Perguntam muito se, como defensor público, foi difícil defender pessoas que eu sabia serem culpadas. Mas nunca se preocuparam em saber como foi difícil defender as que sabia serem inocentes. Em nosso sistema penal, é simplesmente aterrorizador. #vidadedefensor
“Ah, Alexandre, mas a pessoa caiu no golpe, o banco não tem nada…”
Pode parar.
O sistema tem N travas para impedir que você saque sem razão e/ou medidas de segurança: valores do FGTS, do seu investimento ou para impedir que você pegue um empréstimo sem ser consignado ou bem garantido e fora do seu perfil. Tem travas x PIX à noite ou limites de acordo com sua renda, meu companheiro de classe média.
Principalmente, banco ganha fortunas com digitalização: sem contratar mão de obra, fazer agências ou até ATMs, enquanto o consumidor trabalha para ele, via App.
Ganha fortuna com a bancarização num nível que, físico, nunca houve (de novo: apps e maquininhas).
O crime cada vez mais e em volume altíssimo, migra da rua pro digital, e a culpa exclusiva é do Seu Zé que perdeu toda economia da vida (exemplo real aqui, 9 mil reais) num golpe?
Todo dia abrimos processos na Defensoria (notar o plural) em virtude de golpe digital sofrido por pessoa necessitada.
Nenhuma ação do provedor de serviço bancário a não ser dizer que “seus sistemas não detectaram fraude”.
A fraude é o sistema.
Que eu saiba, amigo de verdade é aquele que não tem receio de falar a verdade, ainda que ela seja desagradável e, principalmente, é aquele que vem alertar o amigo quando está cometendo um erro.
Você não fez nada pelo esporte brasileiro e quer opinar sobre quem é brasileiro o suficiente para ganhar medalha?
Calma aí.
O Lucas Bratten acabou de ganhar o primeiro ouro da história do Brasil na Olimpíada de Inverno. Da história da América do Sul inteira, na verdade.
O problema é que você quer o direito de comemorar um resultado que você nunca ajudou a construir. E quando o resultado vem de um jeito que foge do seu roteirinho, você simplesmente não sabe lidar. Porque o mérito de verdade te incomoda.
Coisa ruim: a Universidade recorrer (a meu ver sem interesse processa legítimo algum).
Coisa bizarra: no modelão do sistema, ainda pedir efeito suspensivo com base no dano que deferir o FIES no caso causará (FIES para estudar de graça nunca vi)…🤦🏻♂️
Coisa boa: assistida com visão monocular e surdez unilateral (sequelas de doença juvenil) fora excluída da cota PCD para ingresso na Universidade Federal - ganhamos tutela de urgência e agora sentença.
Incluída na vaga no início do processo, hoje já é médica formada, c/CRM 💚.
#vidadedefensor
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