@renato_rovai No Rio de Janeiro, Tijuca: muito vermelho, gente adesivada como há tempos não via. Muitos 70+ e muita fila. Votos neles envergonhados. Camisa do Brasil só uma até agora, adesivos deles, nenhum.
@toninhodocall No Rio, na Tijuca, muito vermelho, adesivos e idosos. Bastante fila, galera animada. Envergonhados os votos neles como nunca vi desde 18.
@leandroiamin Precisamos falar sobre Leandro Iamin mais e mais. Como foi bom acompanhar o pré-Copa com os textos e saborear as lições do Sarriá, melhor programa de longe do torneio. E bom demais ainda ler ternura e gratidão nessa rede. Ah, e livro já devidamente comprado na pré-venda!
"Com dignidade, enterra a semente
No pó da ilha nua.
No despenhadeiro da vida,
A esperança é do tamanho do mar
Que nos abraça."
Obrigado por representar tão bem o futebol africano, Cabo Verde!
Um arquipélago que aos olhos de muitos é diminuto, mas que olha pra dentro de si e sabe que é gigante!
Manteve sua identidade, sua CORAGEM pra jogar futebol e olhou a atual campeã do Mundo como olha qualquer outro: nos olhos!
Ninguém diz a Cabo Verde até onde ela pode ir. Pra quem tem o Mar como fronteira, o horizonte é infinito!
Nu Bai Cabo Verde!
@jornalnota Seja na Globo ou na Cazé está sendo uma grande Copa com profissionais fazendo um belo trabalho que tá dando gosto a quem ama futebol: Amanda Viana (melhor comentarista da Copa), Ju Cabral, Laura Luzzi, Ana Thaís Mattos e outras tantas nos comentários e reportagem estão brilhando.
🇨🇮✍️ A emocionante carta aberta de Yan Diomande à sua irmãzinha, publicada pel The Players’ Tribune:
Querida Roxane,
Lembra quando alguém comprou uma camisa falsa do United para mim, e eu escrevi “Ronaldo 7” nas costas com um canetão preto? A gente não sabia o que era rico ou pobre. A gente só conhecia a felicidade.
Lembra das 25 pessoas dormindo em uma casa só lá em Abidjan? A mãe queria assistir às novelas dela. Todo mundo queria assistir filmes. Lembra como eu sempre fingia que estava dormindo e depois ia para a sala da TV depois da meia-noite? Eu colocava a TV bem baixinha. Tipo, só duas barrinhas de volume. Eu assistia futebol no escuro e sonhava.
Lembra quando os adultos me viram jogando futebol na terra e me deram o apelido de “Roberto Carlos” por causa da força com que eu chutava? E lembra como eu ficava secretamente com tanta raiva disso, porque o CR7 era o meu ídolo?
Lembra quando eu fui jogar tão longe de casa? Eu tinha 9 anos. Inter Foot Sud Comoé, lá perto da fronteira com Gana. Só um garotinho sozinho. Não sei se algum dia te contei essa história, mas eu e as outras crianças costumávamos ir até a vila e roubar batatas porque estávamos com muita fome. A gente fazia um “assalto a banco”. Duas crianças distraíam o dono da loja, e outras 18 saíam correndo com duas batatas. Elas nem eram boas. Mas tinham um gosto incrível. Hahahah. Até hoje é minha coisa favorita para comer. Batatas cozidas com um pouco de óleo. Isso me lembra daqueles tempos.
Lembra quando ganhei minhas primeiras chuteiras de verdade, e eu dormia com elas? Crescendo, eu sempre jogava com aquelas sandálias brancas de plástico. Mesmo quando volto para casa agora, ainda jogo com elas. É a nossa tradição.
Lembra quando eu voltava para casa, e você dizia aos meus amigos do bairro: “Por que vocês pararam de treinar? Yan não vai comprar carros para vocês. Vocês precisam continuar trabalhando.” Você tinha 10 anos, e já era minha agente.
