Este é um vídeo da rapper francesa Mo, que escolheu a animação e a imagem de bonecas para contar uma história que o mundo não pode simplesmente esquecer.
Mas olhem para essas bonecas e lembrem-se: elas representam mulheres reais.
Mulheres que tinham nomes, rostos, famílias, sonhos. Mulheres assassinadas e sequestradas em 7 de Outubro. Mulheres levadas como reféns para Gaza. Mulheres que retornaram do cativeiro e relataram violência, abuso e terror.
As bonecas tornam as imagens suportáveis de assistir. A realidade que representam, não.
E talvez exista algo ainda mais doloroso nisso tudo:
O mundo aprendeu a repetir “acreditem nas mulheres”.
Então por que tantas pessoas hesitam quando essas mulheres são judias?
Não desviem o olhar. Não deixem que disputas políticas apaguem testemunhos, transformem vítimas em números ou façam o mundo esquecer aquelas que já não podem contar o que sofreram.
Assista até o fim. Compartilhe.
Acreditem nas mulheres judias.
Acreditem nas sobreviventes.
E não esqueçam aquelas que nunca puderam voltar para contar.
Há anos falo em minhas palestras sobre a enorme lupa colocada sobre Israel por boa parte da mídia e da academia. Este estudo mostra que ela é ainda maior do que eu imaginava.
Não se trata de blindar Israel de críticas. Estados democráticos devem ser cobrados. A questão é outra: por que Israel recebe uma atenção e uma cobrança tão desproporcionais em relação a outros países e conflitos?
Enquanto guerras muito mais extensas e sangrentas recebem atenção bastante limitada, há um viés inegável, através de uma rotina diuturna para mostrar uma Israel imaginária, frequentemente retratada como a origem de todos os males, como o país que precisa ser eliminado, o país de um povo que, por séculos (e cada vez mais nos dias de hoje), é o bode expiatório do mundo todo.
E o conflito palestino é tratado como se fosse o centro moral de todos os problemas do mundo, enquanto crianças sudanesas e iemenitas morrem de fome aos milhares; minorias muçulmanas na China e em Mianmar são expulsas e até encarceradas em verdadeiros campos de concentração, com castração química e trabalhos forçados; cristãos são chacinados todos os meses em países africanos, quase nada da atenção e revolta é dedicada a esses conflitos, muito menos com a mesma intensidade e concentração que vemos em relação a Israel.
Por quê? Talvez seja impossível compreender esse fenômeno sem reconhecer a longa história do antissemitismo.
Durante séculos, os judeus foram transformados em bodes expiatórios: responsáveis pela morte de Jesus (deicídio), pela Peste Negra, por supostos assassinatos rituais de crianças cristãs (libelo de sangue), pelo controle das finanças, da imprensa e dos governos...
As acusações mudaram, as palavras também mudaram: apartheid, limpeza étnica e genocídio. Mas o mecanismo permaneceu o mesmo, com perseguições, ataques e assassinatos de judeus em boa parte do mundo.
Ontem, eram os judeus. Hoje é Israel, o “judeu entre as nações”.
Críticas podem e devem ser feitas. Mas quando um país passa a ser submetido a um duplo padrão de julgamento que não é aplicado de forma comparável aos demais, vale perguntar se estamos diante de legítima crítica ou da atualização de um preconceito muito antigo.
Nathan Sharansky (que passou nove anos em prisões soviéticas, foi ministro de Israel para Assuntos de Jerusalém e da Diáspora) decifrou perfeitamente como diferenciar uma critica legitima através do teste dos "três Ds de Sharansky". Se um destes aparece em qualquer discussão, é antissemitismo, ponto.
- *Deslegitimação*: Negar ao povo judeu o direito à autodeterminação ou defender a eliminação/destruição de Israel como Estado. "Israel é um Estado artificial, colonizado por brancos europeus privilegiados em terras palestinas, não deveria existir."
