Um dia, Jhon Kennedy acordará com os gritos de um Maracanã lotado. Assustado, perceberá que acordou de um sonho, daqueles que desejamos que dure para sempre. Os torcedores, como ursos, rugiam seu nome. Agora, com os olhos abertos, Jhon vive um pesadelo. Não é a primeira vez. Essa semana tem sido difícil de dormir.
Borrada na escuridão da madrugada, uma foto decora o quarto. Com as luzes apagadas, é possível enxergar somente sombras. Sombras da foto transformada em quadro, sombras de um auge precoce, sombras daquilo que J. Kennedy já foi.
Sentado na cama, o ex-atacante do Flu mastiga as unhas e trava um diálogo consigo mesmo:
- Tem como voltar? - pergunta com uma falsa esperança.
- Volta a dormir, urso. Já é tarde...
No mundo da música, existe a ‘’maldição dos 27 anos’’, que leva estrelas do rock antes da hora. Jim Morrison e Kurt Cobain são algumas das vítimas. No nosso esporte não existe maldição, mas muitos morrem para o futebol antes da hora. Seus corpos seguem conosco, enquanto a alma ‘’futeboleira’’ jaz bem longe daqui.
Anos depois, eles relembram o que foram e presumem o que poderiam ter sido. Nostalgia. No final das contas, arrependimento é um esporte praticado por velhos.
A juventude relega o arrependimento a um futuro que talvez nunca chegue. E um futuro alimentado por más decisões é como um fantasma, que, sorrateiramente, aparece para nos assombrar. Pretensiosos, achamos que ele apareceu do nada, horripilante, assustador, mas a verdade é que sempre esteve ali - debaixo da cama, escondido no armário, dentro de nós.
Existe um conceito filosófico esboçado pelos estóicos e radicalizado por Nietzsche conhecido como ‘’amor fati’’. Para o alemão, ‘’amor fati’’ é amar o que foi, afirmar o passado sem desejar que fosse diferente. Segundo ele ‘’o arrependimento é uma forma de negar a própria vida.’’
Se JK seguir negligenciando a oportunidade divina que lhe foi concedida, talvez lhe reste apenas se apegar ao “amor fati’’, incorporar o espírito dionisíaco e toda aquele nonsense “nietzscheano.” Porque o tempo vai passar e a cena narrada no início do texto, infelizmente, deixará de ser ficção para se tornar realidade.
ST!
Uma coisa que ninguém tira da gente é que o Fluminense foi o ÚNICO time brasileiro a conquistar a libertadores nos últimos anos NA CAMISA. O clube totalmente sem dinheiro, sem investimento, sem SAF e mesmo assim fomos lá e ganhamos.
Isso ninguém tira da gente!!