Há quase 3 anos o STF sequer analisa os recursos contra a decisão de Toffoli que anulou todas as provas da Odebrecht. Mesmo comprovadamente infundada, com o juiz implicado na própria delação (“amigo do amigo de meu pai”) e produzindo efeito sistêmico de impunidade.
Outros países não toleram essa impunidade e se chocam com a decisão.
EDITORIAL | O QUE A FOLHA PENSA | A associação do trabalho jornalístico à perseguição levou à conexão do caso com o inquérito das fake news. Criado para investigar ameaças do bolsonarismo à corte, ele alcançou enorme escopo, borrando a fronteira entre ataques à instituição e críticas legítimas a seus ministros. Por óbvio, tal analogia é perigosa: muitas reportagens investigativas exigem acompanhar atos de autoridades e obter informações confidenciais fornecidas por fontes, o que poderia ser interpretado como perseguição.
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📷 Alan Marques/Folhapress
A Agência Nacional de Proteção de Dados determinou que a rede social Discord suspenda as transmissões ao vivo no Brasil — a ANPD disse que a medida foi tomada para apurar falhas na proteção de crianças e adolescentes.
.@gugachacra comenta o assunto e diz que o Brasil se alinha regimes ditatoriais ou liderados por autocratas, como Turquia, Rússia e Irã.
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🔸 A Abraji manifesta profunda preocupação e condena a quebra de sigilo de fonte de um jornalista no Maranhão, que publicou uma reportagem sobre o ministro do STF Flávio Dino, e resultou em uma ação de busca e apreensão nesta terça-feira (11/08/2026)
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O que a Folha pensa | Supremo afronta a liberdade de imprensa: investigação contra jornalista e sua fonte levanta questões sobre juiz natural e sigilo profissional
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Uma pequena cronica do grande jornalista Elio Gaspari
O PT caiu na panela do Master
A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo.
A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava-Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. (Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em 20 mil dólares. Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar 15 relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.
O PT já havia deixado uma digital no caminho de Daniel Vorcaro quando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou-o a Lula no final de 2024.
Em 2016, quando uma parte do PT foi apanhada pela Lava-Jato, Wagner disse que “o PT se lambuzou”. Na quinta-feira, lambuzou-se o líder do governo no Senado.
Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do Caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.
A diligência da PF ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2025, antes de sua primeira prisão, Daniel Vorcaro teria ameaçado “contar toda a história do Master”. Correndo o risco de mofar numa cela, Vorcaro fingiu por duas vezes contar a história do Master, suas delações eram seletivas e foram rejeitadas.
Há uma curiosidade na trajetória de Vorcaro. Até 2020 eram raros os seus contatos com a cúpula da turma de Brasília. Era falado pelas suas festas milionárias e pela liberalidade com que recorria aos serviços femininos para entreter convidados. Quando percebeu que estava sentado numa pirâmide, Vorcaro atropelou.
Promoveu farofas no circuito Elizabeth Arden. Seu cunhado comprou o resort da família de um ministro do Supremo. Seu banco contratou por dinheiro gordo a mulher de outro, que voava em seus jatinhos. Cerejas do bolo, Guido Mantega levou-o a Lula sem registro na agenda e o senador Ciro Nogueira apresentou um projeto que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Além disso, decidiu bancar um filme que contaria a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro para estrear durante a campanha do seu filho Flávio.
Com outro braço, Vorcaro mantinha uma milícia privada para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim (esse crime ficou na intenção).
Eram ações de um banqueiro radioativo, lidando com os políticos a partir da imagem que tinha deles. (Os fatos mostraram que seus alvos foram bem escolhidos.)
A menos que ofereça uma colaboração veraz, Vorcaro mofará anos numa penitenciária, como mofou o patrono de sua classe, o americano Charles Ponzi (1882-1949), que ralou 14 anos na cadeia. Depois ele veio para o Brasil e morreu pobre no Rio.
A chegada da Polícia Federal a Jaques Wagner mostrou que falar pode se tornar mais um indicador que o melhor negócio de sua vida. Talvez ele tenha percebido o que vários figurões não perceberam: a Polícia Federal sabe muito mais do que supõem os intocáveis de Brasília.
Como hoje é sábado e impreterivelmente leio no Globo o cronista Eduardo Affonso, lembrei do final de uma das suas recentes crônicas algo que, igual que ele, é minha sina também e penso que acomete milhões de brasileiros e brasileiras nestes tempos de generalizada cleptocracia e degradação institucional.
