A literacia emergente acontece desde cedo, quando a criança percebe que a fala, os livros, as letras e a escrita têm significado.
A pré-alfabetização é o trabalho intencional que ajuda a fortalecer essas aprendizagens antes do ensino formal da leitura e da escrita.
Uma descreve o que a criança está construindo. A outra organiza o que podemos fazer para ajudá-la a avançar.
Hoje, às 19h, vou falar sobre essas diferenças e sobre o que observar e estimular na Educação Infantil, no minicurso do Edube. Venha participar.
O amor dos avós também deixa marcas no desenvolvimento.
Avós não oferecem apenas cuidado. Eles compartilham histórias, conhecimentos, valores, afeto e um importante sentimento de pertencimento.
As pesquisas indicam que o apoio recebido dos avós durante a infância está associado a um maior bem-estar emocional no início da vida adulta. Isso nos lembra que as relações construídas na infância podem continuar fazendo diferença muitos anos depois.
Neste Dia dos Avós, celebramos aqueles que ajudam a ligar gerações, preservar memórias e construir vínculos que atravessam o tempo.
Feliz Dia dos Avós! 💙
Dica rápida #2: quer ajudar seu filho a desenvolver a linguagem?
Faça perguntas que não possam ser respondidas apenas com “sim” ou “não”.
Em vez de perguntar:
“Você gostou da história?”
Pergunte:
“Qual parte você mais gostou?”
“Por que o personagem fez isso?”
“O que você faria no lugar dele?”
“Como você acha que a história vai terminar?”
Depois, escute com atenção e continue a conversa.
A criança aprende novas palavras, organiza melhor suas ideias e desenvolve a compreensão quando tem oportunidades reais de falar.
Não transforme a conversa em interrogatório.
Pergunte, escute, comente e compartilhe também as suas ideias.
Uma boa conversa também prepara a criança para aprender a ler.
Nem todo progresso faz barulho.
Há dias em que avançar significa produzir, criar e realizar. Em outros, significa apenas continuar, reorganizar as ideias e respeitar os próprios limites.
A vida não exige que estejamos no nosso máximo o tempo todo. Às vezes, amadurecer também é reconhecer que descansar, recuar um pouco e recomeçar com mais clareza faz parte do caminho.
Nem todo dia precisa ser extraordinário para ter valor.
Muita gente ainda acredita em estilos de aprendizagem, embora as evidências continuem mostrando que não há benefício em adaptar o ensino a supostos perfis individuais.
Uma criança pode preferir vídeos, explicações orais ou atividades práticas. Isso não significa que aprenderá melhor quando todo o ensino segue essa preferência.
A aprendizagem depende da tarefa, dos conhecimentos prévios e das estratégias utilizadas. A pergunta mais importante não é: “Qual é o estilo deste aluno?” Mas:
“De quais estratégias ele precisa para aprender?”
🧠 Hoje, no Dia Mundial do Cérebro, vale lembrar: toda criança tem um cérebro capaz de aprender.
Mas nenhum cérebro aprende sozinho.
Ele precisa de cuidado, segurança, boas experiências, oportunidades e ensino de qualidade.
Conhecer como o cérebro aprende não é apenas curiosidade.
É responsabilidade de quem ensina.
As neurociências não oferecem fórmulas mágicas, mas ajudam a compreender quais práticas favorecem a aprendizagem e quais podem ampliar dificuldades e desigualdades.
Cuidar do cérebro é garantir sono, alimentação, movimento, afeto, brincadeira, saúde mental e educação baseada em evidências.
Cuidar do cérebro também é cuidar do direito de aprender.
Às vezes, o maior obstáculo para a aprendizagem não está na criança.
Está na expectativa de quem ensina.
Quando acreditamos que alguns alunos não conseguirão aprender, ainda que sem perceber, reduzimos as oportunidades, simplificamos os desafios, oferecemos menos apoio e acabamos ensinando menos.
As expectativas dos adultos influenciam as experiências que criamos para cada criança.
Toda criança pode aprender, ainda que não aprenda da mesma forma, no mesmo ritmo ou com os mesmos apoios.
Mas isso exige que os adultos realmente acreditem nessa possibilidade, e ensinem como se acreditassem.
