Alguns detalhes de Ibrahim Maza, jovem talento argelino, na estreia da Copa do Mundo. Medindo aproximadamente 1,80m de altura, Maza tem facilidade para jogar entrelinhas, mas principalmente destaca-se por sua capacidade de resolução em espaços reduzidos. Muda de direção e quebra o ritmo com facilidade, pois tem o centro de gravidade baixo e facilidade em flexionar os joelhos no momento de trocar de direção. Sua condução atrai e fixa muitos adversários. Além disso, mapeia e tem visão para executar passes difíceis em profundidade.
A Argélia é outra seleção africana que apresentou um nível muito interessante nesta fase de grupos da Copa do Mundo 2026. Reunem talentos que desequilibram em todos os setores: Mandi e Bensebaini são zagueiros construtores, Aït-Nouri é um lateral ofensivo e com excelente perfil físico, Ibrahim Maza e Houssem Aouar são meias habilidosos em espaços reduzidos e capacitados em jogar nos quadrados, há extremos que fazem a diferença no 1vs1... Apresentaram ótimos argumentos individuais e uma boa organização coletiva no geral. A partir de um 4-3-3, utilizaram muito o goleiro para atrair nos primeiros passes e progredir a partir de como o adversário saltava.
O placar de 3-0 diz mais sobre o gênio que é Lionel Messi, que marcou os três gols, do que necessariamente sobre uma superioridade nítida da Argentina taticamente. Inclusive, a postura passiva dos argentinos em fase defensiva chamou a atenção, sendo que não pressionaram os primeiros passes da Argélia e no segundo tempo tiveram picos de menos de 35% de posse de bola já defendendo em seu próprio campo.
A questão é que os argentinos jogam leves, sem carga emocional e com a confiança nas alturas. Mesmo abaixo do que podem fazer em condições ideais, passam a sensação de solidez e controle apesar do jogo, em si, ter sido bastante complicado. Destaque para Rodrigo De Paul como responsável por conectar com Messi entrelinhas.
Esta é a Copa do Mundo, também, das bolas paradas. Países Baixos e Uruguai, duas seleções adeptas de marcações individuais no jogo corrido e também nos escanteios defensivos, concederam gols onde sua vulnerabilidade devido a facilidade do adversário em manipular os encaixes foi explícita. Mobilizar para uma zona para atacar outra, congestionar a primeira trave puxando pela frente ou simplesmente atrapalhar a área de circulação e intervenção do goleiro... Conceitos utilizados nesta Copa até o momento.
Um detalhe interessante do gol do Egito ontem contra a Bélgica.
Os belgas estavam se reorganizando em bloco médio dentro do 4-2-3-1, mas Tielemans e Amadou Onana, a dupla de volantes da equipe, balançaram em demasia para o mesmo lado, lado este que o Egito agrupou jogadores para mobilizar a marcação.
O que chamamos de quadrado oposto começa desocupado, pois Emam Ashour está paralelo a Meunier na expectativa de romper em profundidade nas suas costas. No entanto, ele faz um movimento duplo e se desmarca no quadrado vazio, recebendo livre e finalizando de pé direito. Para criar espaços, nem sempre precisamos começar já de início dentro deles.
Estreia abaixo do esperado por parte do Uruguai. Primeiro tempo em que tentaram se impor a partir de sua agressividade defensiva com perseguições individuais, mas que não demonstraram a sensação de controle dos acontecimentos do jogo pelo excesso de verticalidade em seus ataques, que careceram de critério e sentido com Ugarte sendo pouco capaz de direcionar os primeiros passes com a responsabilidade de fazer a saída a 3 jogadores na primeira fase de construção. A profundidade uruguaia, por via de regra, foi maioritariamente exterior, sobretudo com Viña rompendo pela esquerda.
As fragilidades uruguaias na bola parada custaram a demanda contextual da partida, já que suas marcações individuais permitiram com que os sauditas manipulassem os encaixes em cada oportunidade de escanteios principalmente.
