Rio supera São Paulo em mobilidade intergeracional. Mas só para homens.
Estive olhando os dados do novo Atlas da Mobilidade Social, do Imds, desenvolvido com base nos dados da pesquisa de Diogo Gerhard C Britto, Alexandre Fonseca, Paolo Pinotti, Lucas Warwar e Breno Sampaio (2024),que mede a probabilidade de uma criança nascida na metade inferior da distribuição de renda superar a posição dos pais quando adulta em pelo menos 10 pontos percentuais. Comparei Rio e São Paulo (capitais) e achei um resultado que pareceu interessante
1. No agregado, Rio tem mais mobilidade social que SP. Mas só por causa da distorção do caso dos homens.
Uma criança pobre tem 41,5% de chance de superar os pais em pelo menos 10 percentis no Rio, contra 37,9% em SP. Parece que seria melhor nascer pobre no Rio vis-à-vis de nascer pobre em São Paulo, né? Só que essa vantagem some quando olhamos os dados por sexo. Homens cariocas têm 62% de chance de ter mobilidade social em relação aos seus pais, já os paulistanos têm 53%, nove pontos de diferença. Entre mulheres, as duas cidades empatam (24,1% vs 23,4%).
Olhando só mulheres brancas, SP é até um pouco melhor que o Rio. Ou seja, o "prêmio carioca" não é da cidade. É dos homens cariocas e isso, muito provavelmente, é causado pela composição setorial do mercado de trabalho fluminense, em particular na indústria do petróleo e no funcionalismo público... setores em que homens pegam o melhor pedaço.
2. As duas capitais estão nos níveis mais baixos do ranking nacional.
Rio fica no 15º percentil dos 5.569 municípios brasileiros nessa métrica. SP, no percentil 11º. Sair do fundo da distribuição é mais difícil em SP e no Rio do que na cidade brasileira mediana. Aqui vale lembrar que a métrica mede posição relativa, não renda absoluta, então é compatível com as duas serem mais ricas em termos absolutos, o que de fato são. Mas o padrão se parece com o que o Raj Chetty e coautores (2014) acharam para os EUA: grandes cidades concentram renda alta e ao mesmo tempo comprimem mobilidade.
3. Importa mais a desigualdade dentro das cidades do que entre as cidades.
Um homem branco pobre no Rio tem 67,8% de chance de superar os pais em 10 percentis. Já uma mulher preta ou parda pobre no Rio, 22,2%. Em SP, 63,4% e 20,5%. Esse efeito 3 por 1 dentro do mesmo município é maior do que qualquer diferença entre cidades, regiões ou mesmo políticas municipais específicas que queiramos analisar. Ele reflete os padrões de desigualdade estruturais do Brasil.
Hey! Apresentarei um dos artigos do meu doutorado nessa sexta! Uso mais de 2000 jornais brasileiros e americanos, bem como técnicas de machine-learning, para comparar normas de gênero entre Brasil e Estados Unidos ao longo de mais de 150 anos. Para quem se interessar <3
É interessante observar a evolução das expectativas do Focus de um tempo para cá. Antes tínhamos uma convergência de expectativas de crescimento em queda junto com a inflação em queda, porém de Março para cá claramente temos um cenário estagflacionário de crescimento ainda baixo e inflação crescente.
É bem importante observar que a variação das expectativas do IPCA vem subindo de maneira mais alta do que a do PIB. No último relatório divulgado ontem (08/06) tivemos uma variação do IPCA de 0,2 enquanto o PIB variou apenas 0,1.
Great to see the new generation of political economy coming out from Brazil —- Elections that inspire: Effects of Black mayors on educational attainm... https://t.co/o7nHNciavi
Maria da Conceição Tavares chamou ninguém mais, ninguém menos do que José Scheinkman de "débil mental" (juntamente com Marcos Lisboa). E chamou o melhor documento de nível acessível escrito sobre o Brasil (Agenda Perdida) de "porcaria".
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A afirmação "DSGEs constituem uma atividade religiosa" parte de uma premissa curiosa: a de que a utilização de abstrações tornaria uma teoria incapaz de compreender a realidade. Mas essa crítica não destrói apenas DSGEs. Ela destrói praticamente toda a ciência moderna.
"É impressionante o quanto produtividade importa. Mas para muita gente, a solução continua sendo trabalhar menos."
Você não sabe o que é produtividade então.
Historicamente, a carga horária brasileira recuou de aproximadamente 46 horas semanais na década de 1980 para 40,1 horas. Podemos ver a evolução recente comparando o Brasil com outros blocos econômicos até 2022 (último ano brasileiro disponível nos dados citados) 👇
O que mais me surpreende nisso tudo é alguém acreditar plenamente que a Classe Média Baixa tinha uma casa de praia em Cabo Frio. Há 20 anos, o sonho alcançável da classe média baixa era ter geladeira e TV a cores. O sonho inalcançável era ter uma máquina de lavar ou um computador
Microdados da RAIS 2025 foram liberados e dei uma olhada nos salários, como de praxe - e acho que talvez dialoga com o tal "mafaldo" que vi por aqui nessa rede.
Entre os mais de 40milhões de trabalhadores formais essa é a distribuição salarial por nível de escolaridade.
Salve pessoal, como forma de estudar e me preparar para um exame no final do ano, resolvi voltar para um projeto que tive e fui continuando aos poucos. A resolução computacional dos exercícios da materia de Introdução a Econometria (+)
https://t.co/kSNz9pEBbH
Muito por causa da facilidade dele, eu diria.
Apesar de o PIB per capita ser uma variável macro simples, costuma ser uma boa proxy para indicadores de bem estar do país
I make fun of retarded left-heterodoxies like MMT, PKists, Sraffians, and the Donut Econ people a lot, but it remains to be said that the Hoppean Austrians are by far the most retarded.
▶️ARREPENDIMENTO: Lula se arrependeu de Galípolo e agora só lhe resta reclamar
Irritado com os juros nas alturas e a inflação fora de controle, Lula culpa o presidente do Banco Central por perder duas janelas de corte da Selic. Bresser Pereira, que apresentou Galípolo a Lula, já o chamou de traidor. O presidente compara o erro ao das indicações ao STF: depois que assumem, não tem mais o que fazer.
🗞️CdM