Freud diz que a fuga é o instrumento mais seguro para se cair prisioneiro daquilo que se deseja evitar. O que não se resolve, não se dissolve. O que finjo não existir, já ganhou um espaço reservado em mim. Porque até para ignorar eu preciso lembrar.
quando clarice escreveu "eu nunca fui livre na minha vida inteira. por dentro eu sempre me persegui. eu me tornei intolerável para mim mesma. vivo numa dualidade dilacerante. eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim."
Pausa no pão e no circo para uma reflexãozinha aqui.
Num futuro não muito distante, a sociedade vai olhar para o #BBB com a mesma perplexidade que, hoje, olhamos para quadros da TV dos anos 80 ou 90, como “O Mais Belo Negro do Brasil” do Chacrinha, o “Sushi Erótico” do Faustão ou a banheira do Gugu.
O reality coloca, há anos, pessoas confinadas, filmadas 24 horas por dia, sob privação do sono, dieta restrita e dinâmicas de esgotamento físico (provas de resistência) ou conflito (o tal jogo da discórdia). Isso tudo regado a muito álcool e em constante estado de alerta (toca telefone, visita surpresa etc).
Este ano, no tal quarto branco (que, nesta edição, nem acolchoado de verdade é), os confinados são sustentados a biscoito cream cracker e água, passam dias (literalmente!) sob ruídos nos alto-falantes e lidam até com fezes na parede do único banheiro. Tortura.
É claro que as vidas de muitos deles vão melhorar depois da fama. Um deles, inclusive, sairá milionário de lá. Mas que uma maratona dessas deixa sequelas… ah, deixa. Independentemente do que dizem as letras miúdas de qualquer contrato.
Agora voltamos para a nossa programação normal repleta de hipocrisia e curiosidade mórbida…
Quem vocês querem eliminar nesse primeiro paredão, hein?