A sociedade é, por sua própria natureza, punitivista. Ninguém quer saber de devido processo legal ou de presunção de inocência. Ninguém tá interessado em saber se a prisão cautelar respeitou os limites legais. O processo penal na televisão é de trás pra frente: primeiro se condena para depois verificar se a condenação estava certa. É muito interessante que esse caso dos MCs seja acompanhado por um expoente do processo penal como o Professor Aury Lopes Jr. Vamos testemunhar algumas aulas ao vivo e de graça.
Professor Aury Lopes cirúrgico sobre a questão do abandono de plenário no caso Henry Borel.
Provas que estavam sendo requeridas há tempos foram sonegadas à defesa. Se isso já é grave em um processo comum, em um júri midiático é ainda mais.
Não foi “crime passional”.
Não foi “excesso de emoção”.
Foi a expressão mais brutal de uma lógica antiga: a de que a mulher é propriedade e que a família é extensão da honra masculina.
Quando a traição vira justificativa para matar, não estamos diante de ciúme. Estamos diante do patriarcado em estado puro — onde a autonomia feminina é tratada como afronta e a vida dos filhos se torna instrumento de punição.
O Direito não pode romantizar esse tipo de violência.
E a sociedade também não.
Enquanto tratarmos posse como amor e controle como cuidado, continuaremos enterrando vítimas.