só pra deixar claro que
- sou too woke
- não fecho com machismo
- não fecho com racismo
- não fecho com a direita
- não fecho com o conservadorismo
- não fecho com a homofobia
- não fecho com a transfobia
- não fecho com a intolerância religiosa
sempre q volta o tema aborto na timeline eu fico muito indignada como uma criança metafórica, uma possibilidade de pessoa, uma ideia de algo q poderia ser fica sendo colocada como mais importante do q uma pessoa real, uma pessoa q já existe e tem uma vida vivida
esse argumento de bissexual e assexual não ser lgbt pq na rua ninguém saberia eh tão idiota que dá pra aplicar em: gay masculino, lesbica feminina, trans passavel, etc
Vamo lá galera, mês do orgulho me inspira a falar sobre algumas coisas da nossa comunidade mais profundamente sem termos muito específicos, pois eles honestamente confundem as pessoas não muito letradas e distanciam a gente do foco real da discussão.
Assexualidade é um espectro, ou seja: não é um conceito fechado em si, mas ambíguo e em transição constante, que varia de pessoa para pessoa e sensação para sensação. Vamos partir do ponto de que ao analisarmos pra valer quem é o Cellbit na sociedade já entendemos que é bem maneiro na real que alguém com o alcance dele fale sobre isso e se reconheça enquanto assexual, pois sexualidade não é exclusivamente sobre o exercício sexual, mas sobre identidade, pertencimento, levantamento de bandeira E, acima de tudo: sentimentos e desejos.
Além disso, a ideia de que uma pessoa assexual ou bi em um relacionamento “hétero” não sofre de forma alguma é ridícula, pois descaracteriza a experiência singular da relação dessas pessoas dentro dessa modalidade de relacionamento. Eu por exemplo sou uma pessoa transfeminina demissexual e existem diversas angústias que partem especificamente da minha demissexualidade e se tornam problemas em me relacionar com as pessoas diversas vezes, como: idealização extrema do outro, dependência emocional, necessidade excessiva de criar vínculos profundos com todo mundo que eu admiro o suficiente para pensar em ter relações amorosas/sexuais, dificuldades em manter a intimidade com namorades a menos que a gente esteja muito unidos em carne e em pensamento e também baixíssima capacidade de distinguir a natureza dos vínculos entre amor romântico e amizade fraterna.
A assexualidade não é sobre não gostar de transar pura e simplesmente, mas sim sobre diversas questões como as supracitadas, que interferem significativamente nas nossas relações, geram muito sofrimento interno E dificuldades sociais inúmeras. Ficar toda hora com esse papo de que ele é um hétero cis como qualquer outro e que ele só quer um rótulo para chamar de seu é extremamente pobre intelectualmente e desconsidera a natureza do que é ser LGBT em seu âmago, tendo em vista o quanto uma sexualidade marginalizada não é definida exclusivamente pelo preconceito sofrido, mas tbm pela forma como você experimenta e enxerga o mundo através de um olhar e sensibilidade diferentes do padrão.
Se eu fosse uma pessoa pública eu estaria completamente fudida pq eles conheceriam uma trans demissexual não-monogâmica sexo-positiva e EXPLODIRIAM em pedaços, então quis escrever um pouco sobre isso tudo.