Permaneço sangrando
Sempre te esperando
Meu médico pessoal, agora morto
Ressuscite, cure meu corpo
Meu anjo da morte, meu colo
Meu deus, meu Apollo
Meu demônio, meu leito
A parte faltosa em meu peito
Meu cálice, minha ceia
Venha tornar a Lua nova em cheia
eu sei que a culpa é minha, tá eu ja entendi
mas é foda eu ficar e ter que te ver sair
você esperar e eu me ir
e ter que assumir a responsa por algo que eu perdi
ainda dói em mim, em ti, eu sei, eu sim
me acusaram de nadar na lama de propósito
pra quem não tem piscina, um lago de fogo é um paraíso
me odiaram por eu ter mostrado o meu ódio
mesmo eu fazendo questão de mostrar que nunca foi isso
Se precisar, meu nome cante
Eu apareço num instante
Mas só um livro na estante
Entende o peso de ter as páginas viradas à diante
E caso uma carta eu te mande
Responda como quiser, ou siga adiante
Minha vida é como um livro
Entre papéis e performances
Um lírio e algumas chances
Algumas flores, meio entediantes,
Mas no periodo de inverno elas eram importantes
Alguns amores e alguns amantes
Vários sóis sendo estrelantes
Mas de todas as páginas, perdi a mais importante
Como um baralho pro cartomante
Meu norte se foi e tornou-se inferno de dante
Aquilo que vira morte, não volta à ser sangue
Apesar disso, eu também queria que voltassemos o que éramos antes
Eu mudei, isso é aliviador de forma distante
Mas de perto, um pouco revoltante
se as fotos suas que eu ainda não apaguei no celular fossem palpáveis, eu faria questão de rasgar, pisotear, incinerar e se depender fumar cada uma delas
O baile de primavera se aproxima e as únicas folhas caindo são minhas lágrimas
Folhas em cimas de folhas, contidas nelas algumas lástimas
Algumas histórias metafóricas que falham em me distrair do presente
E alguns acordos quebrados, pra sempre pendentes