O apagamento de Garrincha
Ele aplicou mais dribles numa única Copa do que qualquer outro jogador na história do torneio. Mais do que Maradona. Mais do que Pelé. Mais do que todo mundo. Tanto quanto as duas lendas citadas, ele carregou um time nas costas ao liderá-lo rumo a um título mundial. Então por que o nome dele some quando a conversa vira "os maiores de todos os tempos"?
Tem uma foto que todo mundo já viu, mesmo quem nunca parou pra olhar: as pernas tortas. A direita torcida pra dentro, a esquerda pra fora, uma mais curta que a outra. Os médicos disseram que o menino de nascido no distrito de Pau Grande teria sorte se andasse direito. Ele cresceu pra fazer o planeta inteiro correr atrás dele.
Manuel Francisco dos Santos. O Mané. O Garrincha. O Anjo das Pernas Tortas, a Alegria do Povo. Foram tantos apelidos porque uma palavra só não dava conta. E mesmo com todos eles, hoje, quando o mundo se senta pra eleger os deuses do futebol, o nome dele costuma ficar de fora da lista. Pelé entra. Maradona entra. Messi e Cristiano brigam pela vaga. Garrincha fica na arquibancada da memória, aplaudindo de longe.
Isso me incomoda. E não é por bairrismo.
Por muito tempo, a grandeza de Garrincha era uma daquelas coisas que você precisava ter visto pra acreditar. Quem viu jura. Quem não viu desconfia. O problema é que o futebol moderno não acredita em juramento. Acredita em planilha.
Então vamos a ela. Num levantamento de dribles por Copa do Mundo, Garrincha aparece sozinho no topo: 62 dribles na Copa de 1962. Maradona, na lendária campanha de 1986, fez 53. Jairzinho, em 1970, 43.
E o número absoluto é só metade da história. Quando você ajusta por tempo em campo, a distância vira abismo: Garrincha driblava 11 vezes a cada 90 minutos. Maradona, pouco mais de 7. É outro patamar quando o assunto é uma das artes desse esporte: o drible.
Aqui mora a pergunta que me trouxe a escrever. Se os números batem, se quem viu confirma, se ele tem duas Copas vencidas no currículo, 1958 e 1962, e foi o melhor jogador em campo no Mundial de 62 no julgamento de praticamente todo mundo que assistiu, por que Garrincha virou nota de rodapé na história global do futebol?
Tenho algumas suspeitas. Nenhuma delas, sozinha, explica tudo.
A primeira é a mais óbvia e a mais incômoda: Garrincha não soube, ou não quis, se vender. Pelé saiu de campo e virou empresa, embaixador, marca registrada do próprio mito. Cuidou da própria lenda. Garrincha saiu de campo e foi pra Pau Grande tomar uma cachaça com os amigos. Jogava pela alegria de jogar, não pelo que aquilo renderia depois. Num mundo em que o legado virou produto, quem não administra a própria imagem acaba administrado pelo esquecimento.
A segunda é o roteiro. O capitalismo adora uma história de vitória, e tolera o gênio atormentado desde que ele morra jovem e bonito, virando pôster de parede. Garrincha não deu esse luxo a ninguém. O fim dele foi lento, triste e pouco fotogênico: o alcoolismo, as dívidas, os amores conturbados, a decadência longe dos holofotes. Morreu em 1983, aos 49 anos, praticamente esquecido, com o corpo destruído pela bebida. É uma história difícil de estampar numa camiseta. Difícil de vender. Então não se vende.
A terceira é o que sobrou pra ser visto. A Copa de 1962 pouco foi registrada em imagem. O que existe é tênue, granulado, espalhado em pedaços esparsos. Já o México de 86, o Mundial do Maradona, roda em loop até hoje, com belas imagens, com a narração épica que o mundo inteiro decorou. A mídia reprisa o que tem guardado na gaveta. E da gaveta de Garrincha sobrou quase nada pra reprisar.
