É quase trágico observar como tantos vivem em função do olhar alheio. Há quem não suporte existir sem plateia, como se a própria presença só ganhasse forma quando refletida no desejo do outro. Ah, a pulsão narcísica.
Alguns precisam urgentemente procurar e pôr em prática a famosa e temível, aparentemente, nossa ilustre responsabilidade afetiva. Falam tanto de comunicação, clareza, mas quando surge a oportunidade de jogar a hipocrisia pra baixo do tapete persa, não há vassoura que escape.
Recebi hoje uma carta de um ex-aluno. Dizia que as aulas o ensinaram menos sobre psicologia e mais sobre humanidade. Sorri. Talvez esse tenha sido sempre o propósito: usar a teoria como quem abre uma janela. Não pra entender o ar, mas pra respirar.