Morar na serra é ser moldada pelo essencial: a comida mais próxima da terra, a água viva, o tempo que não se apressa. Minha alimentação, por muitos anos, seguiu esse caminho mais simples e ancestral, sem excessos, sem desvios.
E o corpo responde. Há uma força que não se mostra, mas sustentada: na disposição, no fôlego, na constância. Entre trilhas, cachoeiras e a rotina com crianças, percebo uma vitalidade que nasce desse ritmo mais orgânico, algo que hoje, longe da natureza tende a se perder em silêncio.
Depois de um bom tempo sem escrever no Substack, voltei com este texto — uma reflexão sobre uma dor que muitas mulheres já viveram ou ainda vivem ao enfrentar um mercado de trabalho tão brusco.
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anos 80/90 quase todo homem tinha pêlo no braço. Hoje,quase ninguém mais novo é assim.
A maioria das mulheres jovens hoje tem cintura mais reta-e quase todas têm entradas no cabelo bem visíveis (na testa), tipo calvície.🤔
Claramente tem algo acontecendo, endocrinologicamente
Cuidados com a pele começam na biologia. A beleza é um reflexo de um corpo com energia suficiente para reparar tecidos, manter sua estrutura, combater doenças degenerativas e retardar o envelhecimento precoce.
Quando o metabolismo está elevado, as células se regeneram com mais eficiência. Quando o estresse é constante, os tecidos tendem a se desgastar.
A pele, no fim, apenas revela o estado interno em que o organismo se encontra.
Atualmente trabalho com os curumins como educadora infantil em tempo integral, em uma escola que possui influências das pedagogias Waldorf e Montessori, entre outras abordagens. A escola fica em meio à serra, na Zona da Mata, e essa experiência tem sido profundamente enriquecedora para mim.
Sinto que estou sendo enraizada no verde, no rural, em um ritmo de vida mais contemplativo e essencial. E isso dialoga perfeitamente com a educação infantil, porque educar crianças também nos exige constante reflexão e transformação interior. Porque no fim para educar as crianças a gente também precisa dar o exemplo.
Percebo também que, quanto mais distante das dispersões da vida urbana, mais fácil se torna cultivar o silêncio, a oração, a proximidade com Deus e uma vida mais recolhida. De certa forma, esse ambiente favorece até mesmo uma vivência mais serena do celibato.
O ser humano só começou a adoecer quando deixou de precisar sobreviver, e quando se perdeu a vida sazonal de preparo dos alimentos, o trabalho de conservar a colheita para o inverno, com fermentações, salgas, secagem e outras técnicas tradicionais de preservação.
Precisamos voltar a comer com os sentidos: sentir o aroma, perceber a textura, mastigar com calma, reconhecer o sabor real dos alimentos. Comer não deveria ser apenas matar a fome, mas também experimentar a vida através do paladar, do cheiro e da presença.
Quando vivemos mais próximos da natureza, da terra e dos alimentos verdadeiros, o paladar também se transforma. Frutas orgânicas parecem mais vivas: o aroma é mais presente, a textura mais rica, o sabor mais intenso.
O corpo reaprende a sentir nuances que os produtos muito padronizados acabam apagando. Existe uma diferença sensorial entre o alimento colhido da terra e o alimento apenas produzido para o mercado.