- *Demonização*: Apresentar Israel como o mal absoluto, compará-lo sistematicamente ao nazismo ou retratá-lo como responsável pelos males do mundo. "Sionismo = Nazismo, Israel é genocida, pratica apartheid e limpeza étnica."
- *Double Standard - Dois Pesos e Duas Medidas*: Aplicar a Israel um padrão que não é aplicado a outros países em situações comparáveis, por exemplo, exigir de Israel uma conduta ou punição que não se exige de outros Estados.
Lamentável depois de tantos séculos, tanta perseguição, expulsões e massacres que ao final assassinaram seis milhões de Judeus (um milhão e meio de crianças!) durante o Holocausto única e exclusivamente por terem nascidos judeus em um mundo que não aprende com seu passado vergonhoso.
_Segue a Thread:_ *"Toda notícia segue uma função de declínio previsível: ela atinge o auge e logo é esquecida. Isto é, toda notícia, exceto uma: Israel.*
Analisei 14,7 milhões de artigos de notícias em 65 idiomas, o tempo de transmissão em canais de notícias a cabo e dados de redes sociais do X. Os resultados foram impressionantes.
A cobertura sobre Israel é a anomalia que quebra todos os padrões normais da mídia, em duração, volume e sentimento.
1/2
Moraes não negou conversa com Vorcaro no WhatsApp.
Só no “whatzap”, “WHATZAAP” e “WHATZAP”.
Pode até alegar, lá na frente, que não mentiu…
Mas sua dificuldade com singular e plural já é suficiente para afastá-lo do cargo.
Claramente, seria reprovado no ENEM.
Lula, no discurso, tenta se descolar de Moraes.
Na prática, seus indicados ao STF e sua militância atacam Mendonça (relator dos casos Master e INSS) para defender não só Moraes, mas Lulinha, cuja quebra de sigilo chegou a ser derrubada pela base parlamentar de Lula, embora, no discurso, ele defenda investigar o filho.
Lula fala uma coisa para obter voto e avaliza outra para garantir blindagem, como é comum entre enganadores do povo.
Esse artigo merece atenção por um motivo que, por si só, já deveria obrigar muita gente a ouvi-lo: foi escrito por um palestino de Gaza.
Ahmed Fouad Alkhatib cresceu em Gaza, viu de perto a ascensão do Hamas, viveu o período em que ainda havia a expectativa de construção de um futuro palestino e, depois, acompanhou a transformação da Faixa de Gaza sob o domínio do grupo.
Quem realmente se diz defensor dos palestinos deveria estar disposto a ouvir todas as vozes palestinas — especialmente aquelas que rejeitam o extremismo, o fundamentalismo e a ideia de que “resistência” significa perpetuar uma guerra cujo preço é pago, antes de tudo, pelos próprios palestinos.
Porque existe algo profundamente contraditório em dizer que se luta pelos palestinos enquanto se ignora palestinos que denunciam o Hamas simplesmente porque suas palavras não se encaixam na narrativa política que parte do Ocidente decidiu abraçar.
Alkhatib escreve algo que deveria ser óbvio, mas que se tornou quase proibido dizer em certos círculos: Hamas não é sinônimo do povo palestino. E combater o Hamas também pode significar defender os palestinos.
Ele conta que, ainda criança, ouviu membros do Hamas apresentarem o movimento como uma espécie de elite da “resistência”, cujo objetivo era construir uma luta palestina movida pelo fundamentalismo islâmico e orientada, em última instância, para a destruição de Israel.
Ao mesmo tempo, ele lembra de uma Gaza muito diferente da imagem de que aquele território nunca teve qualquer perspectiva de desenvolvimento. Ele fala do aeroporto internacional recém-criado, dos passaportes palestinos, das empresas de telecomunicação, da zona industrial, do campo de gás, do projeto de porto, da infraestrutura e do crescimento do setor financeiro.
Havia, nas palavras dele, os sinais de uma possível caminhada em direção à construção de um Estado palestino.
