O gol mais chorado do Brasil em Copas: Depois de uma sequência de três bolas na trave Roberto Dinamite marca o gol do Brasil contra a Polônia pela Copa de 78.
Nostálgico!
O Navio de Teseu
Sobre o paradoxo de Teseu e a dissolução do eu
Dizem que no porto de Atenas havia um navio. Não um navio qualquer: era o navio de Teseu, aquele que havia navegado até Creta e derrotado o Minotauro. Os atenienses o preservaram por séculos, como relíquia e testemunho. Mas o mar, e o tempo, apodreceram a madeira. E cada prancha deteriorada foi substituída por outra. E depois outra. E outra ainda, até que não sobrou nenhuma tábua original. A pergunta, então, que o filósofo deixou flutuar no ar foi: aquele navio ainda era o navio de Teseu?
Plutarco nos legou o paradoxo, mas a pergunta pertence a todos os séculos. Porque não se trata, em rigor, de carpintaria naval. Trata-se de nós. Do estranho esforço que fazemos, a cada manhã, de reconhecer no espelho um rosto que julgamos contínuo, quando, na verdade, é uma sequência de rostos, superpostos, em que cada versão apaga e reescreve a anterior.
A biologia, que não se importa com nossa angústia, informa-nos que o corpo humano renova a maior parte de suas células ao longo dos anos. Que a pele que carrego hoje não é a mesma que aprendi a chamar de minha. Que as moléculas que compõem este pensamento que agora formulo já foram, antes, água de rio, terra, ar respirado por alguém que já morreu. E a neurociência diz que o cérebro é plástico, ou seja, que o pensamento é um constante rascunho.
E no entanto, insistimos em dizer “eu”, como se houvesse uma entidade estável por trás dessa sílaba breve. Insistimos em lembrar, sabendo que a memória não é um arquivo, mas uma ficção que se reescreve a cada evocação. Insistimos em sermos os mesmos, mesmo quando o que somos desmente essa pretensão a cada decisão que tomamos, a cada amor que começa ou termina, a cada mudança que fazemos, seja física ou psicológica.
Talvez o erro esteja na pergunta. Perguntar se somos os mesmos pressupõe que a identidade é uma coisa, um objeto, uma substância, uma tábua de navio que ou persiste ou apodrece. Mas e se a identidade for um verbo? E se o “eu” não for aquilo que permanece, mas aquilo que continua, que se move, que se narra, que tece fios entre o que foi e o que será, construindo a ilusão, ou talvez a realidade, de uma trajetória?
Dizem que somos feitos de memória e de linguagem, e a linguagem, sabemos desde Ferdinand de Saussure, é arbitrária e convencional. Os nomes que damos às coisas não são as coisas. O nome que damos a nós mesmos não é o que somos: é apenas o título provisório de uma obra em curso. Somos também feitos de relações, de tudo aquilo que os outros viram em nós antes que nós mesmos enxergássemos. Somos os traumas que nos moldaram sem que os convidássemos. Somos as alegrias que nos abriram onde estávamos fechados. Somos as perguntas que ainda não respondemos, e talvez sejamos sobretudo isso, esse movimento de perguntar que não cessa.
O labirinto que Teseu percorreu com o fio de Ariadne era exterior: corredores de pedra, o Minotauro no centro, a saída no horizonte. Já o labirinto que cada um de nós percorre é feito de outra matéria, de tempo e de significado, de esquecimento e de desejo. E não há fio que nos guie senão a narrativa que construímos sobre nós mesmos. Uma narrativa que muda. Que é, ela própria, um navio cujas tábuas são trocadas.
E aqui reside, talvez, a libertação estranha que o paradoxo oferece: se não somos uma estrutura fixa, então as versões de nós que fracassaram, que erraram, que se perderam, não são sentenças definitivas. São capítulos. São tábuas que apodreceram e foram substituídas. A culpa que carregamos de uma versão antiga de nós mesmos, aquela pessoa que fomos antes de saber o que sabemos agora, é a culpa de um navio por uma tempestade que já passou.