No segundo tempo, com Valverde com maior protagonismo interior, o Uruguai teve maior imposição territorial e empurrou a Arábia Saudita para trás, principalmente com a formação do triângulo pela direita entre Varela, Valverde e Canobbio, que saiu do banco de reservas e ofereceu profundidade por fora pela direita (momentos do próprio Varela trabalhando por dentro).
O Uruguai terminou o jogo com volume alto de chegadas, alcançando 28 finalizações.
Foi uma estreia abaixo do esperado por parte da Bélgica. O histórico da seleção aponta que os belgas são muito mais hábeis atacando em espaços abertos do que atacando em espaços reduzidos contra defesas fechadas, e é assim desde a época dourada do auge de seus principais jogadores.
Contra um bloco baixo em 4-4-2 do Egito, chamou a atenção negativamente como Rudi Garcia distribuiu as funções de seus jogadores dentro de um cenário constante de ataque posicional. Começou a partida com Tielemans, um jogador acostumado a ver o jogo de frente e ser o foco da construção a partir da base da jogada, relacionado com os quadrados e principalmente em preencher a área e compensar os movimentos de descenso de De Ketelaere e De Bruyne, que funcionavam como uma dupla de falsos 9.
Neste sentido, o Egito tampouco teve saídas ofensivas constantes no primeiro tempo, mas aproveitou a vulnerabilidade belga para proteger o corredor central (partida ruim de Amadou Onana) para marcar o 0-1 em uma grande ação individual de Eman Ashour, que saiu da paralela do lateral e flutuou no quadrado no contrabalanço dos volantes belgas.
Na segunda etapa, principalmente após a entrada de Raskin no lugar de Onana, Rudi Garcia fixou uma estrutura menos móvel e mais rígida posicionalmente, mudando a posição de Doku, que passou a ser centroavante com Trossard na esquerda e De Ketelaere na direita.
Não curiosamente, o empate belga surgiu em uma rara ação de Tielemans vendo o jogo de frente e lançando Meunier em profundidade, com Lukaku, maior artilheiro da história do país e que começou no banco, preenchendo a área e cabeceando.
Estreia abaixo das expectativas da Espanha na Copa do Mundo 2026. Contra um bloco baixo de Cabo Verde, que defendeu em 4-1-4-1 e frequentemente baixava seus extremos próximos à última linha para proteger a área, e que não saltava para pressionar por dentro, os espanhóis acusaram especialmente a ausência de extremos de natureza para agredir o bloco do adversário por fora.
Seus zagueiros tentavam provocar saltos dos interiores de Cabo Verde através da condução, mas não obtiveram sucesso e frequentemente optaram por jogar com os companheiros afastados com passes diagonais longos utilizando as amplitudes com os extremos. A única fonte de profundidade exterior dos espanhóis foi Marc Cucurella quando ganhava altura na rotação do triângulo com Gavi e Fabián Ruíz. Excesso de cruzamentos sem vantagem foi uma tônica na partida.
Deste modo, Cabo Verde também apenas resistiu, com poucas saídas ofensivas em transição e com perdas de posse comprometedoras no seu próprio campo que ofereceram a única via de ameaça dos espanhóis na partida.
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Análise tática completa do empate entre Marrocos e Brasil na primeira rodada da Copa do Mundo FIFA 2026. Partida em que contou com uma superioridade tática nítida dos marroquinos, como será apresentada no vídeo a seguir:
Alguns dos problemas do Brasil com a bola contra a pressão média do Marrocos.
O Marrocos deixava Ibañez livre na saída no tiro de meta. Saltava assimétrico com El Khannouss sendo extremo e saltando sobre Marquinhos, sendo que Mazraoui dividia nas intermédias se saltava ou não. Por dentro, encaixes: Ounahi e Bouaddi com a dupla de volantes do 4+2 do Brasil e El Aynaoui sobre Lucas Paquetá.
Chamou a atenção como Alisson sequer olha para Ibañez e opta por jogar longo com os afastados, sendo que havia um homem livre atrás na iniciação.
