O Diploma de Mentira - "O diploma, atualmente, ao invés de libertar, escraviza." 🤡
Como o PT vendeu a promessa de um país mais justo pela porta da educação — e entregou, décadas depois, uma geração de graduados pobres e um mercado de diplomas sem valor.
Havia uma promessa bonita. Quase poética. O filho do operário entraria na faculdade, pegaria o diploma com as duas mãos, e o mundo se abriria diante dele como nunca se abriu para o pai.
O PT transformou essa promessa em programa de governo, em discurso de palanque, em campanha publicitária. PROUNI, FIES, expansão das federais, EaD a preço de banana — a democratização do ensino superior virou o troféu mais reluzente de três governos e quinze anos de poder. O problema é que o troféu era de papelão.
Os dados do IBGE não deixam espaço para retórica. Em 2012, quem tinha ensino superior completo recebia em média 11,87 salários mínimos. Em 2024, esse número desabou para 4,78. Uma queda de quase 60% no retorno financeiro do diploma em apenas doze anos. No mesmo período, quem tinha só o ensino médio foi de 4,19 para 1,78. A educação formal — o grande elevador social prometido pela esquerda — virou, na prática, um corredor onde todo mundo corre mais devagar.
A fábrica de diplomas
O raciocínio dos governos petistas era sedutor na superfície: mais gente com diploma significa mais gente bem remunerada, logo mais igualdade. O problema é que esse argumento ignora uma lei elementar de mercado que qualquer estudante de primeiro ano de economia aprenderia antes do intervalo: quando a oferta explode sem que a demanda acompanhe, o preço cai. E foi exatamente isso que aconteceu com o diploma brasileiro.
O FIES, criado na era FHC mas turbinado de forma irresponsável nos governos Lula e Dilma, injetou dezenas de bilhões de reais em faculdades privadas com qualidade muitas vezes duvidosa. O resultado foi uma proliferação de cursos que formavam profissionais para mercados inexistentes, com grade curricular desatualizada, em instituições que mediam sucesso pelo número de matrículas, não pela empregabilidade dos egressos. O setor privado hoje concentra 95% das vagas do ensino superior brasileiro. Noventa e cinco por cento. E o dinheiro que bancou boa parte dessa expansão saiu do contribuinte.
A inadimplência do FIES chegou a níveis catastróficos — mais de R$ 100 bilhões em contratos problemáticos. O governo financiou diplomas que o mercado não quis comprar. E quem pagou a conta, como sempre, foi quem não tinha outra opção senão acreditar na promessa.
A desigualdade que o discurso esconde
Mas a crítica mais profunda não é contábil. É moral. Porque por trás dos números do IBGE há uma estrutura de desigualdade que a retórica da inclusão educacional nunca teve intenção real de desmantelar. O graduado negro recebe sistematicamente menos que o graduado branco com a mesma formação. A mulher com diploma superior ganha, em média, R$ 2.756 a menos por mês que o homem com o mesmo nível. A instituição de origem — se pública de excelência ou privada de segunda linha — determina o destino profissional muito mais do que o conteúdo aprendido.
Em outras palavras: democratizar o acesso ao diploma sem democratizar o acesso à qualidade é apenas democratizar a ilusão. É colocar todo mundo no mesmo elevador e depois cortar a energia. O filho do operário conseguiu entrar. Só que o elevador não sobe mais.
O retorno do discurso vazio
O mais perverso é que, com Lula de volta ao Palácio do Planalto desde 2023, o diagnóstico continua o mesmo de sempre: mais acesso, mais inclusão, mais financiamento. Não há uma palavra séria sobre qualidade, sobre o alinhamento entre formação e mercado, sobre o cemitério de cursos que despejam anualmente centenas de milhares de graduados sem perspectiva. O governo atual reativou linhas do FIES, expandiu programas de bolsas, bateu no peito pela democratização — e ignorou solenemente o fato de que o modelo está podre por dentro.
Enquanto isso, as grades curriculares das universidades brasileiras, públicas e privadas, permanecem, nas palavras de especialistas, "jurássicas" — alheias à inteligência artificial, à economia digital, às transformações aceleradas do mercado de trabalho. Forma-se um biomédico para um mercado que precisava de um cientista de dados. Um advogado para um tribunal que em breve será parcialmente automatizado. Um administrador para uma função que um software já executa melhor e mais barato.
O custo real da promessa
No fim das contas, o que os dados revelam não é apenas uma falha de política pública. É uma traição geracional. Uma geração inteira foi convencida — pela propaganda governamental, pelo imaginário familiar, pela pressão social — de que o diploma era o passaporte para uma vida melhor. Endividou-se para pagar mensalidade. Abriu mão de anos de renda para estudar. Acreditou.
E o que recebeu em troca? Um certificado que vale menos da metade do que valia quando seus pais eram jovens. Um mercado de trabalho que olha para o diploma como condição mínima, não como diferencial. E um governo que, em vez de corrigir o erro, prepara-se para repeti-lo com entusiasmo renovado — porque diploma distribuído é voto garantido, e voto garantido é o único retorno sobre investimento que esse modelo sempre soube calcular direito.
A promessa era bonita. O país que ela construiu, não.