⬅️➡️ Uma das causas da "polarização" que vivemos hoje que eu acho muito pouco falada: As pessoas de hoje têm muito menos em comum entre si.
Vários anos atrás, antes da internet, a mídia, os produtos e os hobbies eram muito mais massificados que hoje. Todo mundo assistia e consumia de uma cesta relativamente pequena de alternativas.
As chances eram que você e seu pai assistiam juntos Casseta & Planeta, e riam juntos, e comentavam as piadas.
Seu avô tinha um palpite sobre quem matou Odete Roitman, e a família inteira falava o assunto no jantar de domingo.
A TV da casa era uma só, ou talvez duas se vocês fossem ricos. Os canais de TV eram dois ou três, ou talvez quatro se você morasse num grande centro.
Todo mundo tinha mais ou menos as mesmas referências culturais - a novela do momento, o futebol, a igreja, e a banda que estava fazendo sucesso no momento. Você pode achar que hoje ainda é a mesma coisa, mas está enganado.
Embora tenha muita gente que ainda assista novela e futebol, eu aposto que seu círculo de amizades a maior parte nem sabe o nome da novela que está passando hoje.
Hoje, eu nunca converso com meu pai sobre Game of Thrones, porque ele nunca nem sequer experimentou assinar HBO. Meu irmão, que jogava Sonic comigo, nunca ouviu falar de Clair Obscur: Expedition 33, e talvez você que está lendo também não. E eu não faço absolutamente nenhuma ideia de quais bandas tem na playlist da minha irmã.
A internet aproximou pessoas distantes, e afastou as pessoas próximas. Tudo é hiperpersonalizado, inclusive as amizades: Eu interajo com pessoas que pensam o mais parecido comigo possível, ainda que elas morem no outro lado do mundo.
Com isso, desaprendemos a lidar com o diferente. Pequenas diferenças de gosto e opinião já são pretexto pra "cortar relacionamento" com parentes e vizinhos.
Não é só culpa dos algoritmos das redes sociais.
É culpa de termos um cardápio muito maior de opções ao nosso alcance.
imagina morar no brasil e não viver o melhor da música eletrônica em todas as linguagens. house? tô lá e meu tamaquinho. techno? é um óculos escuro na cara e o front é meu. tribal? já até tirei minha camisa. funk? uma latinha e um sonho. aparelhagem? é sal! amo djs, amor viver