A importância da ambidestria refletida no gol de Marrocos contra o Brasil.
Perda de posse de Paquetá e Mazraoui de prontidão já olha para os companheiros mais afastados. Começar um contra-ataque efetivo por via de regra pede um primeiro passe vertical para eliminar adversários.
Detalhe principal: Brahim mapeia antes de receber e sendo canhoto, utiliza o pé direito para o controle orientado já facilitar sua ação subsequente. Em seguida pausa e lança Ismael Saibari em profundidade.
75% de posse de bola, algumas ocasiões de gol devido a fragilidade do adversário e mais de 13 finalizações da Suíça no primeiro tempo contra o Catar. Os suíços partem de um 4-3-3 com Xhaka primeiro volante à frente da defesa, tendo Freuler e Aebischer como interiores. Constantes rotações nos triângulos exteriores entre lateral, interior e extremo, mas efetivamente a intenção é explorar as posições abertas de Ndoye e Ruben Vargas. Inclusive porque Ricardo Rodríguez tem boa capacidade de ultrapassagem e chegou ao fundo pontualmente neste primeiro tempo.
Surpreende a função de Denis Zakaria como lateral direito. Frequentemente interioriza sua posição, mas imagino que seja uma forma também de se prevenir na transição defensiva contra o extremo catari.
Akanji falhou logo no início e o Catar teve a chance de abrir o placar com Edmilson Jr.
Posteriormente, já na reta final da primeira etapa, os cataris voltaram a dispor de uma ocasião de gol clara com o mesmo Edmilson, que é um brasileiro naturalizado. Ou seja, mesmo com imposição clara, a Suíça poderia ter sido mais efetiva contra um adversário que claramente não competiu em diversos momentos da primeira parte.
Primeiro tempo imponente dos Estados Unidos na estreia do país na Copa do Mundo 2026.
A partir do 3+2, com variações de funções mantendo a base estrutural (ora um dos volantes, principalmente Adams, lateraliza), mas preponderantemente construindo a 3 jogadores com o lateral direito baixo, os americanos conseguiram facilmente progredir e atacar a profundidade contra um bloco médio passivo em 4-4-2 do Paraguai, que não se apresentou preparado para pressionar e tampouco para defender perto da própria meta.
Pulisic e McKennie são fundamentais para o plano de Pochettino. Partem dos quadrados dentro do 3-2-5, mas com o objetivo principal de atacar os intervalos entre zagueiro e lateral e chegar à linha de fundo em vantagem. Pela postura passiva do adversário, os EUA acessam com facilidade as amplitudes, o que provoca saltos dos laterais do Paraguai e permite com que Pulisic (extremo) e McKennie (meia) rompam nas costas da última linha.
Interessante como apesar de ser uma estrutura posicional, há flexibilidade para as rotações e por via de regra McKennie tem liberdade para abandonar o quadrado da direita (seu espaço pré-determinado) e se juntar ao redor dos companheiros no lado forte na esquerda. Sergiño Dest espera pacientemente no lado débil.
Pressão pós-perda agressiva dos Estados Unidos ofereceram um controle quase totalitário aos americanos.
A Bósnia marcou seu gol aproveitando sua superioridade física (média de altura de 1,89m) em um escanteio onde bloqueou a zona de intervenção do goleiro adversário. Com Memic e Bajraktarevic, os bósnios possuem duas saídas bem definidas pelos lados com seus extremos após a recuperação da posse, sendo invariavelmente uma equipe muito direta e exterior que tem como objetivo aproveitar as transições ofensivas.
Por outro lado, o Canadá apresentou estrutura, intenções e sistema quando teve que assumir maior iniciativa com a posse de bola (alcançou picos de 65% ao longo da partida), a partir de um 4-2-3-1 com Jonathan David flutuando nos quadrados. Os canadenses também foram iminentemente exteriores, com protagonismo para os extremos Liam Millar e Tajon Buchanan mantendo por via de regra a base da jogada preenchida por dois jogadores a partir de um 4+2.
