Esses elementos reforçam a minha ideia de que essas músicas são sobre a sensação de se sentir nulo no mundo, as letras, quase nenhuma com letra transcrita na internet, captam isso de forma perfeita. Por não sabermos o que é dito, apenas ouvimos o choro solitário de Charlie.
Tem uma qualidade bem única no garage punk com vocais muito mais emocionais do que gritados, mais atuados, por assim dizer. Eles exprimem bem uma certa solidão que não é cansativa ou revigorante, ela só é nula, e torna você nulo no processo. Love Police é um bom exemplo disso.
Por vir de experimentações com a Surf Music e música folclórica israelense, o Charlie tem uma pegada totalmente única ao fundir tudo isso ao noise rock choroso que é comum dele a partir das colaborações com Hefker Girl.
Nenhuma das cordas tenta ser a mais afiada, são natimortas.
A parte mais irritante do rymer ou do pedante "escutador de música" é que, pra jazz, os caras são surdos se não for algo de vanguarda.
Se não colocar um free jazz/spiritual jazz maluco no prato deles, eles simplesmente não comem.
tipo, tem bop, tem cool jazz, modal, mas não.
Você pode ouvir o disco como se fosse um projeto animado, é o que a sonoridade permite: essa ampla gama de emoções.
As letras não disponibilizam um grande acervo pra isso, mas é o mais natural. Além do mais, a entrega vocal de Hayley é impecável, emotiva, cativante.
É um dos maiores destaques recentes de artistas pop mainstream dos últimos anos.
É rebuscado onde deve ser, bem produzido e bem calculado.
Não é aquela emoção que um crescendo tosco tenta te convencer de sentir, você pode até mesmo divergir do que a Hayley pretendia, sabe?
Ego Death at a Bachelorette Party foi uma das minhas maiores surpresas nesse ano. Não é nem perto de ser um disco transgressor ou com uma sonoridade extremamente divergente das que dominam o pop atual, mas tem personalidade.
Dá pra ver o quanto a Hayley se sacrificou nele.
Ouça o mp3, aac e opus que quiser, mas esses só são possíveis graças a formatos gigantescos que preservam o som original de forma intocada. Sem flac, a indústria dos formatos lossy cai por terra ou simplesmente se defasa com o tempo. O melhor ficaria apenas pro físico, que morre.
Muito se fala sobre flac/alac serem algum psyop maluco, mas pouco se fala do quão bons ele são pra preservação de áudio e discos históricos, além de edições raras que só foram lançadas décadas atrás ou são exclusivas de lançamento físico.
Mp3 comprime, Opus também.
Soul e Neo-Soul são provavelmente os melhores gêneros que eu não me aventurei tanto quanto deveria, vou tentar fazer isso. Não tem muito o que dizer, são os gêneros de Stevie Wonder e D'Angelo, isso explica por si só.
Covers são bons, sim.
Mas eu gosto deles de fato quando expandem ou desconstroem o que era a música original.
Um exemplo concreto disso é All Along the Watchtower, as versões de Jimi Hendrix e do XTC são de inúmeras formas, divergentes entre si, mas muito ricas criativamente.
Algo que eu acho meio idiota é tocar instrumentos só por tocar e não compor nada. Não digo no sentido de criar uma música, pode ser reinterpretar também.
Atualmente, o que mais existe são supostos guitarristas que só aprendem a tocar algumas músicas e ficam por isso. Idiota, né?
Mas o fato é: nunca vai existir um mundo seguro para que pessoas como nós possam existir, e isso me adoece demais.
Não importa o quanto tentemos comunicar, não adianta.
A vontade que dá é que de algum modo todos os conservadores simplesmente sumam, morram. Seria ótimo.
A perspectiva de vida de pessoas trans/travestis tende a piorar consideravelmente nesse próximo governo, estão fazendo de tudo pra que essas pessoas legitimamente sejam varridas do mundo, e não é nada hipotético, só observar as falas de nikolas ferreira e lucas pavanato.
Songs in the Key of Life é o disco mais unânime que existe.
Caso haja ódio pelo disco, é mais uma ideia de odiar o que é aclamado do que realmente parar pra ouvir.
Cê pode achar chato, longo.
Ruim? De nenhum modo. Nem se forçar a barra.