Patrice Lumumba: o líder da independência do Congo que foi traído e assassinado em 1960
Patrice Lumumba foi um dos principais líderes da independência do Congo, que se tornou o primeiro primeiro-ministro do país em 1960, após o fim do domínio colonial belga. Mas sua trajetória foi interrompida por um golpe militar, que o capturou e o entregou aos seus inimigos, que o executaram de forma brutal.
Patrice Lumumba nasceu em 1925, no Congo Belga, uma colônia explorada pela Bélgica, que impunha um regime de opressão e violência aos nativos. Lumumba se destacou como um intelectual e um ativista, que defendia a libertação e a unidade do povo congolês. Ele fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC), um partido político que lutava pela independência.
Em 1960, a Bélgica concedeu a independência ao Congo, mas manteve seus interesses econômicos e políticos na região. Lumumba foi eleito primeiro-ministro, e tentou estabelecer um governo democrático e nacionalista, que resistisse à influência estrangeira. Ele também enfrentou a rebelião de algumas províncias, como a de Katanga, que se declarou independente, com o apoio da Bélgica e de empresas de mineração.
Lumumba pediu ajuda à Organização das Nações Unidas (ONU), mas não obteve o apoio esperado. Ele então recorreu à União Soviética, que enviou armas e tropas para o Congo. Isso desagradou os Estados Unidos, que temiam a expansão do comunismo na África.
Em setembro de 1960, o coronel Joseph-Désiré Mobutu, chefe do exército congolês, liderou um golpe de Estado, com o apoio dos Estados Unidos e da Bélgica. Ele destituiu Lumumba do cargo de primeiro-ministro, e o colocou em prisão domiciliar. Lumumba tentou fugir para a província de Stanleyville, onde seus aliados haviam formado um governo paralelo, chamado de República Livre do Congo. Mas ele foi capturado no caminho, em Lodi, por tropas de Mobutu, em 1º de dezembro de 1960.
Lumumba foi torturado e humilhado pelos soldados, que o levaram para o campo de Thysville, onde ficou preso por um mês. Em janeiro de 1961, ele foi transferido para Katanga, a pedido do líder separatista Moïse Tshombe, que o considerava um inimigo. Lá, ele foi submetido a mais torturas, e finalmente assassinado por um pelotão de fuzilamento, em 17 de janeiro de 1961. Seu corpo foi esquartejado e dissolvido em ácido, para evitar que se tornasse um símbolo de resistência.
A morte de Lumumba causou indignação e revolta no mundo inteiro, especialmente na África, que via nele um herói e um mártir da causa pan-africanista. Ele foi homenageado por vários líderes e artistas, que reconheceram sua importância histórica e sua luta pela dignidade e pela soberania do povo congolês.
Em 2002, a Bélgica admitiu sua responsabilidade na morte de Lumumba, e pediu desculpas oficiais ao Congo. Mas até hoje, muitos detalhes sobre o assassinato permanecem obscuros, e muitos culpados continuam impunes.
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