E tem uma quarta razão, talvez a mais funda. Garrincha era o craque do povo no sentido mais literal e mais incômodo da palavra. Pobre, mestiço, saído de uma vila operária no fim do mapa. Amado pela multidão, nunca convertido no ícone limpo e exportável que cabe num comercial de banco. A genialidade dele não era a do atleta disciplinado que serve de exemplo. Era a da molecagem, do drible que humilhava, da gargalhada na cara do adversário. Lindo de ver. Complicado de transformar em garoto-propaganda.
No fundo, o apagamento de Garrincha diz menos sobre ele e mais sobre o que a gente decidiu valorizar. Durante décadas, o debate sobre os maiores girou em cima de troféu, gol e Bola de Ouro. O drible, que era a religião de Garrincha, não entrava na conta. Não se media. Não dava manchete.
A ironia é deliciosa: agora que finalmente se mede, ele aparece na frente de todo mundo. Tarde demais pra mudar a narrativa. Cedo demais pra desistir de contar a história direito.
E vale lembrar uma coisa, pra não cair na lenda fácil: dentro do Brasil, Garrincha nunca foi totalmente esquecido. Tem o estádio em Brasília com o nome dele. Tem o poema do Vinícius (Vem-lhe o pressentimento; ele se lança / Mais rápido que o próprio pensamento / Dribla mais um, mais dois; a bola trança / Feliz, entre seus pés - um pé de vento!). Tem o apelido que virou definição. O apagamento é mais sutil e mais moderno do que isso. É o sumiço do nome dele das listas internacionais, dos rankings e das conversas nas mesas redondas televisivas e dos streamings.
Garrincha não precisa de pedestal. Nunca quis um. Mas merece, no mínimo, voltar pra conversa. Não como curiosidade folclórica das pernas tortas, e sim como o detentor dos números que agora gritam: um dos maiores que esse jogo já viu. O maior driblador de todos.
O homem que diziam que mal ia andar. E que terminou ensinando o mundo inteiro a cair.
“I like the Replacements, I like their stance. They’re question marks. I saw them at the Variety Arts Center downtown; I liked their show. I particularly liked the insect ritual going on at the foot of the stage. There was this guy trying to climb up, and they kept throwing him back, like a carp. No, you can't get in the boat! It was like something out of Mondo Cane, hahaha. And it was really great to watch. And I liked the fact that one of the kids, Tommy?, had dropped out of high school. Being on the road with this band, the idea of all his schoolmates stuck there with the fucking history of Minnesota, and he's on a bus somewhere sipping out of a brandy bottle, going down the road of life.”
-Tom Waits
By every metric, OK Computer was a humongous success for Radiohead. So everything was in its right place for them to become the biggest band on the planet. Huge critical acclaim, emotionally resonant songs, arena-sized dynamics, unique frontman, mystique, ambition. They could have refined the OK Computer sound into something even more polished and universal and become absolutely enormous in a very conventional sense.
Essentially, they could have become the next U2. And there’s absolutely nothing wrong with that. U2 are a brilliant band with many fantastic songs and a handful of genuinely great albums. At the end of the day, somebody has to be the biggest band in the world. U2 wanted it, pursued it, and achieved it. And hats off to them.
What quickly became clear with Radiohead was that they didn’t want that at all. And when it became a real possibility, they immediately set out to sabotage it.
That’s what made Kid A such a remarkable record. It wasn’t just a “weird follow-up.” Instead, here is a band refusing the natural laws of rock stardom. Just as total acceptance was within touching distance, they disappeared further into themselves. There are no obvious singles here, no big accessible anthems. Yorke’s lyrics become even more fragmented, the vocals often buried in the mix. Aphex Twin, jazz, ambient music, krautrock, all of it gets pulled into the sound. Jittery, awkward textures that unsettle rather than invite.
Another hit album? You wouldn’t have thought so.