E então veio o Hamas.
O autor descreve o que aconteceu depois de 2007: repressão política, tortura, assassinatos de opositores, polícia secreta, radicalização, contrabando, tributação predatória e desvio de recursos. Para ele, Gaza acabou transformada em uma advertência para Israel sobre aquilo que a autonomia palestina poderia produzir quando sequestrada pelo extremismo.
Uma das passagens mais importantes do artigo é esta ideia:
“Hamas deveria não ter qualquer papel no futuro de Gaza.”
E Alkhatib dirige uma crítica particularmente dura justamente a quem, no Ocidente, afirma defender os palestinos:
Muitos ainda enxergam o Hamas como uma força de “resistência” honrosa.
Segundo ele, apoiar o grupo, ou simplesmente se recusar a condená-lo, apenas ajuda a perpetuar a degradação de Gaza.
Ele também relata algo que merece ser discutido muito mais: quando pedia a ativistas pró-Palestina que combinassem a defesa de um cessar-fogo com a exigência de libertação dos reféns israelenses, era acusado de “centralizar narrativas sionistas”. Quando pedia que pressionassem o Hamas a se render pelo bem de Gaza, era insultado.
Isso diz muito.
Em algum momento, setores do ativismo ocidental deixaram de perguntar “o que é melhor para os palestinos?” e passaram a perguntar “o que preserva a narrativa da resistência?”
São coisas completamente diferentes.
Talvez a frase mais contundente do artigo seja justamente esta: a fronteira entre solidariedade ao povo palestino e apoio aos seus próprios opressores desapareceu.
E é por isso que vozes palestinas como a de Alkhatib são tão importantes.
Não porque todo palestino pense como ele. Evidentemente não pensa. Mas justamente porque o debate palestino é muito mais complexo do que a versão binária apresentada nas redes sociais.
Existem palestinos que querem paz.
Existem palestinos que rejeitam o Hamas.
Existem palestinos que consideram a luta armada uma estratégia desastrosa.
Existem palestinos que querem construir, prosperar e governar a própria sociedade em vez de dedicar gerações à destruição de Israel.
E essas vozes também são palestinas.
No final, Alkhatib propõe uma visão para Gaza que deveria interessar a qualquer pessoa que realmente queira um futuro para aquele povo: uma Gaza transformada em orgulho nacional palestino, capaz de demonstrar autogoverno, prosperidade e liberdade; uma sociedade que deixe de depender permanentemente de estruturas de refugiados e que passe por uma profunda desradicalização de escolas, mesquitas, mídia e discurso público.
O objetivo, segundo ele, deveria ser formar construtores e criadores, não mais uma geração destinada à guerra.
Há uma frase no encerramento que resume perfeitamente a diferença entre ativismo e solução:
“Algumas pessoas querem provar um ponto; outras querem fazer a diferença. O caminho adiante exige as últimas.”
Quem realmente se importa com os palestinos deveria começar por aí.
Ouvir palestinos, inclusive quando eles dizem aquilo que a narrativa da “resistência” não quer ouvir.
Perguntaram-me no Instagram:
“Alexandrismo, Bolsonarismo e Petismo se retroalimentam? O brasileiro fica preso nesse loop?”
Respondi:
“Siiiiiiiiiiiiimmmmmm!!!
Em resumo:
Lulismo, com corrupção e crise econômica, fez Bolsonaro chegar ao poder.
Bolsonarismo, em razão das "rachadinhas", sabotou CPI da Lava Toga enquanto Toffoli blindava Flávio, o que deu poder a Moraes; e sabotou o combate à corrupção, o que ajudou Lula a sair da cadeia.
Bolsonaro, aloprando no governo, fez Lula voltar ao poder e, tentando melar o resultado eleitoral, deu munição a Moraes.
Moraes, participando de reuniões com Lula, abusando de seu poder e pesando a mão em seus votos, fortalece o bolsonarismo...”
