Álvaro,
Se o que te incomoda não é a chegada de novos moradores, mas a tipologia dos imóveis que foram lançados (“monstrengos de 44 andares”), por que sua crítica não é direcionada à regra municipal que proíbe edifícios sem recuos laterais e frontais?
E por que sua crítica também não é dirigida aos bairros exclusivamente residenciais, como Jardim Europa e Pacaembu, cujos moradores fazem lobby para restringir a oferta de moradia, o que acaba empurrando a construção de novos prédios em bairros já parcialmente verticalizados, como Vila Madalena e Pinheiros?
A única forma de termos um centro expandido denso sem os tais espigões de 44 andares é permitir prédios mais baixos, com maior taxa de ocupação do terreno, e acabar com a preservação de bairros horizontais no centro expandido.
Esse é justamente o modelo adotado por boa parte das cidades europeias e pela Zona Sul do Rio: prédios mais baixos, com alta taxa de ocupação do solo e distribuídos por todas as áreas centrais. O resultado é uma densidade elevada sem depender de espigões de 44 andares concentrados em poucos bairros.
No caso, Londres tem aquela que é literalmente a mais notória crise de moradia do planeta - dos m2 mais inacessíveis versus a renda média da população. O tema que, como parte do custo de vida, derruba primeiro ministro faz dez anos.
O exemplo NIMBY não poderia ser mais infeliz.