antes da copa do mundo diziam:
"é a pior seleção brasileira da história"
"não tem laterais, meio-campo é lento"
"não vai chegar nem perto do título"
e eles foram lá e confirmaram tudo
Cinco dias depois de ter a confirmação de que irá a julgamento por estupro na França, Achraf Hakimi marcou um gol na vitória do Marrocos sobre o Haiti na Copa do Mundo.
Impedido de entrar no Canadá por ter mentido sobre seu status judicial e fora da estreia de Gana, Thomas Partey pôde atuar normalmente nos EUA e foi fundamental para o empate de sua seleção contra a Inglaterra.
Hakimi e Partey têm em comum a importância para suas seleções, mas também acusações de estupro pairando no ar. A presença deles em campo na Copa levanta mais uma vez a questão da permissividade com crimes sexuais no mundo do futebol.
O caso de Partey é o mais complicado: são sete acusações de estupro vindas de quatro mulheres diferentes. Ele deve ser julgado em 2027, mas segue em liberdade e disponível também para o futebol. Na partida contra a Inglaterra, foi constantemente vaiado pela torcida no estádio, em Boston, e o jogador adversário Djed Spence se recusou a cumprimentá-lo.
Por sua vez, Hakimi enfrenta uma acusação por um caso ocorrido na França, em 2023. Em fevereiro desse ano, a justiça francesa havia decidido que havia evidência suficiente para levar o jogador a julgamento, mas ele havia recorrido. Com o recurso negado oficialmente na sexta-feira passada, agora é fato que o lateral marroquino irá ao tribunal.
Hakimi brilha na Copa do Mundo enquanto aguarda pelo julgamento, e o faz sem tantos olhares de reprovação quanto Partey. Os dois estão livres para atuar no maior palco do planeta.
Será que jogadores acusados por crimes sexuais deveriam ir a uma Copa do Mundo? Como as possíveis vítimas vêem seus agressores debaixo de tantos holofotes? Qual o exemplo para as crianças e jovens?
Em meio a tantas questões, o fato é que o futebol segue perdoando criminosos sexuais, mesmo aqueles condenados pela justiça.
"Sabe o que me incomoda? Sempre vemos cada vez mais os lucros de grandes banqueiros e acionistas crescendo, enquanto para os trabalhadores, não há aumento real do salário há anos. Talvez o problema seja o capitalismo em si, e não com o partido governante"
Endrick em entrevista