*Palestinos nas redes sociais iniciaram uma tendência de mostrar bairros ricos da Judeia e Samaria (Cisjordânia).*
Existem muitos...
Artigos sobre mansões nos territórios palestinos:
- Palestinians build luxury houses in the 'Miami of the West Bank' - BBC News https://t.co/e83DGph4ZD
- Abbas building $13m. presidential palace near Ramallah | The Times of Israel https://t.co/XsEKmrzEz9
- House of Palestine: the architectural wonder built by a West Bank oil tycoon | Architecture | The Guardian https://t.co/MoZgBGmScv
*N/E*: Quando estive em Ramallah anos atrás (durante uma viagem de lideranças da comunidade judaica) fiquei muito impressionado com o tamanho, a suntuosidade e quantidade de mansões ali.
https://t.co/Yu40QHM5MQ
Pesquisa, tradução, adaptação, legendas e comentários: @AriKrok
#GAZAWOOD
Há uma forma muito confortável de circular preconceito nas redes sem jamais assumir formalmente o preconceito.
Ela não exige escrever “eu odeio judeus”.
Aliás, isso seria amador demais.
A versão moderna prefere parecer sofisticada. Só tenta.
Escolhe-se um comportamento condenável praticado por um indivíduo judeu. Em vez de descrevê-lo como comportamento daquele indivíduo, apresenta-se como “mais um episódio isolado”.
Aspas incluídas, claro.
Porque sem as aspas talvez o leitor não entenda a sugestão.
Depois, quando alguém pergunta:
“Mas não são todos assim, certo?”
É aí que fica patético.
Em vez de responder o óbvio:
“Claro que não.”
fala-se sobre como “eles” se consideram escolhidos, diferentes, superiores, especiais.
E aí começa a ginástica gramatical.
Se ninguém questiona, “eles” permanece convenientemente amplo.
Se alguém questiona:
“Não, veja bem, quando eu disse ‘eles’, estava falando apenas daqueles dois interlocutores.”
Claro.
O pronome expansível.
Na ida, serve para sugerir um povo inteiro.
Na volta, cabe dentro de um ovo de codorna.
É uma técnica tão conhecida que chega a ser meio constrangedor fingir que funciona. Vergonha alheia, sabe?
(Tem até um emoji pra isso 🤦♀️)
O objetivo é sempre o mesmo: dizer o suficiente para que determinada audiência entenda a mensagem e pouco o bastante para permitir uma defesa posterior.
E quase sempre vem acompanhado da mesma encenação:
“Você interpretou errado.”
“Foi só um emoji.”
“Eu nunca disse isso.”
“Não posso controlar meus seguidores.”
“Você está vendo antissemitismo em tudo.”
Conheço o roteiro.
Todo mundo conhece.
E, francamente, ele não é tão inteligente quanto quem o usa imagina.
Porque comunicação não é um contrato de mil páginas em que cada palavra pode ser isolada do contexto e defendida perante um tribunal imaginário.
Existe sequência.
Existe tom.
Existe repetição.
Existe audiência.
Existe reação.
E existe um fato extremamente inconveniente: as pessoas entendem sinais sociais muito bem.
Se alguém escreve uma generalização sobre judeus e recebe 👍, sabe que recebeu aprovação.
Não precisa de parecer linguístico.
Se alguém escreve algo hostil e recebe 😂, entende que produziu cumplicidade.
Se alguém insulta e recebe 🤝, dificilmente sai pensando:
“Que interessante, talvez esse emoji represente uma complexa neutralidade epistemológica.”
Não.
Ele entende:
“Estamos juntos.”
Depois, quando vem a cobrança, descobrimos que os emojis sofrem uma curiosa transformação metafísica.
👍 deixa de significar aprovação.
😂 deixa de significar riso.
🤝 deixa de significar concordância ou camaradagem.
👀 deixa de significar interesse.
Todos passam a significar:
“Favor não interpretar absolutamente nada.”
É quase poético.
