a ser "de casa", assim dizendo.
Na minha cabeça, Édra Norr era de casa.
Édra Norr sorriu, vitoriosa e cínica. Muito cínica. Com um olhar tão prepotente que chegava a ser antipático. E, para o meu enorme desespero, dentro da droga de uma blusa preta.
- Dona Símia! - gritei, sacudindo o braço enrugado dela. - Dona Simia! Eu quero chá! Eu tenho coragem! Você precisa me ver, agora que eu tenho coragem!