O Edube se tornou uma comunidade de professores, pesquisadores, gestores, parceiros e instituições unidos pelo compromisso de aproximar a ciência da sala de aula e garantir melhores oportunidades para todas as crianças.
Hoje, comemoro 6 anos de Edube com muita gratidão no coração a todos que acreditaram, contribuíram e caminharam conosco.
Celebrar seis anos do Edube é lembrar de onde viemos, reconhecer tudo o que já conquistamos e renovar a certeza de que ainda há muito a fazer.
Obrigado a todos que fazem parte dessa nossa construção. Viva o Edube! 💙❤️
Em 2020, no início da pandemia, eu também tinha minhas inseguranças. Enfrentava as mesmas dificuldades, as mesmas incertezas e não sabia exatamente aonde chegaríamos.
Mas eu sabia que, embora estivéssemos na mesma tempestade, não estávamos todos no mesmo barco. Naquele momento, precisávamos fazer tudo o que estivesse ao nosso alcance para ajudar quem mais precisava.
Foi com essa convicção que nasceu o Edube. Eu acreditava, e continuo acreditando, que as evidências podem nos ajudar a tomar decisões melhores, ensinar melhor e transformar a educação com mais responsabilidade e equidade.
Essa missão já fazia parte da minha trajetória, mas, há seis anos, ganhou um novo espaço, um nome e uma comunidade. Desde então, tenho me dedicado incansavelmente a transformar esse propósito em ações concretas.
Dica rápida de sábado: quer ajudar seu filho a aprender a ler de verdade?
Não precisa virar professor. Não precisa comprar material caro e questionável na internet.
Precisa ser o exemplo de leitor.
Leia na frente dele. Livro, gibi, revista, jornal, bula de remédio, carta, bilhete, receita. Tudo conta.
Mostre placas na rua, leia anúncios em voz alta, converse sobre o que está escrito ao redor.
E enriqueça o vocabulário na conversa. Se a criança fala pouco ou simplifica demais, expanda:
"Sim, muito bem, esse auau é um cachorro, é um dalmata, muito bonito, tem manchas brancas e pretas."
Isso vale mais do que qualquer método milagroso.
Bom sábado e boa leitura.
Os resultados acompanham as expectativas.
Quando acreditamos que uma criança pode pouco, ensinamos pouco. Quando acreditamos que ela pode muito, vamos além.
Quando analiso os currículos e as práticas de países com bons resultados educacionais, vejo uma confiança clara no potencial de cada criança. No Brasil, ainda prevalecem discursos como: “Ainda é cedo”, “Não conseguem”, “Não estão prontas, “Um dia aprendem”.
E, enquanto diminuímos as expectativas, nossas crianças ficam para trás no PISA, no PIRLS, no TIMSS e em tantas outras avaliações.
Eu me recuso a acreditar que uma criança brasileira pode menos do que qualquer criança em qualquer lugar do mundo.
Talvez a educação brasileira só mude de verdade quando mudarmos nossas expectativas sobre o que cada criança pode aprender.
Talvez seja um efeito dos tempos de TikTok: acostumamo-nos a consumir fragmentos e passamos a acreditar que também podemos escolher apenas o pedaço que nos interessa.
Mas não é assim. Um texto pode permitir diferentes interpretações, mas não qualquer interpretação. O leitor tem liberdade, mas não licença para apagar o contexto, inverter o sentido ou atribuir ao autor aquilo que ele não disse.
Interpretar é dialogar com o texto, não substituí-lo por outro.
Às vezes, eu me pergunto se as pessoas leem o que está escrito ou apenas aquilo que gostariam que estivesse escrito.
Segunda, no Roda Viva, Ana Maria Machado disse que o leitor é soberano e que cada um lê uma obra à sua maneira. Concordo. Mas soberania não significa ausência de limites.
Nas redes sociais, vemos isso o tempo todo: você desenvolve uma ideia, explica, faz ressalvas, e alguém escolhe uma frase, ignora o restante e responde ao texto que gostaria que você tivesse escrito.
outro.
@Carolin68115617 Sim, ela ajuda a desenvolver fluência de escrita. Fortalece a ideia de que você tem juntar os sons individuais para formar a palavras.
Escrever à mão ajuda mais na aprendizagem inicial da literacia do que apenas digitar.