Neste cenário, o jogador da partida foi Ismael Koné. O meio-campista do Sassuolo tem um perfil físico privilegiado, com pernas compridas e biotipo longilíneo, com passadas largas que o permitem transitar de um campo ao outro com facilidade a partir de conduções. Em uma destas conduções se originou o gol de empate do Canadá. Sua rotação, agressividade e iniciativa no meio-campo, em um cenário instável e de constantes perdas e transições, foram preponderantes para o time da casa.
A Coreia do Sul claramente foi superior na partida independentemente de como termine o placar.
Lee Kang-In esteve envolvido nos dois gols: primeiro atraindo e encontrando o timing certo para lançar Hwang In-Beom no primeiro gol e, posteriormente, mobilizando Ladislav Krejci e tirando o zagueiro tcheco de posição no que gerou a vantagem para o passe cavado nas costas da linha defensiva do adversário.
O jogador do PSG foi o melhor em campo. Sendo o epicentro de tudo que a Coreia do Sul produziu ofensivamente, baixando para oferecer soluções, atraindo marcadores, gerando suas próprias ocasiões, evitando perdas de posse, etc.
No caso da República Tcheca, sobreviveram no jogo graças a sua superioridade física, com iminente ameaça em cada uma das bolas paradas, incluindo os arremessos laterais.
A postura e comportamento coletivo da Chequia é outra quando Kang-In Lee entra em jogo pela Coreia do Sul. Imediatamente são agressivos, fecham ângulos de condução e passe na diagonal do canhoto que parte da direita ao centro, realizam perseguições longas quando o jogador do PSG baixa... E, mesmo assim, Lee desequilibra e foi responsável pelas principais ocasiões de gol de um time que foi dominante com a posse de bola. Hwang In-Beom também foi importante girando sob pressão e conectando passes, assim como Kim Min-Jae.
Os tchecos apostam muito em recuperar em altura média para transitar e, principalmente, na sua superioridade física nas bolas paradas. A Coreia claramente se sente desconfortável quando concede escanteios, por exemplo. Afinal, a média de altura da Chequia é 1,87m.
No caso da República Tcheca, Ladislav Krejci é o único defensor capaz de oferecer saídas através do passe, enquanto Coufal explora bastante a última linha ofensiva no lado oposto na direita. Faltaram maiores soluções com a bola, e por vezes se desorganizaram dentro das perseguições sobre Lee Kang-In.
O México trabalha com uma estrutura clara. Fidalgo e Lira na base da jogada com Reyes como lateral baixo na saída a 3 jogadores, formando um posicionamento em 3+2. A questão é que é uma estrutura assimétrica, pois o quadrado pela direita está frequentemente vazio porque Gutiérrez se agrupa no lado forte na esquerda.
Jesús Gallardo dá amplitude pela esquerda enquanto Quiñoñés ocupa o quadrado (claramente relacionado com atacar o intervalo entre zagueiro e lateral). Alvarado espera permanentemente aberto no lado débil na direita, mas foi pouco ativado.
No final, fizeram o gol após uma recuperação em campo rival. Pouco volume de ocasiões em ataque posicional e algumas desatenções defensivas. Falta mais de Raúl Jiménez.
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Marrocos, adversária da Seleção Brasileira na estreia da Copa do Mundo FIFA 2026, é uma equipe muito bem treinada, que têm ideias claras ofensivamente falando, a partir da prática de um jogo posicional definido. Laterais invertidos com extremos que jogam permanentemente abertos, utilização de Saibari como falso 9, busca por trocas de corredor para situações de 1vs1...
Potencial surpresa da competição mais uma vez, mas de uma forma diferente do que foi em 2022.
A relação Brahim Díaz-Achraf Hakimi tem margem para ser uma das principais sociedades do Mundial.
Além disso, contam com vários jogadores talentosos como Ayoube Amaimouni, Bilal El Khannouss, Ayoub Bouaddi, Anass Salah-Eddine, Azzedine Ounahi...
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