A primeira coisa que a Inglaterra tem que aprender é que o futebol não tem casa.
Ele é andarilho, gosta de andar pelo mundo e tem especial afeição pela América do Sul.
O Paraguai continua sendo o único time que impôs reais dificuldades para a França.
Se não fosse aquele pênalti ajeitadinho, a França estaria jogando até agora e não teria feito um gol.
O que os parnasianos chamaram de "antijogo", na verdade, é futebol extremamente competitivo.
Ganhar ou perder é do jogo, mas hierarquia é inegociável. Passar na frente da TV e saber, independentemente do placar, quem é o time grande e quem é o azarão.
Se o ciclo de Ancelotti foi curto, era fundamental não sair muito do eixo principal. Até porque este eixo funcionou bem na própria Copa do Mundo. Este eixo teve plenas chances de abrir o placar com a Noruega.
Mas a Seleção que perdeu o jogo tinha Neymar, Endrick (na direita), Danilo Santos e Ederson. Uma formação que só existiu nos 20 minutos da eliminação. Uma improvisação conceitual na hora mais decisiva da Copa.
O Brasil que levou os dois gols da Noruega era um Brasil estranho, desconfigurado, nunca testado e talvez nunca treinado.
Na reta final de uma decisão é um absurdo tamanha descaracterização.
Não havia qualquer razão para tirar Martinelli, Cunha, Rayan e Bruno Guimarães. Nenhum saiu machucado. Não havia nenhum motivo para achar que Neymar seria solução para alguma coisa.
Até poderia ser uma carta de desespero depois do 1x0. Mas no 0x0 jamais. Havia um longo jogo para ser jogado ainda.
Ancelotti mudou tudo como se estivesse em um amistoso. Desequilibrou a balança de um jogo que estava levemente favorável para o Brasil, mesmo sem o controle da bola.
Entenda, futebol de seleções tem uma mística que é só dele. Um goleiro que estava na segunda divisão de Portugal e hoje está sem clube consegue botar medo na campeã do mundo liderada por um dos maiores atletas da história. Que pilha, esse jogo já nasceu eterno
Existe uma doença intelectual que se espalhou pelo futebol.
Ela afeta principalmente os adolescentes sub-40.
Você conhece o tipo.
O sujeito assiste alguns vídeos, abre uma planilha de estatísticas e conclui que descobriu o esporte.
Aí vem a frase inevitável:
"Pelé jogava contra pedreiros."
Claro.
Porque antes da internet a humanidade vivia na pré-história.
Não existia talento.
Não existia tática.
Não existia preparação física.
Não existia futebol.
O esporte aparentemente foi inventado quando essa turma ganhou acesso ao Wi-Fi.
É uma combinação impressionante de ignorância com autoconfiança.
Os caras não estudam a época.
Não conhecem o contexto.
Não entendem as condições em que o esporte era praticado.
Mas têm certeza absoluta de tudo.
Comparar atletas de épocas diferentes ignorando contexto não é análise.
É anacronismo.
Pelé jogava em campos muito piores.
Com medicina esportiva rudimentar.
Sem GPS.
Sem análise de desempenho.
Sem equipes multidisciplinares.
Sem toda a tecnologia que hoje cerca o atleta profissional.
O futebol que Pelé praticava era muito mais próximo de uma atividade artesanal do que da indústria bilionária e altamente científica que existe hoje.
E mesmo assim, mais de meio século depois, continuam tentando derrubá-lo do topo.
O que é curioso.
Porque existe uma pergunta que ninguém consegue responder.
Se Pelé era tão superestimado assim, por que continua sendo a referência?
Toda geração produz um novo fenômeno.
E toda geração faz a mesma pergunta:
"Chegou ao nível de Pelé?"
Décadas passaram.
O esporte evoluiu.
A tecnologia avançou.
Mas a régua continua a mesma.
No fundo, o comportamento é revelador.
Todas as grandes atrocidades da humanidade passam pelas mãos da Alemanha: é goleada no Brasil, nos coitados do Curaçao, salsicha no café da manhã e o estado de Santa Catarina
Por meia hora, Marrocos despiu a Seleção. O Brasil se viu nu, sem filtros para embelezá-lo, sem a capa que costuma esconder suas vergonhas – esta roupa sintética fabricada com platitudes como tradição, mística, história.
Minha análise sobre a estreia:
https://t.co/8KnXQ0ij4h
HUMOR | Na véspera da estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026, que enfrenta Marrocos na noite deste sábado (13), talvez tenha chegado a hora de traçar uma análise dos jogadores convocados para representar a seleção brasileira. Com vocês, Deborista.
🎦 @deborista