Lembra como a gente sentava e sonhava em se mudar para a França? Como a gente iria fazer compras, ter nosso próprio apartamento, e eu seria um jogador rico, com carros e uma casa grande, e você não precisaria se preocupar com nada. Você era a pessoa que sempre acreditou que eu poderia ser o próximo Cristiano, quando todos os outros riam.
Lembra quando eu me mudei para os Estados Unidos para fazer o ensino médio, aos 15 anos, e senti tanta saudade de casa? Durante meses eu não entendia o que ninguém dizia. Me colocaram sentado ao lado de um garoto francês, e ele tentava traduzir tudo o que a professora falava. Lembra quando eu te liguei dizendo: “Você não vai acreditar, as crianças aqui discutem com os professores.” Lá em casa, você sabe, a gente nem ousaria piscar para os mais velhos.
Lembra quando eu não conseguia acreditar que os meninos fumavam depois da escola? Você costumava dizer que parecia que eu estava em uma série de TV americana.
Lembra quando me levaram para fazer testes no Bournemouth? No Chelsea, Rangers, Olympiacos, Crystal Palace? Eze e Olise chegaram até mim depois de um treino e disseram: “Ei, garoto, você é muito bom.”… mas, mesmo assim, não me contrataram.
Até os times B da MLS não me quiseram. Eu nem sabia o motivo. Eles nunca me deram uma razão. Os adultos cuidavam de tudo. Eles só continuavam me levando pela Europa inteira, e todo mundo continuava dizendo não.
Meu visto acabou. Meu sonho acabou. Eles me mandaram de volta para a África, e nós choramos juntos. Você foi a única que nunca deixou de acreditar. Algumas semanas depois, assinei com o Leganés, e choramos lágrimas diferentes.
Isso foi na época em que eu ainda tinha emoções. Agora, eu não sinto nada. É como se eu nem fosse humano. Desde que você morreu, eu sou só um vazio.
Há uns anos vi a Argentina trocar cinco passes curtos junto à linha, talvez contra a Croácia, talvez contra a Holanda ou até antes, e tive a sensação estranha de reconhecer uma coisa que o futebol moderno se tinha esforçado por nos convencer que já não existia. A bola não avançava ainda. Ficava ali, presa a dois ou três corpos, num pequeno atraso deliberado, como se recusasse a obrigação contemporânea de se tornar logo progressão, métrica, vantagem territorial.
É a Argentina de Menotti, da Scaloneta, de Aimar e Manna, de Messi, do toco y me voy, da pausa, do corta-luz. É a magia do enganche e dos criativos contra o império da força, da velocidade, dos dados e da optimização. O húngaro @Jozsef_Bozsik
chamou-lhe, com razão, “a última equipa de futebol”, numa era em que, como nos profetiza, evocando Mark Fisher, o bom velho @stirling_j , parece ser mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do sistema posicional.
A globalização futebolística operou uma arrepiante desterritorialização do modelo de jogo, desde a academia até ao campo. Neste Mundial isso está evidente. Todos parecem ter aprendido a falar com o mesmo sotaque neutro: a mesma educação da jogada, a mesma saída a três, o mesmo duplo pivô, os mesmos extremos fixos, os mesmos laterais por dentro, as mesmas zonas ocupadas com zelo, os mesmos mapas, os mesmos relatórios. Sentamo-nos à frente da televisão e vemos a mesma gramática limpa e abstracta aplicada a corpos, histórias e culturas diferentes, com a bola a passar por estações previstas e o jogador a cumprir, muito direitinho, a pequena liturgia da posição.
A Argentina promoveu um retorno às suas raízes, a um modo de jogo que começa no potrero, no bairro, na cumplicidade dos jogadores que aprendem a reconhecer-se antes de obedecerem ao desenho. E fê-lo sem fingir que o presente não existe: a análise, o vídeo e a preparação estão lá, mas não chegam para confiscar o instante. O jogador aproxima-se, espera, toca e oferece-se, infere o tempo do outro antes de consentir a ordem do campo. A bola deixa de ser apenas uma circulação temporizada entre espaços para voltar a tornar-se numa conversa entre jogadores.
