– perdão. – falou, educadamente. – o que você ia dizendo?
– eu disse que aquilo caiu muito mal. – respondeu a serpente.
– ah. foi mesmo. – disse o anjo, cujo nome era aziraphale.
adam era sensível às lágrimas. hesitou um instante, e então espiou cuidadosamente por sobre a cerca viva.
para anathema, pareceu o amanhecer de um pequeno e inútil sol.
– tem que existir um motivo sensato para isto estar acontecendo. não tem como quinhentas toneladas de urânio simplesmente criarem perninhas e saírem andando.
ele já estava grunhindo, e o grunhido era um rosnado baixo e trovejante que prometia ameaças, o tipo de grunhido que começa no fundo da garganta do animal e termina na garganta de outra pessoa.
– claro. – a ruiva assinou o bloco, ilegível, e então escreveu o nome em letra de imprensa. o nome que ela escreveu não era carmine zuigiber. era um nome bem mais curto.
sem que eles pudessem ouvir, um pequeno som de trovão se fez na borda da pedreira. poderia ter sido causado pelo súbito fluxo de ar no vácuo provocado por um cão muito grande se tornando, por exemplo, um cachorro pequeno.
os eles assentiram inteligentemente. disso, pelo menos, não tinham dúvida. a américa era, para eles, o lugar para onde as pessoas boas iam quando morriam.
– ela sabia que eu ia bater com o carro?
– sim. não. provavelmente não. sabe, agnes era a pior profeta que já existiu, porque ela estava sempre certa. por isso o livro nunca vendeu.
crowley sempre soubera que estaria por perto quando o mundo acabasse, porque era imortal e não teria outra alternativa. mas esperava que ainda demorasse muito.
porque ele gostava das pessoas. era um grande defeito num demônio.