Menos de dois minutos para dificultar um direito garantido a crianças e adolescentes estuprados.
Anos para discutir o fim de uma escala de trabalho que adoece milhões de pessoas.
Curioso como a máquina pública é extremamente eficiente quando o objetivo é retirar direitos e extraordinariamente lenta quando o assunto é concedê-los. A burocracia brasileira parece sofrer de uma doença misteriosa: ela só desaparece quando os interesses dos mais vulneráveis precisam ser atacados.
Quando uma legislação protege mais a ideologia do que a infância, algo está profundamente errado. Nenhuma criança vítima de violência sexual deveria ser obrigada pelo Estado, por dogmas religiosos ou por interesses políticos a carregar as consequências do crime cometido contra ela. Transformar estuprador em 'pai' e uma criança violentada em 'mãe' não é defesa da vida. É a institucionalização da crueldade em nome de uma moral seletiva que ignora o sofrimento das vítimas.