Meu Deus, minha Pátria e minha Família não pertencem à extrema direita. E eu me recuso a entregar a ela o significado dessas palavras. De tanto apropriadas pelo discurso político, certas ideias parecem ter perdido o direito à complexidade. Mas nenhuma corrente política detém o monopólio da fé, do amor ao país ou da defesa da família.
Quando penso em Jesus tenho dificuldade em conciliá-lo com uma sociedade que naturaliza desigualdades, sacraliza a acumulação e transforma dignidade humana em variável econômica. O Cristo esteve entre pobres e marginalizados, repartiu o pão e condenou a avareza. Por isso, sempre me pergunto: estaria Jesus realmente tão confortável com o capitalismo quanto alguns de seus autoproclamados defensores parecem estar?
E a família? Hoje passei o sábado com a minha. Dividimos comida, conversas, risadas e, sobretudo, tempo. Talvez seja justamente isso que exista de mais profundamente familiar: presença. Defender a familia também é defender que mães e pais tenham tempo para seus filhos, que trabalhadores tenham vida para além do trabalho e que ninguém precise escolher permanentemente entre sustentar a própria casa e estar dentro dela. Pátria, para mim, também é isso: um país em que seu povo possa viver, e não apenas sobreviver.
Não me convence quem exalta a família nos palanques, mas se opõe à redução da jornada de trabalho e à escala 5x2, que pode devolver a mães, pais e filhos um dia a mais de convivência por semana.
Antes de votar em quem fala mais alto sobre Deus, Pátria e Família, prefiro olhar para aquilo em que essa pessoa efetivamente vota. No meu vocabulário, Deus não legitima a indiferença, Pátria não exclui e Família não é ornamento de discurso: é gente que precisa de dignidade e de tempo para estar junta. A fé se proclama com palavras; a coerência se revela nas escolhas.
@giordanofigini@EdegarPretto Só o fato de você não ter votado no Edegar corrobora com qualquer um dos dois ganhar a eleicao, Leite ou Onyx. Você colaborou pra isso mais do que qualquer um, meus parabéns.