Professora Heley de Abreu e seu heroísmo em uma terra de mediocridades
Completou-se mais um ano da tragédia na creche Gente Inocente, em Janaúba/MG (05 de outubro de 2017), em que um homem colocou fogo no local, matando dez crianças e três funcionárias. O assassino incendiou seu próprio corpo e também morreu.
As testemunhas disseram que a professora Heley de Abreu, ao visualizar o homem se aproximando em chamas, conseguiu retirar da sala cerca de vinte e cinco crianças por uma janela estreita. Ao ser alcançada pelo monstro, a professora entrou em luta corporal com ele, até perder a consciência.
Heley poderia ter tentado escapar com vida, mas optou, conscientemente, por salvar a maior quantidade de vidas possível. Em um país assolado por mediocridades, este tipo de heroísmo extremo não é corriqueiro e deve ser celebrado.
Nem mesmo na literatura brasileira temos grandes representações de heróis em que possamos nos inspirar. O Brasil não tem a cultura do heroísmo. Macunaíma é o “herói sem caráter”, sujeito indolente e sem virtudes. Os personagens de nossa literatura são loucos como Simão Bacamarte, avarentos como João Romão, ladrões como Pedro Bala, fura-olhos como Rubião.
A professora Heley foi na realidade brasileira aquilo que não chegou a ser retratado na nossa literatura. O imaginário do brasileiro sequer foi preparado para reconhecer esse tipo de personagem. A mediocridade reinante turva o resgate da memória dos virtuosos.
Que a memória da Professora Heley seja sempre honrada, e que Deus a tenha em sua infinita bondade.