Cachorro Orelha.
Há algo que vem me incomodando profundamente na forma como esse assunto tem sido tratado. A indignação diante do ato brutal daqueles que açoitaram um cão indefeso é plenamente compreensível. Trata-se de um crime que merece punição.
Tomás de Aquino deixa isso muito claro, tanto na Suma contra os Gentios quanto na Suma Teológica, II-II, questão 64. A superioridade ontológica do ser humano em relação aos animais não autoriza a injustiça nem a crueldade. Há aí pecado e há crime. Ponto.
Porém, o meu incômodo maior não reside nisso. Ninguém discorda que esses criminosos devam ir pra cadeia. O meu incômodo na verdade é sobre a indignação seletiva de um certo tipinho de gente...
O mundo inteiro se comove com a morte de um cachorro, enquanto milhões de abortos ocorrem todos os anos sob um silêncio ensurdecedor;
Poucos se mobilizam diante das crianças vítimas do tráfico humano cotidiano, inclusive no Brasil — vide o caso @PaulinhoPavesi;
Poucos se escandalizam com práticas culturais no oriente que naturalizam casamentos envolvendo crianças;
Poucos se revoltam com menores tragados pelo crime organizado, aliciados por facções que destroem vidas ainda em formação.
Algo está profundamente desalinhado. A sensibilidade moral da sociedade tornou-se desproporcional, reagindo com intensidade a certas injustiças e permanecendo apática diante de outras, muito mais MUITO MAIS RADICAIS.
Essa hierarquia distorcida da indignação revela uma completa inversão de valores. O sofrimento do animal desperta comoção imediata, enquanto a dor da própria humanidade é relativizada, administrada, esquecida.
O que quero dizer é que há uma ordem moral inscrita na própria realidade. Quando ela é subvertida os sinais aparecem naquilo que escolhemos amar, proteger e defender. Antes de nos revoltarmos com a violência contra os animais, é preciso recuperar a capacidade de nos escandalizarmos com o sofrimento da carne da nossa carne e dos ossos dos nossos ossos.
Chesterton percebeu esse deslocamento com notável lucidez ao afirmar que onde os animais passam a ser adorados, seres humanos acabam sendo sacrificados.
Reflitam.
@EuSouSuperBiel Juro que essa foi a primeira vez que ouvi essa música, até achei que fosse uma zoeira feita com IA.
Quer um encerramento bom e nostálgico de verdade?
Então toma!!!
@camaradamachado Aliás, há um satanista que tu gostas muito que supostamente se converteu à Igreja Ortodoxa, mas os frutos do que ali saíram, mostram sua continuidade em crenças satânicas e subversivas, evidenciando sua falsidade e seu objetivo único de infiltrar-se na Igreja Ortodoxa Russa.
@camaradamachado A conversão é uma realidade interior que só Deus conhece; o homem julga pelos frutos e deve proceder prudentemente. Então, a única cousa que posso dizer sobre sua conversão é maior máxima cristã: "se Deus quiser".
Nova editora católica focada em espiritualidade desconhecida e esquecida, com um enfoque sobretudo aos Patrísticos Orientais.
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Lendo umas lorotas nacionalistas que me apareceram hoje no X, percebo o quanto a produção desse texto é importante. O nacionalismo tem caráter revolucionário e materialista, sendo, portanto, contrário ao cristianismo. E ser nacionalista no Brasil é ainda pior: masoquismo.
@matheuszome Cabe dizer que todas essas palavras (beatificação, beatitude, beatificado, beato, bem-aventurado ou mesmo "visão beatífica) não combinam por acaso, haha!
Toda esta disputa acerca da santidade de São Simão de Trento — beatificado por Sisto — evidencia a pouca compreensão do que sejam beatificação e canonização. Em rigor, todo beato é santo, pois a beatificação atesta que a alma já goza do Céu; e quem está no Céu, santo é.
@matheuszome Meu Deus do Céu, é uma lógica tão simples! Por essa lógica simples, podemos concluir, como também falam todos canonistas e teólogos dogmáticos, que a beatificação confirma a beatitude do beatificado. Ontologicamente, portanto, não há distinção real entre um santo e um beato.
@matheuszome A beatificação implica que a Igreja reconhece que o indivíduo está no Céu: um milagre atribuído à intercessão de determinado indivíduo, o que dá origem ao seu culto, não seria possível se ele não estivesse na visão de Deus. Beato significa "Bem-Aventurado", afinal.
@matheuszome A beatificação é a confirmação de que aquele indivíduo está no Céu; e, estando no Céu, é-lhe permitido culto. Como já falei, a canonização apenas universaliza juridicamente o culto já reconhecido. Se é beato, possuiu a visão beatífica, algo próprio dos santos.