As conversas entre Fred Kachar e Vorcaro são, obviamente, um escândalo para a Globo por vários motivos. Mas há um aspecto que é tão patético e que, embora possa parecer trivial, é bastante revelador:
A maioria das conversas consiste em Kachar mandando mensagens a Vorcaro, implorando por sua atenção, sendo geralmente ignorado e, então, implorando ainda mais. A cada poucos dias, ele suplica: "Será que posso ter alguns minutinhos do seu tempo hoje, por favor?" ou "Não se esqueça de mim, amigo!"
Kachar não quer nada de jornalístico de Vorcaro. Ele só quer estar perto de bilionários e se sentir parte da vida deles.
Essa é, basicamente, a pior característica possível para alguém que trabalha com jornalismo ou no governo: estar tão desesperado para agradar e até cultivar amizades com qualquer pessoa que tenha dinheiro ou poder.
Mas essa é uma parte importante do escândalo Vorcaro: todos esses ministros do STF, ministros do governo, diversos senadores e figuras semelhantes, tão ansiosos para viver como oligarcas e aristocratas, que acabam se colocando à venda para qualquer um que lhes coloque algumas moedas na boca ou os leve à Europa para participar de alguma festa glamourosa e vulgar, em salões imperiais, jatos particulares, e hotéis luxuosos.
Tudo tão decadente, corrupto e, acima de tudo, profundamente triste.
Lendo o livro do Rick Rubin eu tive certeza de algo que eu já desconfiava: se fosse brasileiro, moraria na chapada dos Veadeiros. Cem por cento vibes de velho hippie.
"Ainda estou aqui" é o trocadilho favorito pra estampar chamadas jornalísticas hoje assim como no passado já foram "a hora e a vez de..." e "cor x is the new black" .
Quando eu era jovem gostava da revista Cult. Hoje me parece o puro creme da punheta intelectual com toques de mensageiro do apocalipse. A revista ficou chata ou eu que fiquei?
Em tempo: eu quero mais é que apliquem muito dinheiro nos projetos dos criadores de conteúdo que eu gosto, só acho a marca uma Hering piorada e overpriced para os meus padrões.