"Todos pecaram" é generalização retórica no debate entre judeus e gentios sobre a justificação, o mesmo Paulo que a escreveu exclui Cristo (Hb 4,15) e a lógica exclui quem nunca teve uso da razão. Se a frase fosse um axioma sem exceção, o menino que morre no berço estaria condenado e o próprio Cristo seria pecador. A exceção não é invenção romana; é exigência do texto. Maria é a exceção preparada: o anjo não a saúda como "favorecida eventual", mas como kecharitōmenē, particípio perfeito passivo, graça já completada e permanente (Lc 1,28). Inimizade total com a serpente (Gn 3,15) não admite aliança parcial com o pecado. Deus não coloca o Verbo num vaso manchado; prepara a Arca. Dizer que dois mil anos de Igreja não pesam porque "erro continua erro" é confortável só para quem herdou o cânon dessa mesma Igreja e agora o lê contra ela. A clareza bíblica do protestante funciona como um interruptor: acende em "todos pecaram", apaga em "isto é o meu corpo" e em "tu és Pedro". O homem que recusa o milagre da Mãe porque a regra parece clara é o mesmo que, diante do milagre do Filho, inventa uma regra nova para não ter de ajoelhar.
Às vezes nos comparamos aos maus para mitigarmos as culpas de nossos pecados. "Eu menti mas pelo menos não roubei", "eu roubei mas pelo menos não matei", "eu matei mas pelo menos....". Fazendo isso a pessoa até se esquece dos próprios pecados, e passa só a apontar o dos outros como se já fosse um anjo.
E é neste sentido que Jesus diz: não julgue para não ser julgado. Quem julga para não ser julgado é aquele que tenta anular os próprios pecados apontando o erro dos outros.
Por isso Cristo completa: "no juízo em que tiverdes julgado, sereis julgados". Ou seja: não ache que apontando o pecado alheio você escapará dos seus pecados. Por isso Cristo não proíbe de tirar o que está no olho do outro, mas exige que primeiro você tire o que está no seu. Não é uma proibição de julgarmos o que é bom ou mau, mas sim de acharmos que não precisamos nos arrepender dos nossos pecados se gritarmos contra os pecadores.
A HISTÓRIA DO ISLULÃ
Antes de ser profeta, MoHaddad foi até uma caverna para (não) estudar economia. É quando o anjo PingaBriel surge o enforcando, mandando ele recitar a receita federal
— M-me solte!! N-não sei ler!!!
— Eu tanbén nãu cûmpanhêro kkkkkkkkkkkkk
E liberta ele