Ficar no escritório até tarde é ok para mim, eu sobrevivo, mas pedirem-me para estar no escritório antes das 9 é o equivalente a pedirem-me para fazer uma comissão de 4 meses na Guiné.
Conhecendo minimamente o ministro Fernando Alexandre não consigo acreditar na interpretação que foi dada às suas palavras por não corresponder nem às suas posições de sempre sobre o tema, nem, principalmente, ao seu caráter.
Não consigo conceber que a sua referência não seja na verdade uma ligação entre a manutenção da qualidade dos serviços públicos e a capacidade reivindicativa de quem os usa. Um ideia, aliás, muitas vezes defendida por pessoas mais à esquerda (na imagem um artigo de Daniel Oliveira). A interpretação alternativa - legítima, porque a ideia foi mesmo mal articulada - seria mesmo demasiado má e fora de caráter, pelo que espero que seja esclarecida em breve.
Vi agora a declaração do Ministro da Educação e a única conclusão que há a retirar da polémica do dia é que os problemas de iliteracia afectam muito mais gente do que pensávamos.
Política em 2025 é muito gira: um ministro de centro direita afirmou publicamente que um pobre tem menos voz para reivindicar condições e a esquerda saiu da toca em peso a pedir a sua demissão.
Que grande momento para se estar vivo.
Hoje assistimos à tentativa de assassinato de caráter mais vil dos últimos anos.
Fazê-lo com um ministro independente, sem militância, que vem do mundo científico e da investigação… só reforça a ideia de que a política não é para os melhores. É para os tolos só.
Pedem a sua demissão, nem uma hora depois do ministro defender uma evidência: que infelizmente a gestão de um serviço é geralmente desleixada e fraca quando é utilizado apenas por pessoas de classes sociais baixas. Ou seja, que por esses grupos sociais terem um reduzido poder reivindicativo, os problemas são ignorados e os serviços deterioram-se. E isso tem que mudar, especialmente através de políticas integradoras.
Montaram um teatro novo mas a lenga-lenga é antiga: a de que “a direita odeias os pobres”. Têm o azar de que as pessoas já não comem essa treta.
Para quem tem medo dos jovens na política, aqui o António Garcia - que ganhou, aos 20 anos, a junta do Vimieiro (Arraiolos) com maioria absoluta - sabe mais do que todos os dinossauros juntos. Aprendam com ele.
A Esquerda portuguesa anda ressabiada de tal forma que até precisam de inventar escândalos. Fazem as pessoas de parvas.
Hoje foi o “a Direita quer acabar com o direito de uma grávida, que perdeu o filho, a faltar ao trabalho para fazer o luto”.
Quando aquilo que o governo fez foi revogar o mecanismo e acumular essa responsabilidade a outro já existente: a licença por interrupção da gravidez.
O Direito continua protegido. A diferença é que agora é menos uma teia burocrática.
Para além disso, a trabalhadora passa a ter o direito a uma licença de 14 a 30 dias, ao invés dos atuais 3 dias. O outro progenitor passa a poder gozar de 15 dias, ao invés dos atuais 3.
Há críticas legitimas a este governo, mas deixem de fazer as pessoas de parvas.
unpopular opinion: em condições ideais, as aulas de saúde sexual e reprodutiva deviam passar a ser da responsabilidade da Saúde Escolar de cada unidade de Saúde Pública e leccionadas exclusivamente por profissionais de saúde.
Nos últimos anos, entre os jovens:
1. Diminuiu a utilização de contraceptivos de barreira.
2. Aumentaram as IST (nomeada/ gonorreia e sífilis).
3. A violência no namoro cresceu.
4. Assistimos a um risco real de regressão dos direitos das mulheres.
A cidadania foi um sucesso🙄
Imaginem a Le Pen a berrar com ódio, bem alto, no Parlamento francês, os nomes dos vossos primos da França.
Sim, o Pedro. O André. O Raul. O Zé. A Maria. A Matilde. Pessoas como nós.
Filhos de emigrantes. Netos de trabalhadores.