como q funciona f1???? eles dão uma quantidade específica de voltas, ganha e acabou? só isso? pq se for, parece ser sem graça pra quem assiste.
pergunta genuina, eu queria entender real
Com o Brasil fora, cada brasileiro agora torce para quem quiser. Minha lista é
1) Marrocos - um novo campeão, que representa a África, o mundo islâmico, o árabe e o berbere
2) Noruega - torcida carismática. Vi in loco no estádio. O Haaland tb é uma figura sensacional. Além disso, teríamos sido eliminados pelos campeões 🙃
3) França - como dizem, "que vença o melhor". E a melhor seleção é a francesa
É triste que as pessoas sejam tão ignorantes sobre o tipo de efeito social que a religião causa nesse nível.
Historicamente, católicos e evangélicos neopentecostais diferem em muitas coisas, mas um dos principais pontos de divergência é a forma como enxergam a glória eterna e a relação entre sucesso, responsabilidade e salvação.
A glória, no catolicismo, tem um caráter comunitário. Não há glória, salvação ou sucesso desvinculados da comunhão com o outro. O individualismo é condenado e, embora a providência divina também faça parte da doutrina, a responsabilização é profundamente pessoal. Deus sabe de todas as coisas, mas o livre-arbítrio continua sendo um princípio central. Você faz escolhas diante da sua comunidade e da sociedade, e são essas escolhas que geram consequências. Se você falhou, falhou porque fez escolhas ruins, porque não fez o suficiente ou porque negligenciou seus deveres para com o coletivo.
No neopentecostalismo, a lógica tende a ser outra. A vitória é, antes de tudo, individual. Você vence porque fez a sua parte, e Deus recompensa sua fé organizando os acontecimentos conforme Sua vontade. Se você perdeu, perdeu porque lhe faltou fé ou porque Deus decidiu que aquele não era o momento. A teologia da prosperidade, que ocupa um papel central em boa parte do neopentecostalismo, reforça justamente essa leitura individualizada da relação entre fé e sucesso.
Tudo isso produz disposições morais diferentes nas pessoas e, consequentemente, nos próprios jogadores. Se você vence, foi porque Deus quis. Se perde, foi porque faltou fé ou porque Deus assim determinou. A derrota deixa de ser, em primeiro lugar, um problema de responsabilidade pessoal, de senso de comunidade ou de compromisso com o coletivo.
O discurso, inevitavelmente, tende a ser mais: 1) egoísta, porque o foco está na relação individual entre o fiel e Deus; e 2) receptivo à derrota, porque ela deixa de ser interpretada como consequência das próprias escolhas e passa a ser entendida como parte do plano divino.
Esse é o Brasil que vem sendo construído nas últimas décadas. Somos, da política ao futebol, cada vez mais egoístas, individualistas e menos responsáveis pelas consequências comunitárias de nossas ações.
eu amei que o twitter basicamente acabou de explicar toda a mudança sócio-política-cultural do Brasil nos últimos 20 anos. podem imprimir esses tweets todos aí e tá pronto um novo livro. somos a reencarnação coletiva do eric hobsbawm
todo mal que assola esse país está ligado a igreja evangélica desde o declínio do futebol até as tias viciadas em dorama e até além disso não tô brincando nem um pouco
escrevi um artigo pra faculdade sobre instrumentalização da fé como ferramenta política e precisei ler muitos outros artigos/documentos e é assustador como tudo nesse país foi abraçado pelos tentáculos do neopentecostalismo
nunca imaginei que uma eliminação de Seleção Brasileira na Copa do Mundo faria o povo CLAMAR pela volta do CATOLICISMO como moldador do tecido social geral
dito isso, repudiem a heresia, abracem a TRADIÇÃO
Se fosse só o futebol, ainda dava pra aturar. O neopentecostalismo destruiu nossa política, nosso sistema de saúde com médicos e psicólogos evangélicos, destruiu o serviço de amparo a crianças e adolescentes ao se apossar dos Conselhos Tutelares, e por aí vai...