Há então um nostos rumo a um entendimento histórico e sociocultural da bola, relocalizando as relações afectivas entre os jogadores no seu devido contexto. A equipa não aparece como soma de funções, mas como comunidade de gestos, memórias e cumplicidades. Uma forma de jogar que ainda reconhece o improviso, a pausa, a hesitação, a parede, a diagonal e o encontro como parte essencial do jogo.
O tempo canonizou o atleta impecável; convém aqui distinguir o milagre da ginástica. Há uma santidade de ginásio, vontade e penitência que encanta multidões e vende mais suplementos. Mede-se a fome, vigia-se o sono, educa-se o músculo, corrige-se a alma ao espelho e entra-se em campo com a compostura de quem vai disputar um Mister Olympia contra Ronnie Coleman. Bonito, edificante, exemplar. Uma monotonia com jejum intermitente.
O futebol começa noutro sítio, longe da perfeição: no instante em que a bola descobre um corpo mais disponível ao assombro. O jogador torna-se protagonista e vemos que joga, como nas palavras do grande Eduardo Galeano, “pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”.
E sim, Messi é levado ao colo. Por Deus.
Messi, Djalminha e os gênios da objetividade
Sem dar “caneta para trás”, argentino chegou a 16 gols em Copas (e deve alcançar os 1.000 na carreira). Nem ouse dizer que é “só talento”
✍️Por @castro_luizf
Djalma Feitosa Dias, o popular Djalminha, dono de um dos pés esquerdos mais talentosos do futebol entre os anos 90 e início dos 2000, costuma responder com uma tirada espirituosa quando perguntado sobre a genialidade de Lionel Messi: “chega a ser chato, ele não dá uma caneta ou lençol para trás, é objetivo demais”. A brincadeira já foi dita algumas vezes pelo maestro brasileiro em programas de TV e contada ao próprio Messi, durante encontro no último Mundial de Clubes da Fifa nos EUA, após a vitória de seu Palmeiras sobre o Inter Miami do argentino.
Djalma teve o privilégio de rever o camisa 10 em Kansas City de um ângulo privilegiado: como repórter da Cazé TV, permaneceu atrás do gol onde Messi cravou três gols em um jogo de Copa do Mundo pela primeira vez e alcançou o alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro dos Mundiais, com 16 tentos, na última terça-feira, 17. O terceiro teve ares de eterno replay: como fez algumas centenas de vezes, Messi dominou, ajeitou para a perna canhota tirando do marcador e bateu colocado, com curva e força perfeitas, no cantinho do goleiro da Argélia, Luca Zidane, filho de nosso carrasco francês, que desta vez nada podia fazer.
Nelson Rodrigues (1912-1980), o mais genial de nossos cronistas, era um feroz crítico daqueles a quem chamava de "idiotas de objetividade". Refutava o uso excessivo do termo e rejeitava as leituras do mundo de forma literal, fria. Usou como exemplo o fato de os jornais da época terem noticiado o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954 sem "pingar uma lágrima sobre seu corpo." "A reportagem, sem entranhas, ignorava a pavorosa emoção popular", escreveu Rodrigues em O Homem Fatal.
Djalminha, que é filho de outro craque, Djalma Dias (1939-1990), cuja carreira por clubes e seleção foi amplamente coberta por Nelson Rodrigues, certamente bebeu desta fonte. É apontado como ídolo por nove entre dez meias que o sucederam por sua visão de jogo, habilidade e magia. Dava canetas, lençóis e carretilhas, para trás, para a frente e para o lado, e enxergava tudo um segundo antes dos outros. Sentia prazer em desmoralizar os oponentes. Foi um artista da bola, sem dúvidas, mas nunca teve a objetividade como forte, e justamente por isso (além de questões de comportamento) jamais disputou a competição em que Messi segue fazendo história.
