Pra quem não sabe, só vazou parte da conversa no chat do jogo.
E envolvia terceiros, o que gerou esse assunto que ele tá falando. Não tem absolutamente nada a ver com as organizações. E sim totalmente no âmbito pessoal dos envolvidos.
POLÊMICA 🚨
D'Baby Adams, a titã fundadora do teatro britânico NÃO POUPA seu inglês e DETONA escalação de Paapa Essiedu como Severus Snape:
— “A escalação de Essiedu é um exercício fascinante de anacronismo visual. Snape não é apenas um personagem; é uma paleta de cores. Sua essência reside na palidez cadavérica, no contraste doentio com o preto absoluto, uma estética quase gótica de privação e sombra. Tentar emular essa 'aura de morcego' em um homem negro não é inclusão, é preguiça intelectual da HBO. Eles sacrificam a precisão do cânone visual em prol de uma virtude performática que, no fim, anula a própria mística do personagem. Snape precisava de um rosto que parecesse nunca ter visto o sol; dar a ele o brilho e a melanina de Paapa é como tentar pintar um quadro de Caravaggio usando luz de neon. É tecnicamente incoerente.”
VOCÊ QUER DESISTIR? 🤨
Não, senhor 💦
QUER IR PARA OUTRO COLÉGIO? 🏫
Não, senhor 💦
POR QUE???? 🤨
Porque eu não tenho outro lugar pra ir 💦
ENTÃO É MELHOR RESPONDER A MINHA PERGUNTA: O QUE É A² + B²?
C² 💦
NÃO TÔ OUVINDO 🙉
C²... C² 😭
Isso mesmo, é isso que eu quero ver 🧑🏿🏫
JURO
EXERCER MINHA PROFISSÃO COM SERIEDADE
DINAMISMO E CRIATIVIDADE
MANTENDO-ME FIEL AOS PRINCÍPIOS
DA HONESTIDADE E ÉTICA PROFISSIONAL
FAZENDO COM QUE AS MÁQUINAS
AJUDEM OS HOMENS
E ESTES JAMAIS SE TORNEM MÁQUINAS
FAÇO ESTE JURAMENTO CONSCIENTE E LIVRE
SOB MINHA PALAVRA E HONRA.
um dos meus textos favoritos sobre O Agente Secreto é um comentário de Letterboxd escrito pelo cineasta Ramon Porto Mota.
Mota diz que grande parte da beleza do filme reside na ideia de que ele só existe do jeito que é porque Kleber assim o quis.
pode parecer uma afirmação óbvia, mas basta ler um comentário como esse abaixo ou como tantos outros que chamam de fragilidade o que o filme tem de mais forte.
suas digressões, imperfeições e estranhezas não são fruto de imaturidade ou de falta de amigos para dizer a verdade, como um texto porco publicado na Folha recentemente sugeriu.
esse tipo de coisa, as pontas soltas, a demora pra engrenar, a maneira como o filme em diversos momentos perde o foco da trama principal para observar outras nuances e outros personagens, tudo isso aconteceu porque Kleber construiu moral, reputação e capital simbólico o suficiente que o permitissem fazer um filme que, ao menos em estrutura, agrida ao bom gosto da formatação pronta.
a gente tá no momento da padronização do gosto. da linha de produção que determina não apenas como se filma mas como se escreve um filme. se antes um dos inimigos da imaginação na narrativa era o aprisionamento dos três atos, hoje em dia mais do que nunca (pois audiovisual é conteúdo de feed infinito) luta-se contra a noção de que o cinema é comunicação. de que deve-se passar uma mensagem a ser decodificada e entendida. de que carrega consigo sentidos únicos, lugares comum, formas já estabelecidas e conhecidas. o novo agride. o "incorreto" desestabiliza. mais do que nunca, é preciso ter coragem para defender um cinema imperfeito, desnecessário, inútil e de tempos mortos. um cinema com cenas sem serventia, com planos sem destino certo, com cortes que são como navalha cruzando os olhos ao luar.
em tempos de IA, a imperfeição segue sendo a maior garantia de que algo foi feito por mãos humanas. você pode achar o que quiser do cinema de Kleber Mendonça Filho, mas creio que não dá pra discordar da ideia de que os filmes são exatamente como o diretor quer que sejam. frutos de seus gostos de cinema, de sua visão de mundo e da maneira como enxerga o que um filme pode ser.
O Agente Secreto nesse Oscar era uma anomalia na esteira, um curto circuito na indústria. um ovni que causa estranheza numa primeira vista. um filme que convoca o público a ir ao seu encontro. Hitchcock dizia que o público precisava trabalhar, no sentido de que seus filmes exigem de nós a concentração, a atenção, a associação mas também o coração aberto. penso que o mesmo pode se dizer de O Agente Secreto. sigo na defesa dos filmes imperfeitos e irregulares que, tão humanos, nos convidam a jogar os manuais de roteiro e espectatorialidade no lixo. o novo precisa de amigos. quem aqui está disposto a dar as mãos ao cinema que não tem governo (nem nunca terá), que não tem vergonha (nem nunca terá), que não tem juízo?