As línguas latinas fazem cócegas. Há palavras muito comuns que aparecem nas línguas do lado de outra maneira: o comum “menjar” (comer) do catalão/valenciano aparece como o manjar dos deuses em português; o “estiu” (Verão) aparece como “estio”. Há diferenças regulares: o LH que muitas vezes é J em castelhano, como “mujer”, ou o F que desaparece em “herrero” e tantas outras palavras, ou o “ção” que é quase sempre “ción”. Há as sequências de palavras que mostram como as línguas nascem de um contínuo de falares latinos, mas às vezes dão saltos: medo, miedo, por, paur, peur, paura, frică (português, castelhano, catalão, occitano, francês, italiano, romeno). O “frică” é peculiar, mas depois descobrimos que o romeno também tem “teamă”, que poderá estar ligado ao nosso “temor”. E o por, paur, paura? Todos estão ligados ao nosso pavor! Há muitas famílias de línguas, mas esta é a nossa e às vezes lembram-me os primos em casa dos avós a brincar à apanhada.