O problema é que ninguém honesto intelectualmente realmente acredita nisso.
Nem quem envia.
Nem quem recebe.
Nem quem observa.
É apenas a saída de emergência quando a brincadeira fica feia.
E não. Ninguém é responsável por tudo que seus seguidores escrevem.
Essa seria uma regra absurda, até infantil.
Mas também é absurda a ideia de que um comunicador não tenha qualquer responsabilidade pelo ambiente que cultiva.
Existe uma diferença enorme entre um antissemita aparecer nos comentários e um antissemita aprender que naquele espaço pode continuar.
Essa diferença é feita de coisas pequenas:
quem recebe resposta;
quem recebe risada;
quem recebe emoji de aprovação;
quem é corrigido;
quem é ignorado;
quem é tratado como aliado.
Comunidades digitais aprendem rápido.
Muito rápido.
Elas percebem o que é permitido.
Percebem o que é premiado.
Percebem até onde podem ir.
E, curiosamente, quando a audiência começa falando de “mais um judeu fazendo isso” e termina em:
“raça do demônio”,
“ratos”,
Hitler,
“sinagoga de Satanás”,
“não confie em judeus”,
culpa coletiva pela morte de Cristo,
conspirações judaicas,
talvez valha a pena perguntar por que tanta gente concluiu que aquele era um ambiente apropriado para dizer essas coisas.
Não significa que o autor escreveu tudo aquilo.
Não escreveu.
Não significa que concorda com absolutamente tudo.
Também não podemos saber.
Mas significa que existe uma pergunta objetiva e muito mais interessante:
qual comportamento foi desencorajado e qual comportamento foi recompensado?
É aí que a conversa fica menos confortável.
Porque quando alguém atravessa uma linha e você diz:
“Não. Isso é antissemitismo. Não generalize.”
a audiência aprende uma coisa.
Quando atravessa a mesma linha e recebe:
👍
😂
🤝
🙏
ela aprende outra.
E depois não adianta fazer cara de surpresa quando os comentários descambam.
“Meu Deus, como isso ficou pesado!”
Sim.
É fascinante.
Como será que aconteceu?
Um verdadeiro mistério da internet.
Há ainda outro truque particularmente velho: pegar um judeu fazendo algo errado e transformar o episódio em evidência sobre os judeus.
Esse método também não é exatamente novo.
“Uma pessoa fez X.”
vira:
“Mais um caso.”
depois:
“Eles fazem isso.”
depois:
“Eles são assim.”
E quando alguém interrompe a progressão e pergunta:
“Mas você reconhece que não são todos?”
Aí escapole a verdade sobre o que ele realmente pensa:
“Mas eles realmente acreditam que são o povo escolhido. Isso mostra que se consideram superiores.”
Não. Mostra que ele está traduzindo um conceito religioso complexo como se significasse “somos biologicamente melhores que vocês”. E não é isso que significa. Nunca foi.
Conveniente.
Porque responder “claro que não são todos” destruiria a sugestão construída até ali.
E é justamente aí que a tática se entrega.
Se o objetivo fosse realmente apenas denunciar um indivíduo, a ressalva seria fácil.
Natural.
Instantânea.
“Sim, óbvio que não são todos.”
Fim.
Mas quando essa frase simples parece impossível de pronunciar, talvez o problema não esteja na pessoa que percebeu a generalização.
Talvez esteja na utilidade que a generalização tinha.
O mesmo vale para o velho antijudaísmo cristão.
“Vocês tentaram matar Cristo.”
Vocês quem?
Um judeu brasileiro em 2026?
Uma judia americana?
Um adolescente israelense?
Uma família judaica de Buenos Aires?
Todos herdeiros jurídicos de uma acusação feita a dois mil anos atrás?
Eles dizem que é teologia sofisticada.
Mas é a velha culpa coletiva.
E a ironia é que o próprio cristianismo institucional já passou por esse debate há décadas.
Mas sempre há alguém disposto a redescobrir o século XIII achando que acabou de inventar um argumento devastador.