Crianças que copiaram ou contornaram letras e palavras tiveram melhores resultados para reconhecer, nomear e escrever o que aprenderam.
Isso acontece porque, ao escrever, a criança observa a forma da letra e também realiza os movimentos necessários para produzi-la. Essa combinação fortalece a aprendizagem das letras e das palavras.
Variar as fontes no computador não produziu o mesmo efeito.
Na alfabetização, a tecnologia pode ser uma aliada, mas não deve substituir completamente o lápis, o papel e as experiências de escrita à mão.
A crítica à Emilia Ferreiro precisa ser mais cuidadosa. Não faz sentido dizer que sua teoria “não é científica”. Ela é.
Foi baseada em pesquisa, observação e em uma tentativa séria de compreender como a criança pensa sobre a escrita. O problema é outro.
Uma teoria pode ser científica, importante e ainda assim ter limites.
As evidências que sustentam a teoria psicogenética são limitadas, muitos estudos são frágeis e pesquisas posteriores trouxeram explicações mais fortes sobre como as crianças aprendem a ler e escrever.
Isso não apaga Ferreiro.
Mas impede que sua teoria seja tratada como verdade final. Conhecer os clássicos é necessário. Transformá-los em dogma é que é o problema.
“Eu errei” pode se transformar em “eu sou burro”, “eu sou incapaz” ou “há algo errado comigo”. As palavras dos adultos de referência ajudam a construir a voz interior da criança e sua percepção sobre a própria capacidade. É possível corrigir sem humilhar. O comportamento pode ser questionado. A dignidade da criança, não. Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se disfarçam de brincadeira, impaciência ou de uma frase dita sem pensar. Mas as palavras também educam, e algumas podem ferir por muitos anos.
Hoje, no mercado, testemunhei uma cena violenta que talvez passasse despercebida para muitos. Vi um pai dizer ao filho, de cerca de 8 anos: “Você só faz tudo errado. Não tem cérebro.” A criança não chorou nem respondeu. O pai também parecia não perceber a gravidade da frase. Mas eu me incomodei profundamente. Pensei no que aquela criança poderia sentir ao ouvir algo assim, e em quantas outras frases semelhantes talvez já tivesse escutado. Quando uma criança ouve repetidamente que faz tudo errado, pode deixar de entender isso como uma crítica ao comportamento e começar a acreditar que é incapaz.
A leitura não nasce pronta no cérebro. Ela é construída.
À medida que a criança aprende a relacionar letras, sons e palavras, o cérebro vai especializando redes ligadas à linguagem e ao reconhecimento visual da escrita.
Essa revisão mostra que, em leitores típicos, esse processo envolve uma especialização progressiva de áreas do hemisfério esquerdo. Em crianças com risco para dislexia ou com dislexia, essa trajetória pode seguir outro ritmo ou apresentar padrões menos típicos desde o início da aprendizagem.
Isso não significa que a neuroimagem diagnostica dislexia sozinha. O ponto é outro: as dificuldades de leitura têm uma história de desenvolvimento, e alguns indicadores de risco podem aparecer antes que os prejuízos escolares se acumulem.
Por isso, acompanhar desde cedo, avaliar bem e intervir com base em evidências pode mudar trajetórias.
Desde criança eu quis ser duas coisas: cientista e professor.
Confesso que minha ideia de cientista era a da TV. Um sujeito de jaleco, sozinho, num laboratório. Levei um tempo para descobrir que existem muitos tipos de cientista, e que quase nenhum trabalha sozinho.
Sou psicólogo de formação inicial. Mas para entender como uma criança aprende a ler, converso o tempo todo com a linguística, a neurociência, a fonoaudiologia, a pedagogia. Nenhuma dessas áreas dá conta sozinha da pergunta.
Fazer ciência é isso, é trabalhar nas fronteiras, integrando saberes que ninguém deveria separar. E é disso que eu mais gosto.
Hoje, no Dia da Ciência e do Pesquisador Científico, um viva a todos os meus colegas que sabem como é difícil ser cientista neste país. Com pouco, nós produzimos muito. Seguir pesquisando aqui é um ato de amor ao conhecimento e à sociedade, e de resistência.
Obrigado a quem não desiste. Hoje é o nosso dia.