Vi um conteúdo hoje que foi muito perturbador.
Nele, havia relatos sobre pessoas com demência que já esqueceram o próprio nome, os familiares e boa parte da própria história, mas ainda assim diziam: “Não vou comer isso porque preciso emagrecer.”
Me assustou perceber que quase todas as memórias desapareceram para muitas dessas mulheres, mas a exigência de ser magra permaneceu.
@SantanaLeandro@simsoueugutao Alguns psicólogos que conheço fazem isso por receio de que alguém abra a porta durante o atendimento e interrompa a sessão.
É uma forma de proteger o processo terapêutico, mas nem todo mundo se sente confortável com a porta trancada.
Aquilo que aparece na superfície costuma ser apenas sintoma.
A causa real, o movimento que organiza o sofrimento, quase sempre nasce em uma camada mais profunda do ser.
Com o passar dos anos, perdi muitas certezas. E considero isso bom.
Graças a essa mudança, pude abrir espaço para compreender pessoas de formas que antes eu seria incapaz, porque elas simplesmente não faziam parte do meu campo de visão.
Antes, tudo precisava caber dentro das convicções que eu carregava em mim. Hoje entendo que, muitas vezes, é justamente a realidade da outra pessoa que amplia o meu próprio horizonte.
Estive refletindo que um terapeuta dificilmente conhece todos os efeitos do próprio trabalho.
Tem impactos positivos que jamais serão sabidos mas são igualmente preciosos.
Acho que um dos maiores privilégios da vida adulta é finalmente poder estudar aquilo que você ama.
É muito bom poder ler livros e artigos sem precisar se preocupar com provas ou notas. Posso dedicar o tempo que quiser a uma única obra, aprofundar uma ideia, reler um capítulo e fazer anotações sem a pressão de prazos ou resultados específicos.