Não inventou.
Só abriu uma gaveta velha.
Por isso eu nem acho produtivo discutir obsessivamente:
“Essa pessoa é antissemita?”
Essa pergunta vira uma novela psicológica:
“Mas eu tenho amigos judeus.”
“Mas eu já condenei antissemitismo.”
“Mas eu quis dizer outra coisa.”
Ótimo.
Talvez tudo isso seja verdade.
A pergunta melhor é:
esse comportamento normaliza discurso antissemita?
E essa pergunta não depende de telepatia.
Depende de observar padrão.
Se uma pessoa repetidamente apresenta indivíduos judeus como representantes de um coletivo, usa linguagem ambígua, recua para interpretações estreitas quando confrontada e mantém interações amistosas com comentários que atravessam claramente a linha, então não é necessário adivinhar o que existe no íntimo dela.
Basta olhar para o efeito.
E aqui entra a parte quase cômica:
essa técnica depende da ideia de que ninguém percebe a técnica.
Mas percebe.
Sempre percebe.
Quem está sendo estimulado percebe.
Quem está sendo atacado percebe.
Quem acompanha de fora percebe.
Só quem usa o método insiste em agir como se tivesse descoberto uma forma revolucionária de invisibilidade retórica.
Não descobriu.
É o equivalente discursivo de uma criança escondendo o rosto com as mãos e acreditando que desapareceu.
“Não falei judeus.”
Mas falou “eles”.
“Não concordei.”
Mas mandou 👍.
“Não incentivei.”
Mas riu.
“Não generalizei.”
Mas chamou de “mais um episódio isolado”.
“Não foi isso que quis dizer.”
Curiosamente, nunca é.
A interpretação inicial sempre favorece a provocação.
A interpretação posterior sempre favorece a defesa.
Que coincidência impressionante.
Por isso o chamado dog whistle funciona menos como um código secreto e mais como uma piscadela.
Não é invisível.
Não é genial.
Não é particularmente sofisticado.
É apenas conveniente.
A lógica é simples:
quem precisa entender, entende.
E quando alguém aponta a mensagem:
“Mensagem? Que mensagem?”
É aí que a tática deixa de ser apenas previsível.
Fica óbvio.
Porque o problema de brincar com ambiguidade é imaginar que só você percebe que ela existe.
Ou usando aquele velho e bom ditado: o erro de quem se acha muito esperto é assumir que todo mundo é otário.
“Nós, judeus, somos notoriamente incapazes de concordar sobre qualquer coisa que comece com as palavras ‘nós, judeus’.”
Amós Oz e Fania Oz-Salzberger, “Os judeus e as palavras” (2015).
O ar de enfado motivado pela necessidade de precisar explicar que não tem ligação com ações terroristas, serve como confissão. Os vídeos em que em uma reunião ocorrida no Líbano ele ergue o punho e em uníssono canta morte à América e morte à Israel, ou que ele se mostra presente no funeral de Nasrallah, chefe do Hezbollah, ou até mesmo sua participação como principal elemento na tentativa de expulsar a garotada israelense que frequentava praias na Bahia, mostra sim que sua intenção é sim jihadista.
Esse rapaz se lambuzou tanto com terroristas jihadistas que não será mais capaz de desvencilhar-se dessa pecha.
A ESQUERDA RADICAL É ESSENCIALMENTE ANTISSEMITA?
Este texto nasce de uma inquietação ainda em elaboração, não de um argumento que considero fechado. Tenho acompanhado, nos últimos anos, um deslizamento no debate sobre antissemitismo que me preocupa: a tendência a tratar o radicalismo político e o antissemitismo como se fossem, na prática, a mesma coisa.
Acesse aqui para ler o texto completo:
https://t.co/jbP0ML9htv
**A justiça social não existe.**
Justiça é atributo de uma ação humana concreta. Eu posso ser justo ou injusto com você. Posso cumprir um contrato, devolver o que não é meu, ou mentir, roubar, trair. Em todos esses casos existe um agente, uma vontade, uma responsabilidade. Existe alguém a quem se possa apontar o dedo e dizer: “foi você”.