Yet somehow, Radiohead carried the audience with them. Normally, a move like this either destroys a band commercially or shrinks them into cult status. Instead, Kid A went to number one on both sides of the Atlantic. In hindsight, the alienation, technological anxiety, and abstraction of OK Computer almost feel like a prelude to this record’s deeper plunge into emotional and musical dislocation. The audience wanted to go further and further all along. On Radiohead’s terms.
And that only strengthened the myth of Radiohead, because they are one of those mythical bands. The refusal of the obvious move became part of their identity. They genuinely seemed guided by artistic instinct rather than career logic. In doing so, Radiohead joined that small group of artists capable of pushing boundaries and challenging the listener without losing a mass audience.
That’s extraordinarily rare.
1. É trágico q se esqueça o tamanho de Didi. O brasileiro cultiva mal a história da seleção. Não falo nem de torcedores comuns, q esses são desmemoriados mesmo, quando não ignorantes confessos [e não há nada de errado nisso]. Mas da própria mídia esportiva, cuja função deveria
me recordo muito de uma série de livros que ganhei aos 13 anos, era um pré-RPG que colocava o adolescente como responsável pelo CURSO DA HISTÓRIA: se respondesse A, ia para a página X; se B, página Y. tinha uma interatividade das perguntas sobre a história. (+)
ENCICLOPÉDIA DO FUTEBOL ⚽️📚
É dia de exaltar a história do maior lateral-esquerdo de todos os tempos! Do jogador que mais vezes defendeu a camisa do BOTAFOGO e que, além dela, só jogou pela Seleção Brasileira, onde foi bicampeão mundial. ⭐️🇧🇷
Dia de reverenciar Nilton Santos! Símbolo máximo de amor ao Glorioso! Obrigado por tudo, ídolo! Para sempre em nossos corações! 🖤🤍 #DiaDoBotafogo #BFR
A miracle act of pure ecstatic grief, Bob Dylan’s “Mississippi” reimagines the itinerant thousand mile stare of "Tangled Up In Blue" as a spiritual cleansing by ordeal. In the end, you're not on the road for love or money or fame. You're on the road because nowhere is your home.
Cartaz do baile de Carnaval de General Severiano no ano de 1943.
Desenhado por Francisco G. Romano, famoso cartunista da época, ativamente envolvido com a vida do Botafogo entre as décadas de 20 e 40. Desenhou algumas capas do Boletim Oficial (nossa primeira revista).
The whole Super Mario Bros game fits in 40 kilobytes. The selfie on your phone is bigger than that. Nintendo had so little memory to work with that five of the levels you played as a kid are exact copies of earlier ones.
World 5-3 is World 1-3 with a few Bullet Bills flying in from off-screen. World 5-4 is World 2-4 with every fire bar turned on at once. Worlds 6-4, 7-2, and 7-3 also reuse old level data. Same map, different paint job.
In 1985, Miyamoto’s team had 32 kilobytes for the game’s code and 8 for the graphics. About one phone photo’s worth of space, total, to hold the entire game including physics, music, art, and 32 levels. So they wrote each level as a recipe. “Place a pipe here. Stack twelve bricks here. Drop a Goomba at this spot.” The game cooked the level live as Mario walked through it. When the cartridge ran low on space, the team pointed to an old recipe and dropped new enemies on top.
The two screenshots in the source tweet look like cousins for the same reason. Miyamoto built every Mario level from the same tiny pile of building blocks. Start with the brick staircase that ends most stages, the pyramid stack of question blocks, the pipes that always rise from a shared baseline, and the rule that Mario can only jump four blocks high. That last one sets every platform’s height across all 32 levels. Move those pieces around and the player feels like they are somewhere new, even though they have seen the parts a hundred times.
That is what makes 8-1 and 8-3 feel like the same world wearing different clothes. The 8-1 staircase is a solid wall of bricks. The 8-3 version is the same staircase shape, but built out of floating coin blocks with empty sky between them. Same outline. Completely different game.
This was Nintendo trying to save space. It accidentally became one of the most copied design tricks in video game history. Forty years and 40 million copies later, the game still teaches designers a single lesson. Build a small box of pieces well, and the player will think the box is endless.