Ai vai em negrito, itálico e entre aspas :
"Em 2018 e 2022, a esta altura do ano, eu estava em campanha pela terceira via, por uma alternativa a rachadinhas, maracutaias, negacionismos, mensalões, orçamentos secretos e afins. Em 2026, com o país tão mal administrado quanto meu condomínio, tão abusivo quanto meu plano de saúde e tão inapelavelmente entregue aos que se associaram ao Master, desisti de desperdiçar energia. Afinal, não sou sócio da Light."
OPINIÃO ✍️ Carlos Andreazza: "Inquéritos xandônicos, infinitos e onipresentes, têm o objeto que ele quiser"
🔗 Leia a coluna > https://t.co/mQ3a4s274T
EDITORIAL | Caso exemplar de ativismo judicial – “Ao transformar uma condenada por omissão gravíssima em vítima, Elizabeth Louro foi mais uma magistrada a expor o perigo de uma Justiça militante”. Leia o texto completo em https://t.co/CIuV1CXGXz via @opiniao_estadao)
The youngest pianist in Russia does not come to the piano pedals, but skillfully performs the most complex musical works. it's never too late to start playing piano
O aspecto mais grave do escândalo do BM é o contrato de R$ 129 mi — dos quais R$ 80 mi já foram pagos — à esposa de Moraes em apenas 18 meses, seguido pela compra de milhões em imóveis.
Ninguém consegue explicar qualquer finalidade legítima para isso, mas ele permanece no STF.
Moraes e seus aliados da STF simplesmente inventam princípios e leis quando querem, como você pode ver aqui quando Moraes disse que é inconstitucional punir críticas e sátiras contra aqueles que detêm poder público:
“Estamos vivendo o maior escândalo judiciário da história brasileira. Não por acaso. Foi construído por escolhas legislativas, decisões judiciais e práticas culturais que criaram condições perfeitas para a institucionalização da corrupção e a erosão da confiança na Justiça —e, com ela, na própria democracia.” 👇🏽
🎦 Elos de ministros do STF com Master precisam ser investigados, diz presidente da OAB-SP. Leonardo Sica afirma que notícias sobre ligações com Banco Master merecem apuração📲📰 Leia mais em https://t.co/TDSMgEcq0g
17 imóveis registrados no “instituto” da família Moraes. Nos últimos anos, desembolsaram 23,4 milhões na compra de imóveis à vista.
Um enriquecimento extraordinário no contexto de relações inexplicadas do Ministro com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
@gustavofcortes, @HugoHenud, @weslley_galzo e @aguirretalento do @Estadao seguem avançando nas investigações enquanto a PGR permanece omissa.
https://t.co/QZ5BrkglR1
Além de outros aspectos mais graves do caso, chama atenção a contradição entre o serviço supostamente prestado pelo escritório Barci de Moraes, de orientar o compliance do Banco Master, e os padrões de compliance do próprio escritório.
Qualquer sistema elementar de compliance vetaria uma oferta de honorários extraordinariamente acima dos valores praticados no mercado (inclusive no mercado internacional), vinda de um banco já com histórico de investigações – “red flags” facilmente detectadas em um processo simples de análise de antecedentes (due diligence básico).
“Qual é o problema? Claro que advogado tem cliente criminoso.” Neste caso, os problemas são inúmeros. Além do pagamento de R$ 129 milhões e a falta de especificações adequadas contratuais, a advogada Viviane Barci é pessoa exposta politicamente (PEP, uma categoria internacional de risco), por ser esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Uma oferta fora de qualquer padrão de mercado, feita por um cliente com histórico de suspeições, a um escritório ligado a uma autoridade com poder decisório sobre interesses do cliente, deveria ser não só rechaçada, mas reportada aos órgãos de controle.
O jornalista Carlos Andreazza (@andreazzaeditor) também chamou atenção hoje para a precariedade do compliance do escritório no contexto da contratação de táxi aéreo pelo escritório e viagens de Moraes em aviões de Vorcaro. De fato, a partir do furo de @LucasMarchesini e @monicabergamo, chama atenção a falta de due diligence do escritório sobre os proprietários das empresas que contrata e, ainda, as supostas caronas dadas a terceiros em voos faturados no contrato com o Master. Mais importante, não era qualquer caroneiro, era o ministro Alexandre de Moraes, que deveria estar completamente afastado dos assuntos do escritório e, ainda mais, de um cliente que ele eventualmente julgará.
É óbvio que, por mais problemática a falta de compliance de um escritório contratado a peso de ouro para orientar o compliance do cliente, este não é nem de longe o aspecto mais grave do caso.
Muito mais grave é a relação entre o contrato de R$ 129 milhões e os indícios, que a imprensa tem revelado, sobre interações diretas do ministro Alexandre de Moraes com o cliente, supostamente até no contexto de assuntos judiciais. Em qualquer país do mundo com instituições independentes, por muito menos o caso já estaria sob investigação.