A chamada “justiça social” pretende extrair justiça de um processo que ninguém controla. O mercado, a divisão do trabalho, a evolução dos preços, a distribuição espontânea de talentos e sorte, nada disso tem rosto, intenção nem conselho de administração. Exigir que esse processo entregue um resultado “justo” é tão absurdo quanto exigir que a chuva caia de forma igualitária sobre todas as lavouras ou que a evolução biologicamente selecione os mais virtuosos.
Quando se fala em justiça social, o que se está realmente fazendo é transferir a linguagem da moral individual para um domínio onde ela não se aplica.
O resultado é sempre o mesmo: alguém precisa ser culpado pelo que nenhum indivíduo fez.
Surgem então as classes, os grupos, as “estruturas”. E, com elas, a legitimação para que o poder político redistribua, confisque e puna em nome de uma justiça que ninguém consegue definir com precisão.
Hayek viu isso com clareza brutal. Justiça só faz sentido quando existe escolha. Onde não há escolha individual, não há justiça nem injustiça. Há apenas resultado. E resultado não se julga com os critérios da ética. Julga-se com os critérios da eficácia, da sustentabilidade e da liberdade.
Chamar de “justiça social” o desejo de equalizar resultados é, portanto, um golpe semântico. Transforma uma preferência política em imperativo moral. Quem discorda deixa de ser apenas adversário e passa a ser inimigo da justiça. O debate racional é substituído pela acusação moral. E a política se converte em tribunal permanente onde o réu é sempre a realidade.
A verdadeira justiça continua sendo a antiga: tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual na medida em que se diferenciam. Exigir que o processo social produza resultados pré-determinados é exigir o impossível. E todo projeto político construído sobre o impossível termina, cedo ou tarde, em coerção.
Quase toda a cultura egípcia antiga foi apagada pelo colonialismo islâmico. Não foi só conquista militar. Foi um projeto de substituição civilizacional.
Em 1196, o sultão Al-Aziz Uthman, filho de Saladino, ordenou a demolição das pirâmides de Gizé. Começou pela menor, a de Menkaure. Durante oito meses, centenas de trabalhadores usaram cunhas, alavancas e cordas para arrancar pedras. Cada bloco que caía se enterrava na areia e exigia um esforço absurdo para ser removido. Conseguiam tirar uma ou duas pedras por dia. No final, tudo o que restou foi uma cicatriz vertical profunda na face norte da pirâmide, ainda visível hoje. Desistiram. Não por arrependimento. Por impotência. A engenharia faraônica se mostrou maior do que a vontade de destruição.
Esse episódio não é uma curiosidade histórica isolada. É o retrato de um padrão. O Islã chegou ao Egito e transformou templos em pedreiras, estátuas em entulho, hieróglifos em sinais incompreensíveis. A memória de uma das civilizações mais sofisticadas da humanidade foi sistematicamente soterrada sob a narrativa de que tudo o que existia antes era idolatria a ser apagada. O que não foi demolido foi apropriado, reutilizado ou simplesmente esquecido por séculos.
A cultura que construiu as pirâmides, que desenvolveu matemática, medicina, administração e uma visão de eternidade, foi reduzida a ruínas e curiosidades para turistas. O Egito de hoje carrega o nome, a geografia e o turismo. A continuidade cultural profunda foi cortada.
As pirâmides sobreviveram não porque foram respeitadas. Sobreviveram porque eram grandes demais para serem destruídas com a tecnologia da época. A cicatriz em Menkaure permanece como prova física: houve a intenção de apagar. Houve a tentativa. Houve a humilhação de fracassar.
O Islã não preserva civilizações anteriores. Ele as substitui. E quando não consegue demolir o monumento, tenta demolir o significado.