Levantamento da Palver desmoraliza discurso fascista da Globo News
Levantamento da Palver, agência de monitoramento de redes sociais amplamente conhecida no mercado publicitário, mostra que o debate sobre o caso do Banco Master e as estripulias irresponsáveis de André Mendonça atinge principalmente Flávio Bolsonaro e o STF. Contudo, a Globo News insiste em martelar o inverso, 24 horas por dia: Lula e o PT seriam os mais atingidos. Mentira, mostra a Palver.
Em artigo publicado em 18 de abril, quando surgiu o PowerPoint oportunista tentando ligar o Banco Master a Lula e ao PT, já apontávamos o método do jornalismo praticado hoje pela Globo News: a substituição da verificação dos fatos pela gestão de impactos subjetivos.
Escreve a Palver hoje: “O desgaste recai sobre a família Bolsonaro e sobre o STF como instituição. Lula e o PT aparecem em patamar inferior, e Banco Central, Senado e Câmara registram atribuição residual."
A emissora professa uma epistemologia derivada, de segunda mão, tanto que, em que pese sua imensa (embora decadente) estrutura jornalística, não emplacou nenhum dos furos do caso Master — que foram do The Intercept e do ICL. Uma vergonha e um fracasso investigativo. Esmerou-se, ao revés, num jornalismo que nunca se reporta diretamente ao conhecimento do objeto.
Ao trocar o exame da primariedade dos acontecimentos pelo próprio discurso subjetivo manipulado pela empresa, este jornalismo abdica de sua função mínima de estabelecimento da investigação em solo de realidade. O que resta é um mercado de versões, "fontes" — a maioria inventada —, onde cada grupo político oferta a sua "narrativa" e a mídia se limita a aferir qual das versões gerou mais engajamento, mais indignação ou mais identificação no tal "homem comum".
A verdade deixa de ser uma busca, ainda que imperfeita, para se tornar um derivativo da “popularidade”. Nesse ambiente, a mentira bem contada — ou mal contada, mas repetida à exaustão — adquire o mesmo estatuto do fato verificado. Pior: adquire até mais valor, pois a mentira espetaculosa produz mais impacto, e é o impacto que a mídia decadente aprendeu a medir e a vender.
A circularidade paralisante
O efeito do discurso de seus comentaristas é insuportavelmente plano e repetitivo. Como este discurso é chato e atua sob ordem unida visando fortalecer a extrema direita, a audiência cai pelas tabelas.
A mídia tradicional brasileira, ao abraçar a epistemologia derivada do discurso de segunda mão, está tentando pavimentar, pela segunda vez, o caminho para o seu próprio Donald Trump tropical.
Contra isso, só há um antídoto: a obstinação pela procura do acontecimento real, pela verdade incômoda.
Entre a desonra e a guerra
Encontram-se, enfim, elites econômicas e dirigentes tão sabujas quanto a brasileira — ao menos por enquanto: a elite dinamarquesa. Entregaram a Groenlândia (leia-se as águas e rotas estratégicas do oceano Ártico) a Trump. Um acordo leonino, sem resistência. São épocas e situações diferentes, mas cabe aqui, e até com muito mais propriedade, a crítica arrasadora e famosa de Churchill (político supremacista e grande orador) aos primeiros-ministros da Inglaterra (Chamberlain) e da França (Daladier) no Acordo de Munique em 1938: entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a desonra e a guerra. Fica demonstrada a falência total do Atlantismo como ideologia.
Ora vejam: os vikings foram os primeiros europeus a se instalar no Novo Mundo, por volta de 985; essa exploração, muito anterior à expansão colonial mercantilista do século XVI, atinge — ou não? —, penso eu aqui de longe, o âmago do próprio mito das nacionalidades da Escandinávia. Se não atingir, já não existem ali povos e nacionalidades, mas um aglomerado tribal capitalista tardio. Uma rápida passagem pelos jornais de Copenhague hoje, no calor da árvore dos acontecimentos, expõe mais um clima de acomodação resignada do que de crítica e sentimento nacional. A ver nos próximos desdobramentos.
Mas a toupeira, como lembrava Marx, não deixa de cavar a terra. Sob a crosta da acomodação, a história continua seu trabalho subterrâneo, lento, invisível.