comediantes de direita não vão falar nada, e se falar, é em tom passivo-agressivo. "você não endossou minhas piadas racistas, então por que eu deveria te apoiar agora?". nunca foi sobre liberdade de expressão; sempre foi sobre interesses políticos e egos frágeis
Educadores não prescrevem regras, mas estimulam a autonomia de pensamento.
Pessoas que pensam por conta próprio tornam o trabalho de educadores inútil. E esse é o nosso sonho utópico. Educadores querem ser inúteis.
Hoje reagi a um vídeo da influenciadora Cintia Chagas, conhecida ensinar o português "correto" de uma forma aristocrática.
As normas padrão de uma língua fazem parte de um projeto linguístico não científico e conservador.
Como tudo é política, o conservadorismo linguístico de Cintia condiz muito bem com sua vida politicamente conservadora: ela é esposa do deputado bolsonarista Lucas Bove (deputado estadual por São Paulo).
Nos anos 90, o Cantor Emílio Santiago fez sucesso com sua interpretação da música "verdade chinesa", que diz:
"Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho que o mundo traçou
Seguindo a cartilha que alguém ensinou
Seguindo a receita da vida normal
Mas o que é vida afinal?
Será que é fazer o que o mestre mandou?"
Tenho a impressão de que os seguidores de Cintia Chagas levam uma vida "o mestre mandou".
Meu sonho é ser inútil, mas a missão é grande.
Bibliografia
Livro "Preconceito Linguístico" de Marcos Bagno
Livro "Introdução à Linguística V. 1" organizado por José Luiz Fiorin (aqui está o artigo de Paulo Chagas).
Livro "Racismo Linguístico" de Gabriel Nascimento.
Ler sobre o conceito "pretuguês" de Lélia Gonzalez.
"As pessoas "inferiores" tendem a romper tabus que as "superiores" são treinadas a respeitar desde a infância", frase de Norbert Elias no livro "Os estabelecidos e os outsiders".
Esta frase faz muito sentido pra mim quando percebo na minha própria história um fenômeno social: nós, de origem pobre, somos mais questionadores, intensos e polêmicos. Se sou polêmico é porque venho de baixo. Se o Funk é polêmico é porque vem de baixo.
Bibliografia:
-Livro "Das maravilhas e prodígios sexuais: a pornografia "bizarra" como entretenimento", de Jorge Leite Jr.
-Livro "Os estabelecidos e os outsiders" de Norbert Elias.
-Texto de Adriana Facina "Proteger as crianças", disponível no Medium.
- Livro "Funk na Batida", de Danilo Cymrot.
-Livro do pai "Tudo que você queria saber sobre Funk… mas tinha medo de perguntar", Thiagson.
Vilões do clima pelo greenwashing💸
O caso Braskem, empresa responsável pela maior tragédia urbana em curso no mundo, em Maceió (AL), jogou luz sobre uma contradição no discurso de gigantes globais da mineração, do agronegócio e da pecuária, que lucram alto com atividades reconhecidas como “vilãs” do clima pela ciência.
Enquanto esses grandes grupos privados se autoproclamam sustentáveis, o caráter essencialmente poluidor e predatório de seus negócios estimula também o desmatamento ilegal e graves violações aos direitos humanos, além de altas doses de contribuição para o aquecimento global.
Com a tragédia em Maceió, a desconexão entre o discurso e a prática da Braskem se tornou tão obscena, que a empresa desistiu de participar da COP28, a Conferência do Clima da Organização das Nações (ONU) deste ano, onde iria palestrar sobre "carbono neutro” e “impactos da mudança do clima".
Além da Braskem, o #BrasildeFato identificou no Pavilhão do Brasil na COP28 outras 5 megacorporações emissoras de carbono que desembarcaram em Dubai, nos Emirados Árabes, com um exército de lobistas e um objetivo: garantir ao mundo que estão resolvendo os problemas nas suas cadeias produtivas.
Além do vídeo, leia a reportagem completa com mais detalhes no site 📲 Link na bio
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