@QuaseLucas@MiguelNicolelis Percebi que nem ele foi capaz de segurar esses empresários e patrocinadores nó cegos
Tem convocação aí que não tem explicação
obcecada pelo casamento da dua lipa. completamente encantada pela atmosfera de hedonismo. a última encarnação da joie de vivre. me lembra todos os dias que a primeira regra do clube da luta é se divertir e ser você mesmo. o universo numa casca de noz e a vida numa taça de vinho
Deixei para ler o "Ainda estou aqui" de Marcelo Rubens Paiva agora. Queria que passasse um tempo do sucesso do filme. Mas, eu não sabia, o livro e o filme são obras de arte bem distintas. O livro me pegou muito mais. Como a maioria de vocês já sabe, minha mãe foi presa na ditadura, também no Rio de Janeiro. Quando saiu da prisão, disseram que se ela fosse presa de novo não escaparia com vida, e por isso ela veio para Manaus, conheceu meu pai e eu nasci. Acabou que meu nome é Luís Carlos em homenagem ao Prestes, mas isso vocês já sabem. Minha infância e adolescência foram durante a ditadura, filho de dois pais que sofreram aquele período, com muitos livros perigosos em casa, o medo sempre presente, e o livro do Marcelo traz muito isso. Minha mãe nunca contou detalhes de sua prisão, algumas coisas ouvi aos poucos, outras ela contou para terceiros e eu estava do lado, guardou muito do seu sofrimento, como guardou Eunice, a mãe de Marcelo. Não sei se para poupar os filhos ou para poupar a si mesma, como Marcelo não sabe sobre Eunice. Em "Ainda estou aqui", quando Marcelo, logo no 2º capítulo, começa a falar dos militares foi pesado para mim. Ele diz que não se pode generalizar, alguns militares foram presos, torturados e mortos na ditadura também. Conta que sua mãe, anos depois, em uma cerimônia com o presidente Fernando Henrique, acabou cumprimentando um general com um abraço. Marcelo pediu detalhes do encontro e Eunice disse que tinha um militar na reunião realmente, "era o general, acabei abraçando-o também", nada demais. Há algo de angústia nesse abraço, nesse deixar a vida rolar, deixar acontecer, nas pessoas que sobreviveram à ditadura. Mas o que me pegou mesmo é o fim do capítulo, e desculpem pelo spoiler: "grandes gestos são humildemente casuais, tenho um agradecimento a fazer aos militares brasileiros: obrigado por não terem matado a minha mãe".
Chorei, chorei muito quando li esse final. Tive que parar o livro no meio, voltei chorei mais um pouco, voltei mais tarde.
Eu também acho que devia agradecer, Marcelo! Obrigado pelo texto!