O navio de Teseu continua navegando. A identidade não é o que persiste imutável; é o que persiste em movimento. Somos o processo de sermos. E talvez isso seja suficiente, talvez seja até mais do que suficiente, para atravessar o mar. Somos, enfim, o navio de Teseu.
“Usar de preconceito para lançar ofensas à torcida do @Flamengo é o mesmo que fabricar bumerangues."
~ MÜHLENBERG, Arthur Oscar ❤️🖤 In: @Folha e portal da @abletras. O @Urublog é foda.
O FRACASSO É REALMENTE IMPORTANTE.
“A sorte é absurdamente importante. Quando fiz a descoberta que me rendeu o Prêmio Nobel, nós estávamos tentando fazer uma coisa completamente diferente. Não deu certo, foi um fracasso. E então fomos analisar por que aquilo tinha falhado. A natureza estava nos dizendo alguma coisa, e nós descobrimos o que era.
Isso me leva a outro ponto: o fracasso é realmente importante. Nem todo experimento precisa dar certo. E, se ele não dá certo, mas foi conduzido corretamente, a natureza está tentando te mostrar que ali existe uma descoberta a ser feita. Por isso eu adoro o fracasso. Adoro quando os alunos chegam para mim e dizem: “Ei, eu fiz exatamente o que você mandou fazer e não funcionou.” Ah, talvez exista uma descoberta aí. É esse tipo de coisa que empolga.
Outra questão é a criatividade. Os sistemas educacionais de muitos países parecem feitos para arrancar a criatividade das crianças. Toda criança pequena é criativa. Ela vai para a escola, e isso lhe é arrancado. E isso não é uma coisa boa.
E há ainda um aspecto pessoal: eu nunca gostei que me dissessem o que fazer. Se alguém fala: “Ah, você deveria fazer isso”, eu imediatamente quero fazer o oposto. Porque, se a pessoa já pensou nisso, provavelmente não pode ser tão interessante assim. Eu quero aprender por conta própria.
Então, seja lá o que você esteja fazendo como estudante, não deixe ninguém dizer: “Não faça isso; faça aquilo.” Se você sente que aquilo que estão te mandando fazer está errado, faça o que você acredita ser o certo.”
Richard Roberts, Nobel de Medicina.
The visibility of all pro‑Ukrainian accounts, including mine, has dropped dramatically. Please help me fight the algorithm by visiting my profile and boosting posts about today’s Russian war crimes.
Pic for attention.
Fala incrível e cheia de dados do Eduardo Gianetti: "E se o Brasil se desvencilhasse desse colonialismo mental, e visse que os EUA não é modelo p/ ninguém? É uma sociedade doente. Trump é sintoma de uma doença profunda" Vale assistir 👇
Já que o duelo Flamengo x Palmeiras, marcado para o dia 23 de maio, já começou nos bastidores, eu vou soltar aqui um levantamento dos dois times no Brasileirão até o momento...
NÚMEROS APENAS DO BRASILEIRÃO!
FALTAS COMETIDAS
Flamengo 11º
Palmeiras 6º
FALTAS COMETIDAS NO CAMPO DE DEFESA
Flamengo 17º
Palmeiras 4º
CARTÕES AMARELOS
Flamengo 10º
Palmeiras 14º
PÊNALTIS COMETIDOS
Flamengo 6º
Palmeiras 20º (nenhum pênalti marcado contra o Verdão)
PÊNALTIS A FAVOR
Flamengo 4º
Palmeiras 8º
TEMPO MÉDIO DE BOLA ROLANDO
Flamengo 1º
Palmeiras 10º
*No Brasileirão, das cinco maiores partidas em tempo de bola rolando, três são do Fla (contra Bahia, Remo e Fluminense). Das 10 maiores, cinco são do Fla. O Palmeiras não aparece nenhuma vez no top-10 e nenhum outro time aparece mais de uma vez.
CARTÕES AMARELOS PARA ADVERSÁRIOS
Flamengo 12º
Palmeiras 3º
EXPULSÕES DE ADVERSÁRIOS
Flamengo 10º
Palmeiras 4º
Até lá, os números vão mudar, mas a rivalidade entre os dirigentes nos bastidores só vai aumentar. Esse jogo promete, e o Maracanã, certamente, estará com casa cheia.
