Bella: Você passa a impressão de ser uma pessoa muito reflexiva. Você costuma citar influências literárias, como George Orwell, Haruki Murakami e até Carl Jung. Qual foi o primeiro livro que realmente mudou a sua vida?
RM: Acho que... (suspiro). Bem, preciso dizer que, quando era mais novo, eu lia muito mais. As redes sociais estão me fazendo perder o hábito da leitura. (risos). Está cada vez mais difícil assistir a filmes e ler livros, porque às vezes tudo parece entediante.
Posso colocar um filme na Netflix e pausar a qualquer momento. Por isso, hoje em dia, ir ao cinema e deixar o celular no modo avião parece um luxo. Permitir-se seguir a visão e a arte de um único diretor se tornou uma experiência cada vez mais rara.
Acho que o primeiro livro que me causou uma espécie de "síndrome de Stendhal" foi Demian, de Hermann Hesse.
Bella: Ah, sim.
RM: Sim. Foi ali que descobri a essência e a realidade da minha... como posso dizer... da minha inveja.
Bella: Que interessante.
RM: Porque Demian é retratado como uma pessoa ideal, um ser quase elevado. E as frases do início do livro eram extremamente marcantes — a metáfora do pássaro e do ovo, e a ideia de Abraxas. Acho que reli esse livro cinco ou seis vezes na adolescência.
Bella: Sério? Meu Deus.
RM: Acho que preciso lê-lo novamente. Naquela época, ele parecia representar exatamente a vida escolar. Todos aqueles sentimentos ruins, a inveja dos colegas — dos que eram altos, bonitos, inteligentes, bons nos esportes e sempre faziam sucesso com as garotas... (risos). Mesmo adolescente, eu conseguia enxergar minha própria vida refletida naquele livro.
Bella: Sim, eu me lembro dessa sensação. É um ótimo livro, especialmente porque a inveja pode ser um sentimento muito destrutivo e sufocante. Lembro que meu terapeuta me disse, quando conversávamos sobre como é difícil competir com alguém, que era possível enxergar isso como um jogo.
Ler algo assim tão jovem é muito filosófico. E, na verdade, sentir inveja não é necessariamente algo ruim. Faz parte do caminho para entender aquilo que você é capaz de enfrentar. É um livro extraordinário. Como você o encontrou?
RM: Era considerado um clássico e era muito recomendado pelos meus pais e professores. (risos). Todos os fins de semana meus pais me levavam à biblioteca da cidade. Acho que essa é uma das melhores coisas que os pais podem fazer pelos filhos: dar a eles a oportunidade de entrar em contato com grandes ideias e com todo esse conhecimento que as gerações anteriores nos deixaram.
pqp odiei q agr separaram os tuítes e os retuítes eles não sabem q a minha detalhada curadoria é pensada pra oferecer um mix sensorial de conteúdo autoral e externo ao caro leitor que me acessa nesta funesta rede