O ex-jogador formado no Flamengo, com passagens marcantes por Guarani, Palmeiras e La Coruña, somou 173 gols na carreira, muitos deles de pênalti, com suas impiedosas cavadinhas. Um número notável para um meia, mas bem abaixo de seus concorrentes Rivaldo (425 gols) ou Alex (391, sempre com dados do site O Gol). Djalminha, portanto, se assemelhou mais a seu pupilo, Ronaldinho Gaúcho, do que a seu mestre, Zico, que em entrevista à PLACAR disse que foi menos habilidoso que craques como Neymar e R10, mas mais objetivo - e, exatamente por isso, a meu ver, mais jogador.
Para delírio de Djalminha, Zico e todos aqueles que admiram o futebol bem jogado, Messi uniu, e segue unindo, aos 38 anos, magia e efetividade. Assisti-lo é um deleite, ainda que Messi não perca tempo com malabarismos desnecessários. Dia desses esbarrei em um vídeo em que um jornalista argentino pergunta a Messi qual dos truques de futebol freestyle o craque não seria capaz de fazer. Deixando a habitual humildade de lado, o recordista de títulos no futebol (46) sorriu: "Nenhum". É evidente, com a perna esquerda que Deus lhe deu, o gênio nascido em Rosário poderia executar qualquer firula (ou lujo, como dizem seus compatriotas). Não o faz porque não quer, nem precisa. A objetividade com a qual marcou 915 gols e distribuiu mais de 400 assistências, sem falar nas outras barbaridades que não terminaram na rede, é das coisas mais belas e empolgantes que o esporte já produziu.
Um pecado que muitos cometem, talvez o próprio Djalminha, é o de crer que o êxito de Messi seja fruto "apenas" de um dom divino. Assim como seu antagonista Cristiano Ronaldo não chegaria onde chegou se não tivesse um raríssimo talento, o argentino tampouco teria tamanha longevidade e eficácia não fosse por muito trabalho e dedicação. Basta ver como Messi tornou-se um exímio batedor de faltas já na segunda metade da carreira. Ou como passou a fazer mais gols como o terceiro diante da Argélia, com uma finalização certeira da entrada da área, numa fase em que as pernas já não o permitem costurar defesas como antes. É dom com repetição. Que sorte a nossa poder seguir assistindo ao maior gênio da objetividade.
O último tango pode esperar, pois é Messi quem conduz
Não é que a Argentina seja montada em torno de Messi: os próprios companheiros de seleção sabem o seu tamanho e reconhecem que o tapete da imortalidade precisa ser estendido.
Texto no @geglobo
https://t.co/0AEhGXmNHq
Todo respeito aos jogadores iranianos que entrarão em campo em alguns minutos. Atletas, esportistas, traídos pela organização da Copa do Mundo da Fifa, que não deu a eles condições equânimes de disputa.
Com o mais profundo pesar, recebemos a notícia do falecimento de Brito, um dos maiores zagueiros da história do Vasco da Gama.
Hércules Brito Ruas tinha 86 anos, era vascaíno de berço e foi revelado em São Januário. Com a Cruz de Malta, disputou 405 jogos e anotou 11 gols, em duas passagens: 1957 e de 1959 até 1969. Conquistou o Torneio de Paris de 57 e o Rio São Paulo de 66.
Suas atuações e seu porte físico o levaram para a Seleção Brasileira, a qual defendeu em duas Copas do Mundo: 1966 e 1970, de onde saiu com o Tri-Mundial.
Obrigado por tudo, ídolo!
Descanse em paz. 🖤
#VascoDaGama
Bateu uma dúvida aqui...
O que será que a galera do "não se mistura futebol e política" tem a dizer sobre jogador interrogado por 7 horas no aeroporto e árbitro barrado de entrar no país-sede da Copa do Mundo?