Estão sabendo que tá tendo tag?
Precisamos pressionar a aprovação do projeto pelo fim da escala 6x1!
6X1 NÃO É VIDA
TRABALHO COM DIGNIDADE
Consigo 300 RTs aqui?
Oi Rodrigo.
Esperando o mesmo pragmatismo intelectual que seu primo distante Fabio Capello aplicava dentro de campo, e com todo respeito, vou contrapor a sua análise.
Primeiro: nunca houve discurso de “nós contra eles” por parte dos idealizadores da SAFIEL. Não existe ataque a associados como categoria; existe crítica ao modelo associativo enquanto sistema econômico disfuncional. Se houver um único exemplo de antagonismo pessoal, peço que você apresente.
Segundo: não há “venda forçada” e não há risco institucional. A SAFIEL não retira poder do SCCP à revelia. Sem votação dos associados, nada acontece. É justamente o oposto, a proposta é um project finance societário, não um takeover hostil.
Terceiro: o argumento de perda patrimonial ao admitir novos sócios ignora conceitos básicos de finanças (de equity especificamente). O patrimônio líquido atual dos associados já está dado, com ou sem SAFIEL. E é o PL de um ativo endividado, de governança arcaica (se é que dá para chamar de governa), incapaz de captar capital e com risco crescente de insolvência.
Quando você admite centenas de milhares de torcedores como novos acionistas ordinários, não há diluição do patrimônio histórico, porque este patrimônio não é monetizável hoje. O que ocorre é exatamente o oposto:
A entrada de capital fresco aumenta o equity total e, por definição, aumenta o valor da participação dos associados.
É o conceito elementar de value accretion, quando o aporte ocorre acima do valor econômico do ativo (e ocorre), os acionistas existentes ganham valor.
Além disso, a simples introdução de governança independente, com board com mandato profissional, accountability, compliance e desvinculação do ciclo eleitoral aumenta imediata e continuamente o múltiplo de valuation.
Clubes com governança profissional negociam a EV/Receita ou EV/EBITDA muito acima dos clubes sob administração amadora. Ou seja, ao admitir novos sócios, os associados não perdem patrimônio; eles destravam valor.
Quarto: a crítica ao Comitê de Governança desconsidera sua função. Esse comitê não administra futebol, não define orçamento, não interfere na operação. É um Nomination Committee, como nos modelos europeus, e está aberto a ajustes. A SAFIEL, aliás, é o único modelo brasileiro em que o acionista proponente abdica do controle e entrega a gestão a um board profissional independente. O oposto de concentração de poder que você sublinhou.
Quinto: dizer que investidores institucionais não entrariam porque não tem controle ignora diversos precedentes do mundo corporativo. O que atrai capital institucional é tese de investimento sólida, desde que a governança reduza o risco operacional. E é isso que a SAFIEL faz.
Por fim, comparar o Corinthians com Vasco, Botafogo e Cruzeiro é tecnicamente inválido. O Corinthians tem uma composição de marca, torcida e engajamento incomparáveis. Tem a maior torcida (pesquisas recentes indicam ~20%) na região mais rica do país (sudeste que concentra quase 55% do PIB nacional).
E, ainda nesse ponto, ter um dono é antítese da identidade corinthiana; o Corinthians nasceu como patrimônio coletivo e sua força sempre veio da massa, não da concentração de poder em uma única pessoa.
Por fim, volto ao ponto inicial.
Se houver qualquer comunicação de idealizador da SAFIEL atacando associados e conselheiros como grupo, por favor mostre. Porque toda sua argumentação se apoia nisso, e eu honestamente desconheço.
Existe sim crítica ao modelo associativo - que nos levou ao fundo do poço moral e financeiro - enquanto sistema econômico estruturalmente disfuncional; não às pessoas ou a qualquer grupo.
E, pelo compromisso com os fatos e com a boa-fé de quem realmente quer resolver o Corinthians, é impossível que fosse diferente. Criticar a estrutura é a única forma honesta de enfrentar a raiz do problema.