"o que a tecnologia faz é desengajar os sujeitos de suas escolhas, sejam elas boas ou más"
- O uso da tecnologia é escolha humana
- O limite aceitável de margem de erro da tecnologia é escolha humana
- A função específica que a tecnologia cumpre foi escolhida por humanos
- A escolha da função foi baseada em regras do esporte que os humanos escolheram
- O balanço de prós e contras do uso da tecnologia (comparado à ausência do uso da tecnologia) foi julgado por humanos, que testaram a tecnologia por meses em jogos de verdade
O que aconteceu nesse jogo não foi "o ser humano delegando seus julgamentos e decisões à tecnologia". Foi o ser humano usufruindo de uma tecnologia que ele mesmo criou para resolver um problema específico: as injustiças que acontecem no futebol devido a limitação do ser humano em garantir que todas as regras sejam consistentemente aplicadas!
Se existem bons argumentos para a tese de que "o que a tecnologia faz é desengajar os sujeitos de suas escolhas", o tweet abaixo não apresenta um deles.
Sempre que tem Copa do Mundo esse debate infelizmente volta, então é importante avisar:
A seleção da França é composta majoritariamente por jogadores que nasceram na FRANÇA. Ou seja, FRANCESES.
Apenas quatro jogadores nasceram fora do país;
- Mike Maignan 🇬🇫
- Marcus Thuram 🇮🇹
- Michael Olise 🏴
- Brice Samba 🇨🇩
Todos os outros 22 jogadores nasceram na França.
OPINIÃO! 🚨 Uma das premissas básicas de Michel Foucault em "Vigiar e Punir" é fazer a gente entender que A TECNOLOGIA NÃO É NEUTRA.
Ela busca a neutralidade, mas a neutralidade é sempre impossível. Pelo contrário, o que a tecnologia faz é desengajar os sujeitos de suas escolhas, sejam elas boas ou más.
No fundo, com o acúmulo da tecnologia, Foucault concluía que ela cumpriu sua missão de fabricar “indivíduos úteis e dóceis” para produzir e não questionar.
E o que isso tem a ver com o jogo de ontem? ABSOLUTAMENTE TUDO!!!!!
É a primeira vez que temos um lance, em um momento capital do jogo, em que NINGUÉM viu um desvio da bola. Ninguém, ninguém. Porque talvez tem tenha mesmo.
Nem o juiz, nem o bandeira, nem o quarto árbitro. Nem os jogadores estavam muito certos. Nem ninguém na cabine do VAR olhando as câmeras. NEM MESMO AS CÂMERAS.
Porém, existia uma mini-tecnologia de um chip na bola que mede um abalo sísmico da passagem da bola pelo jogador.
E pra essa tecnologia desse chip em específico isso se configura toque e, por conseguinte, pra toda a humanidade, a gente conclui que isso é toque também.
Você entende que o assunto agora é: temos que discutir o conceito de toque na bola e desvio na bola porque eles não são neutros?
Porque tocar na bola pra gente e pra um chip têm dimensões completamente diferentes? Porque pra um chip e pro ser humano o TOQUE não é uma coisa que se mede por abalo sísmico a nível microscópico?
Só que, no fim das contas, esse toque elimina a Croácia de uma Copa do Mundo. E eles aceitam. E saem de campo. Fair play bonito. E estão certos, claro. Veja bem, não quero revolta.
Mas será uma boa mesmo entregar nas mãos desse tipo minucioso de tecnologia as escolhas do futebol?
Será que o VAR precisa ser tão específico? Tão fundo? Tão microscópico? Será que um ou outro erro de juiz não fazem parte do papo de boteco do dia seguinte?
Ou nossa vida futebolística daqui para frente vai ser assim? Um scanner de eletrocardiograma?
Ouvindo o podcast dos ingleses soube que a Inglaterra vai para Cidade do México 3 dias antes da partida contra os anfitriões.
Quem entende algo sobre jogos na altitude já percebeu o que eu quero dizer.
Endrick foi perguntado sobre como ele dormiria na noite anterior ao jogo contra a Noruega, ele respondeu assim:
“Vou dormir como um bebê, vou ficar muito tranquilo. Antes de dormir o mais importante que eu faço é a minha oração, que é conversar com Deus e ficar tranquilo que as coisas vão acontecer tudo no momento certo” 🇧🇷
"hoje eu vejo um filme"
"hoje eu jogo tal jogo"
"hoje eu continuo aquele livro"
"agora sim eu termino aquela série"
eu às 17:00 na cama depois do 104º Reel do Instagram