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
ACHOU QUE NÃO DAVA? ACHOU ERRADO! 🔥
O Sesc RJ Flamengo parecia eliminado, mas reagiu, buscou forças e venceu de VIRADA no quinto set, forçando mais um jogo! Quem não se arrepiou, é maluco, pô!
#SuperligaNoSportv
🇺🇦 It's a small piece of Ukraine...right in the middle of Brazil. 🇧🇷
Hidden deep in southern Brazil lies a town that feels more like Ukraine than South America. In Prudentopolis, generations of Ukrainian immigrants have preserved their language, traditions, and identity for over a century.
Brazil feeds a billion people.
It holds 12% of the world’s freshwater.
It produces 87% of its electricity from renewables at half the cost of American power.
It holds 94% of global niobium, the second-largest reserves of rare earths, and the second-largest reserves of graphite.
Its stock market trades at 9.25x forward earnings.
The S&P 500 trades at 21x.
An American investor pays more than twice as much per dollar of expected earnings for exposure to the US economy than for the country that holds the minerals, the water, the food, and the energy that the 21st century runs on.
Someone explain to me how that math works.
Read why I’m bullish on Brazil below 👇
🤯 Stop scrolling and look at this detail.
This is Pysanka, a 1,000-year-old Ukrainian tradition of decorating eggs with intricate, symbolic designs.
Each pattern tells a story of life, protection, and renewal.
📹: PysankaArt/YouTube
Há algo profundamente inquietante na ideia de que não existimos inteiros na memória de ninguém. Aquilo que somos, para os outros, nunca é um todo, mas uma coleção de fragmentos. Um gesto isolado, uma frase dita em um contexto específico, um silêncio que alguém interpretou à sua maneira. Pequenos recortes que seguem existindo, mesmo quando já mudamos.
Em algum lugar deste planeta, alguém ainda pensa em você. Mas não em quem você é hoje. Pensa em uma versão sua que ficou presa a um instante. Talvez um momento comum, sem importância aparente, que para você se dissolveu no fluxo dos dias. Mas que, para aquela pessoa, permaneceu. E continua significando algo.
A memória não funciona como um arquivo. Ela se parece mais com uma narrativa em movimento. Não guarda os fatos como aconteceram, mas como foram sentidos. Com o tempo, reorganiza tudo. Apaga detalhes, suaviza excessos, preenche lacunas. O que sobrevive não é o acontecimento em si, mas a impressão que ele deixou.
Por isso certas lembranças carregam um peso difícil de explicar. Uma fotografia, uma conversa antiga, um encontro qualquer pode, de repente, parecer maior do que foi. Não porque mudou, mas porque revela algo simples e irreversível. Já fomos diferentes. E aquela versão não existe mais.
Talvez o mais desconcertante seja perceber que já tivemos nossa última conversa com alguém e não sabíamos. A vida não anuncia seus finais. Não há avisos claros, nem despedidas proporcionais ao que está terminando. Apenas o silêncio que vem depois. E, muito tempo mais tarde, a compreensão de que aquele momento banal era, na verdade, um encerramento.
Tudo o que somos corre o risco de se perder. Mesmo aquilo que deixamos registrado depende de alguém que olhe e reconheça um sentido. Sem isso, imagens, palavras e dados se tornam apenas vestígios sem voz. A existência humana, tão intensa por dentro, revela sua fragilidade quando vista de fora.
E, ainda assim, há um tipo de consolo nisso.
Se nada se fixa completamente, também não somos obrigados a ser definitivos. Não precisamos sustentar uma versão final de nós mesmos, nem garantir que seremos compreendidos de forma precisa. Somos atravessamentos. Experiências que passam por outras experiências, deixando marcas que nunca controlaremos totalmente.
Talvez seja justamente aí que reside a beleza. Mesmo sem permanência plena, ainda assim tocamos o mundo. Ainda assim, por um instante, existimos na consciência de alguém. E isso, por mais breve que seja, já é uma forma silenciosa de permanecer.