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Curiosidades sobre a China que a esquerda brasileira merece conhecer 🇨🇳
1. A Grande Fome e a abertura econômica
Entre 1959 e 1961, durante o Grande Salto Adiante de Mao Tsé-Tung, a China enfrentou uma fome que matou entre 15 e 30 milhões de pessoas. Em 1978, Deng Xiaoping iniciou uma série de reformas econômicas que ampliaram o espaço para os mercados, a iniciativa privada e o investimento estrangeiro.
A transformação chinesa não pode ser explicada apenas pelo comunismo. Ela envolveu uma mudança PROFUNDA e RADICAL na direção de uma economia orientada pelo mercado.
2. Descanso dos trabalhadores
A jornada padrão prevista na legislação chinesa é de 40 horas semanais. Mas, em 2025, empregados de empresas chinesas trabalharam, em média, aproximadamente 48 horas por semana, segundo dados oficiais.
E existe o famoso sistema 996: trabalhar das 9h às 21h, seis dias por semana, somando 72 horas semanais. A prática ganhou notoriedade especialmente no setor de tecnologia.
3. Direitos LGBT+
Enquanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo é reconhecido nacionalmente nos Estados Unidos desde 2015, na China ele não é reconhecido, e a representação LGBT+ enfrenta restrições na mídia.
Uma curiosidade: em 2021, a Administração Nacional de Rádio e Televisão chinesa orientou emissoras a rejeitar a representação de homens considerados afeminados, usando uma expressão pejorativa para caracterizá-los.
4. Aquisições e investimentos dos EUA e da China no Brasil
Em 2025, empresas americanas realizaram 162 aquisições no Brasil, movimentando R$ 38,49 bilhões, segundo dados do mercado transacional.
No mesmo ano, os investimentos chineses no país chegaram a US$ 6,1 bilhões, distribuídos por 52 projetos, incluindo aquisições, novas instalações e expansão de operações.
ambos os países continuaram fazendo negócios e ampliando sua presença econômica no Brasil, independentemente das nossas preferências ideológicas.
Mas, qual o grande ponto aqui?
Qualquer pessoa que me acompanha aqui sabe que tenho uma admiração enorme pela China e por sua história. Justamente por isso, estou aqui escrevendo esse post.
E esse post não é sobre China ou sobre a esquerda.
Mas o caso da esquerda pedindo intervenção da China mostra uma tendência HORRÍVEL no debate político atual: a necessidade de aprovar qualquer coisa que represente o oposto daquilo que o adversário defende.
Se um lado gosta dos Estados Unidos, o outro sente que precisa gostar da China. Se um lado defende um modelo, o outro é obrigado a defender seu oposto, independentemente das contradições.
Isso aparece em várias discussões.
Recentemente, a situação do Afeganistão está sendo usada como argumento para projetar cenários sobre o futuro do Brasil, sob direção da direita, principalmente em relação as mulheres perderem direitos.
Curiosamente, o Talibã voltou ao poder em 2021 após a retirada americana.
Além disso, já em 2022, partidos classificados à direita elegeram 42 deputadas federais, contra 34 da esquerda e 15 do centro. Em 2026, a direita elegeu 52 deputadas, enquanto a esquerda elegeu 47 e o centro, 10.
Há quem diga que o Pix vai acabar com o novo governo, ignorando que o sistema foi lançado em 2020, durante o governo Bolsonaro.
Existem muitas criticas possíveis, mas as criticas atuais são deslocadas porque elas se pautam simplesmente em recusar o oposto. Mas isso não funciona.
Nenhum país está 100% certo ou 100% errado. Nenhum partido está 100% certo. Nenhum modelo resolve todos os problemas.
É perfeitamente possível admirar a capacidade chinesa de planejamento de longo prazo, sua infraestrutura e sua transformação econômica sem ignorar a censura, as restrições às liberdades individuais e os problemas trabalhistas.
Da mesma forma, é possível reconhecer as contribuições americanas para a inovação, o pluralismo político e a liberdade de expressão sem fechar os olhos para suas intervenções militares e contradições sociais.
Em pautas como direitos LGBT+ e liberdades civis, por exemplo, os Estados Unidos oferecem proteções que não existem na China. Isso não torna os EUA incrível em tudo, nem elimina as contradições da sociedade americana.
Isso não significa, porém, que todos os modelos sejam igualmente eficazes. DEFINITIVAMENTE, NÃO SÃO! Eu tenho um lado.
Existem evidências, dados e resultados concretos que nos permitem avaliar quais políticas funcionam melhor em determinados contextos.
Mas confesso estar um pouco irritada com ambos os lados diante dessa necessidade constante de se posicionar no polo oposto.
Esse amor irracional pelo oposto nos impede de reconhecer qualidades onde elas existem, de identificar problemas onde eles aparecem e de aprender com experiências diferentes das nossas.
Ter princípios não significa defender incondicionalmente o próprio lado. Significa manter os mesmos critérios mesmo quando eles contrariam aquilo em que gostaríamos de acreditar.