Quero trazer pra vocês um debate que já tive com meus amigos, e nunca falei em público:
Você, você mesmo que tá lendo, com sua idade atual, corpo atual, habilidade no futebol atual, recebe uma proposta da Adidas: Você vai ganhar um contrato de 5 anos com um time da MLS a sua escolha, participar de um reality show gravado, com o objetivo de virar um jogador profissional.
Seu salário vai ser o mais alto da liga, você não pode ser dispensado, e a cada 15 dias sobe um vídeo no YouTube com os bastidores dos seus treinos. Esse reality vai durar por esses cinco anos. Sua vida vai girar em torno disso.
Você está rico, e sua aposentadoria tá garantida. A única preocupação da sua vida é essa jornada, esse desafio.
Os primeiros 18 meses são todos pra te condicionar fisicamente. Os 18 meses seguintes são todos para você só treinar com a equipe. Os dois anos seguintes você entra no elenco e disputa a temporada normalmente, com base no seu desempenho.
Você tem os melhores profissionais a sua disposição. Todo o processo documentado, e toda sua vida gira ao redor disso.
Como você acha que você se sai?
Justifique sua resposta.
(Enquete nas respostas)
Pô, maneiro, o Justin faz o show dele do jeito que ele quiser. Se galera paga caro pra isso é problema deles… Agora, jogar um conceito gigantesco pra um maluco que abriu o YouTube e nem se esforçou pra cantar é osso… kkkk
• Cacau show 300 milhões em um único dia.
• Havan bate recorde de vendas em 2025.
• O modelo Dolphin Mini da BYD vendeu 4.800 veículos em 48 horas, recorde.
Mas o Brasil ia virar uma Argentina em 6 meses de PT e uma Venezuela em 1 ano.
Sem terrorismo político e fake news a extrema direita bolsonarista não se sustenta.
“Na adolescência eu tive meus dias bem sem-noção. Quem nunca? Uma vez, eu tinha acabado de entrar no São Paulo, dei uma dessas. Mas foi um aprendizado. E quando aprendo algo importante eu gosto de marcar. Vou contar pra vocês. Cheguei no São Paulo com a minha chuteirinha falsificada de camelô e os moleques lá todos de Nike, Adidas e tal. Num fim de semana eu vou dormir na casa de um amigo do time e a mãe dele leva a gente no shopping pra comprar uma chuteira nova pra ele. Uma Nike prateada top de linha. Tinha a bronze que o Ronaldinho e o Denílson usavam, e a prata. Ele quis a prata. Seiscentos reais, na época. Eu só olhando, babando. Aí pedi o celular da mãe do meu amigo, fui fora da loja, dei um migué de que tinha ligado pra casa e voltei:
— Beleza, tia. Minha mãe deixou. Ela falou que a senhora pode comprar uma chuteira igual pra mim e quando chegar a fatura do cartão ela paga.
Eu não sei se a minha mãe ficou mais decepcionada com a mentira ou com o fato de eu ter derrapado num momento em que fui colocado à prova. Porque eu sabia que uma chuteira não me faria jogar melhor nem pior. E também sabia que a minha família não podia arcar com uma despesa daquele tamanho. Mas ali eu fui o que a sociedade esperava e espera da gente: “Seja igual, não seja você mesmo. Copie os outros, queira ser quem você não é, porque isso é assim mesmo, não muda”.
Com as redes sociais isso ficou mais evidente. E talvez por isso as pessoas estejam cada vez mais ansiosas e deprimidas. A gente está trabalhando 15 horas por dia em vez de oito. Faz as refeições falando com o chefe no zap, toma banho cronometrado, tem dia certo pra contar historinha pro filho na hora de dormir. A gente é obrigado a acelerar tanto pra se encaixar, pra ser igual, mas tanto, que nem consegue mais olhar a paisagem. É complicado “viver” assim. E mais complicado é ousar querer ser diferente: precisa ter a força e a noção de que você vai apanhar mais do que bater, mas no fim vai sair vencedor com você mesmo, tipo filme de boxe.
A minha mãe precisou fazer muitas horas extras pra pagar aquela chuteira. Tempos depois, olha como é a vida, né?, eu fui patrocinado pela Nike. Peguei com os caras uma chuteira prateada, botei numa moldura e até hoje a minha mãe tem ela pendurada na parede do quarto. Foi a forma que eu encontrei de agradecer: mostrar que eu aprendi a lição e que nunca teria vivido o que eu vivo até hoje se não fossem eles, os meus pais. A chuteira prateada no quadro é uma lembrança e uma forma de honrar a jornada particular da nossa família.” – @DavidLuiz_4.
• 📸: Sam Robles/The Players’ Tribune